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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Hino do Senhor do Bonfim - Arthur de Salles/João Antonio Wanderley

O Hino ao Senhor do Bonfim é uma composição com letra de Arthur de Salles e música de João Antonio Wanderley. Ela foi escrita em 1923 por meio de pedido oficial para as comemorações do centenário da independência da Bahia. A letra evoca uma passagem da história da Bahia em que a imagem do Senhor do Bonfim, tomada pelas tropas portuguesas durante as batalhas, fora resituída ao seu templo original em cortejo popular.A música teve o seu alcance ampliado pela gravação realizada pelo movimento musical da Tropicália no disco Tropicália ou Panis Et Circensis(1968). 

O Hino do Senhor do Bonfim é um hit cívico que embala o festejo conhecido como Lavagem do Bonfim – evento ecumênico que anualmente reúne baianos e turistas a caminhar rumo a Igreja localizada na Cidade Baixa, em Salvador. O hábito de lavagem, herdado de Portugal, era usual na época como cumprimento de promessa.Conta o historiador Ordep Serra que um soldado prometeu ao Senhor do Bonfim lavar sua igreja caso sobrevivesse à Guerra do Paraguai. Por ter sobrevivido ele convocou então ajudantes e assim iniciou um costume que sempre acaba em festa com cantos, dança, comida e bebida. 
Historicamente o rito foi associado à figura das baianas, adeptas do candomblé que sincretizaram o rito da lavagem com as Águas de Oxalá. Em seus jarros elas levam a água de cheiro que será utilizada na limpeza das escadaria – ponto alto desta festa popular. Desde 1989, a Igreja Católica proibiu a lavagem da parte interna do templo.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Bahia Jamaica - Jorge Alfredo/Chico Evangelista


*Texto escrito pelo compositor Jorge Alfredo Guimarães

Eu estava deitado na cama de um quarto de hotel, exausto, já era tarde da noite, tinha acabado de sair do banho, quando me surgiram esses versos: “quem falou tem a cabeça branca de muitas canções que falam do mar da Bahia; tambor que bate aqui é o tambor que bate lá... Bahia, Jamaica – um ponto de encontro entre eu e você.” Eu me lembrava do que dissera Dorival Caymmi numa entrevista, e os versos vieram assim inteiros... Eu peguei uma agenda, que levava comigo, e escrevi pra não esquecer. Mas, não foi o suficiente para eu relaxar e pegar no sono. Então, peguei o interfone e liguei pra Chiquinho, que estava no quarto ao lado. Felizmente, ele atendeu. Eu disse; “- Evans, que bom que você ainda está acordado! Chegue mais! Parece que consegui fazer a letra da música que vai dar nome ao nosso disco!” Chico Evangelista em menos de 5 minutos já estava buzinando na porta, trazendo o Ovation numa mão e um baseado já apertado na outra. Antes que o dia amanhecesse a música já estava pronta e gravada num minúsculo gravadorzinho que eu tinha ganho de presente de Oliveira Bastos, quando trabalhei no Diário de São Paulo. 
Foto: Nicia Guerriero

O ano era de 1980. A gente estava no Rio de Janeiro. Viemos nos apresentar no alto da Urca, inaugurando o projeto de Nelson Mota, o Noites Cariocas. Viemos de São Paulo com a banda completa; Dino Vicente, nos teclados, Gigante Man, na bateria, Toni Costa, na guitarra, Cid Campos, no baixo, Cezinha, na percussão. Teve canja de Pepeu Gomes e tudo o mais... Sucesso absoluto de público nas duas noites, mas, para nossa surpresa, não tinha cachê nenhum para a gente. Foi aquele vexame! Eu perguntava incrédulo; “- Pô, mas pelo menos tem que ter o cachê da banda!”. Mas não adiantava... Pra compensar, no dia seguinte tínhamos agendado um compromisso com um empresário carioca, que nos chegou através da Gravadora Copacabana, um show coletivo numa dessas Feiras de Animais, Agropecuária, sei lá, na Grande Rio, que era só pra mim e Chiquinho, a gente cantaria 3 ou 4 músicas de violão no final do show, sem banda. O que a gente quisesse, só não podia faltar o Rasta Pé. Pagamento em dinheiro vivo, sem recibo, nada... Então, lá fomos eu e Chiquinho cantar nesse evento pra pagar os cachês dos músicos do show dos Noites Cariocas. A Banda Axé não podia compartilhar com a gente desse “calote”. 
Foto: Nicia Guerriero

Foi na volta dessa mini apresentação, ao ar livre, para um público de mais de dez mil pessoas, que vim conversando com Chiquinho, no carro que nos trazia de volta pro Hotel, da minha vontade de fazer uma música que sintetizasse o nosso encontro musical. A gente já tinha estúdio agendado em São Paulo pra gravar o LP da “dupla. Porque há um ano atrás, no Festival da Tupi, no final de 1979, o “Reggae da Independência” agradou, mas, causou muito mais estranheza do que a gente imaginava. Meses depois, em abril de 1980, o “Rasta Pé” atingiu em cheio o grande público, foi classificada pra grande final do Maracanãzinho e estourou nas rádios. E o pessoal da gravadora queria gravar um Lp antes da finalíssima do Festival MPB Shell, da Rede Globo. E eu comentava com Chiquinho a minha surpresa sobre o convite de Paulinho Boca de Cantor, pra que ele tocasse violão no “Vestido de Prata”. E Chiquinho me dizia: “- Jorginho, ele quer aquele swingue... é samba, é reggae... todos piram com sua música; parece samba, mas não é...” Quando decidimos pelo nome do nosso LP, prevaleceu o meu argumento de que “Bahia Jamaica” contemplava muito mais o que fazíamos. Samba e reggae eram apenas dois ritmos, pra mim. E a gente sempre misturava tudo, tinha também blues, frevo, até guarânia... Só tinha um problema, eu dizia; A Bahia é um estado e a Jamaica, um país, mas a kaya é uma só! E Chiquinho morria de dar risada.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O Silêncio - Ayam Ubrais Barco

"O Silêncio" é uma canção de Ayam Ubrais que nasceu primeiro como poema que está no seu livro O Caos Agradecido. "Ela foi escrita a partir da minha investigação em sonhos. Eu regressava a uma aldeia indígena dentro de mim e me encontrava lá. Encontrava o silêncio necessário para ouvir meu coração pela primeira vez", revela o cantor. 

Foi depois de contar essa história para os amigos que Ayam colheu mais um insight onírico: sonhou com a melodia. "Eu acordei e ainda pelejei por uns dias pra decifrar como libertar o poema em música", explica. Essa não foi a primeira vez que ele produziu arte a partir das suas investigações do inconsciente. Outras canções e também poemas, pinturas e até relacionamentos vividos partiram dos sonhos. "Eles são o terreno da espiritualidade pra mim. São xamanisticamente concebidos com os 'pés no chão'. Não entendo essas coisas governadas desde a estratosfera ou algum reino invisível", explica Ayam. 


Como música "O Silêncio" saiu no disco ¡Partir O Mar Em Banda! (2016) e também ganhou dimensão audiovisual em clipe dirigido pela dupla Edson Bastos e Henrique Filho. A película amplia o simbolismo da letra e traz como locação um dos maiores depósitos de cacau da região de Ipiaú, na Bahia. Durante as filmagens a equipe chegou a receber visita da polícia e um cesto com aperitivos ofertado por um vizinho.


terça-feira, 21 de novembro de 2017

Se Vestir Despindo - Fábio Haendel

Se Vestir Despindo é uma música do cantador Fábio Haendel. Ele lembra que a composição nasceu no verão de 2008, logo depois de assistir a um documentário sobre moda. "Quando você se veste você se revela: seus gostos, idéias e ideais. Eu quis tratar em música sobre essas diferentes peles que possuímos", explica o compositor. 
A música ganhou sua primeira gravação em arranjo para voz e violão naquele mesmo ano com o lançamento de Dono do Tempo - primeiro trabalho de Fábio. Em 2015, Se Vestir Despindo ganharia uma nova versão com banda para o álbum Nuvens. Neste arranjo definitivo destaque para o piano honky tonk de Estevam Dantas que acompanha a melodia vocal conferindo-lhe o devido tom de liberdade.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Sons - Taro

Sons é uma composição da banda Taro com letra de Gabriel Tupy O guitarrista do grupo lembra que o nascimento da canção foi para ele uma experiência libertadora. "Estava em casa tocando a música e, viajando com a melodia, percebi que as notas e os sons emitidos pareciam transcender a matéria - quase como o divino. Foi aí que escrevi me colocando no lugar dos sons e isso me fez me sentir muito maior do que esperava", reflete Gabriel.
Sons é o primeiro single da banda que é formada por jovens conquistenses - o mais moço deles tem 17 anos. A faixa, lançada na semana passada, leva adiante a experiência terapêutica vivida por Gabriel e convida o ouvinte a mergulhar em uma atmosfera rica em texturas, dialogando com a linguagem em voga de ícones do rock psicodélico/experimental. A produção é assinada pelo experiente Daniel Drummond e marca uma estreia colorida na vida da Taro.

sábado, 28 de outubro de 2017

Para Todo Um - Neila Kadhí/ Fred Aquino

"Para Todo Um" é uma canção escrita em parceria por Neila Kadhí e Fred Aquino. Neila lembra que a composição surgiu há cerca de 8 anos quando recebeu a visita de Fred em momento oportuno. "Eu estava vivendo um momento de separação e ele também vivia uma situação particular nessa área da vida. Acabamos dialogando sobre relacionamentos amorosos, como às vezes os sujeitos envolvidos se encontram em momentos completamente diferentes, e levamos isso pra música", explica Neila. 
A parceria de Fred e Neila, que vem desde os tempos de escola, foi acionada para traduzir o que viviam naquele momento: "É uma canção sobre as afinidades, uma tentativa de entender o que leva a gente a se aproximar de alguém, bem como de entender que nessas relações a vontade de um nem sempre está de acordo com a vontade do outro", reflete Fred. 

A canção Para Todo Um foi gravada por Neila Kadhí em 2015. Logo após retornar de um período morando no exterior, ela voltou decidida a retomar as atividades musicais. Esse retorno foi marcado pelo envolvimento com o movimento musical Som das Binha - coletivo de mulheres musicistas que promovem repertório autoral  dentro circuito musical soteropolitano. "Eu cheguei no momento estruturante do Som das Binha e, busca algo interessante para apresentar, que reencontrei 'Para Todo Um'. Hoje ela é presença certa nas apresentações do grupo; é uma música que tem uma adesão bacana do público", conta Neila. 

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Samba é Sacerdócio - Gileno Félix/ Paulo Mutti


"Samba é Sacerdócio" é uma parceria do compositor Gileno Félix com o músico e produtor Paulo Mutti. A faixa acaba de ser lançada como o primeiro single do álbum solo da cantora baiana Aiace Félix e conta com a participação de Luiz Melodia, em um dos seus últimos registros. 
O samba teve nascimento há cerca de três anos atrás, quando Gileno - pai de Aiace, poeta e autor de sucessos  como "Me Abraça e Me Beija" - procurou por Paulo para uma primeira parceria: trazia no bolso da camisa versos a serem serem musicados. Animado com o convite, Paulo atendeu de pronto e desenhou samba nos versos em uma noite de trabalho. "Quando concluí pensei: 'nossa, isso ficaria lindo na voz de Luiz Melodia'. Eu ainda sequer o conhecia e percebi que tinha feito a música inspirado no cantar dele. Ele é pura classe e elegância na construção das suas frases melódicas", revela Mutti. 
E foi com esse lembrete que a canção foi apresentada a Aiace e acabou sendo escolhida para integrar o disco. “Achei linda e fiquei apaixonada pela música. Poucos meses depois eu e Paulo conhecemos Melodia por intermédio de meu pai e Ricardo Augusto, amigo em comum. Ele foi extremamente generoso e receptivo com a gente, com as músicas que mostramos. Fizemos o convite para que ele participasse e escolhemos gravar justamente a música composta para ele. Hoje é ainda mais forte escutá-lo cantando ‘eterno é o que não se sabe / o dia que chega ao fim”,  declarou a cantora ao portal Correio 24 horas. 
A faixa foi lançada com clipe em que Aiace e Luiz Melodia, no estúdio, interpretam em dueto os versos sobre o ofício do sambista, que é comparado a um jardineiro "que sabe plantar a flor / sabe as cores que ela tem/ pra fazer um samba bem do jeitinho do seu amor".

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Vida Me Chama Lá Fora - Duda Spínola/Marcos Guimarães

"A Vida Me Chama Lá Fora" é uma parceria de Duda Spínola e Marcos Guimarães. A canção foi escrita - provavelmente na estrada - quando os músicos ainda tocavam juntos na banda Adão Negro e acabou sendo a chave para que Duda abrisse as portas de sua carreira solo. "Estávamos gravando o álbum 'Mais Forte', que saiu em 2010, e no mesmo período resolvemos fazer um registro dessa composição meio que de brincadeira - já que ela entraria no disco do Adão. Foi nessa experiência que fiquei com vontade de gravar um álbum meu. O disco saiu em 2012 batizado com o nome da faixa e a gravação dela manteve a mesma pegada rock'n roll dessa primeira versão", explica Duda. 
Na mensagem direta de "A Vida Me Chama Lá Fora", os parceiros musicais refletem sobre o poder da palavra. "É uma inquietação que temos em comum. Muita gente confunde sinceridade com indelicadeza. A palavra é muito poderosa e o microfone acaba amplificando muito esse poder. As redes sociais também. Eu acho que devemos ser cuidadosos sempre, não 'pisar em ovos', mas usar esse poder para o bem.", reflete Duda.
A faixa ganhou também um videoclipe, em que Duda interpreta dois papéis: de um jovem executivo angustiado que resolve sair para curtir a noite soteropolitana e de si mesmo tocando na noite soteropolitana. A película é uma produção conjunta de Duda com o fotógrafo e videomaker Uanderson Brittes e Thyago Nascimento.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Um Prato de Comida - Alípio Argeu/ Bal Flores

"Um Prato de Comida" é uma parceria dos músicos Alípio Argeu e Bal Flores.  "Ela era só uma letra que com o tempo parecia que ia se perder. O pulo do gato para que viesse a ser gravada foi o encontro com Bal, guitarrista argentino. Ele foi o mentor da parte sonora dela, absorveu bem a letra. Sinto que foi como uma extensão de onde o meu horizonte musical não poderia chegar", explica Alípio. A faixa foi gravada e lançada em 2015 pela dupla, dando origem a parceria que hoje assinam como Alibal Conspiracy.  
Na letra de "Um Prato de Comida" Alípio trata do dilema da fome de maneira crua e realista. "É um misto de experiências pessoais (falta de grana) com inspirações diversas. Tem algo da ideia de Cícero de Roma de que já nascemos para morrer e também de um doc que assisti do Glauber Rocha, em que ele saía nas ruas perguntando as pessoas 'do que o povo brasileiro precisa'. Uma das respostas me marcou: 'é de um prato de feijão com arroz e carne seca", reflete Alípio.
A faixa apresenta também o exercício de liberdade artística defendido pela dupla: uma melodia cadenciada de rap é sobreposta por vozes que urram de dor e por guitarras saturadas de efeitos. O resultado é uma escuta preenchida por atmosfera sombria que confere densidade e urgência  à mensagem situação na letra.  A canção ganhou também videoclipe, em que os músicos aparecem em perfomance imersos em um cenário de abandono.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Chula - Shuris Salomão

Chula é uma composição de Shuris Salomão gravada pela banda Os Jonsóns no EP Fubenga Extra Vagante (2014). O músico conta que a canção teve como inspiração a sua cachorra Bella (in memorian) , companheira da família por 8 anos. "Ela era um ser de hábitos livres, muito cheia de si, com um comportamento muito incomum para cachorros", explica Shuris. 
Foi a partir desse comportamento inusitado da cachorra que o músico escreveu uma letra ambígua que reflete também sobre a liberdade nos relacionamentos humanos. "Versa sobre esse lance de sair de casa, de ser livre e a contraposição, o outro lado, de quem não quer deixar isso acontecer. Ela traz uma proposta do tipo 'ei, troque sua liberdade total por uma condicional comigo'", reflete o Shuris. 
Chula é presença certa nos shows da banda Os Jonsóns e, em sua acertada dose de ironia, é uma boa representante do espírito livre emanado pela música do grupo. 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Ifé - André Dias


Ifé é uma composição do guitarrista André Dias gravada pela banda baiana ExoEsqueleto. O músico conta que a inspiração surgiu quando o baterista do grupo, Renato Almeida, contou com alegria a boa nova de sua paternidade."Ele nos disse que seria menino e que se chamaria Ifé. Em iorubá Ifé é Amor e também uma cidade da Nigéria considerada o berço das religiões dos Orixás. Assim que fiquei sabendo do significado do nome escolhido, resolvi homenagear o pequeno", conta André.
Nos shows da ExoEsqueleto a música costuma ser dedicada à família do baterista. A letra discorre sobre as etapas do amor, aqui entendido como o fruto da união de corpos/almas. "No primeiro verso me refiro a esse amor que dá origem a criança, já no segundo sobre o amor que cuidará do pimpolho já nascido. O refrão é sobre o susto inicial que imagino que deva fazer parte da descoberta de uma gravidez", reflete o guitarrista.
(Foto: Ana Paula Bispo)

Musicalmente, Ifé é um bom exemplo da fusão consciente entre elementos do rock e da música afro-brasileira feita pela banda Exoesqueleto. A busca da ancestralidade é o elemento que une e move os músicos. "A proposta da banda sempre foi mergulhar nesse universo: seja nas letras, na mescla de ritmos ou na indumentária mesmo. A chegada do percussionista Heverton Didoné foi a cereja do bolo", resume André.
(Foto: Ana Paula Bispo)

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Aqui - Eric Assmar

"Aqui" é uma composição do guitarrista Eric Assmar, gravada no seu segundo álbum Morning (2016). O músico conta que ela foi escrita como uma espécie de resposta a outra canção de sua autoria. "Em o 'O Que Virá' - faixa que está no meu primeiro disco - parto de uma situação/relação ruindo pra falar de uma incerteza sobre o futuro em termos mais gerais. Já em 'Aqui' tentei revisitar essa situação/pensamento/sentimento de cinco anos atrás, olhar pra ele nesse outro tempo. Entram outras angústias, a sensação de que as coisas caminharam para outro lado", explica Eric. 
                                                                   
Mesmo depois de revelar um segredo do seu processo criativo - este diálogo entre as canções -,  o guitarrista prefere não fechá-lo em sentidos: "Tudo isso são visões minhas sobre as músicas. Não é uma coisa que tá muito notável ou explícita nas duas letras. Gosto também de deixar uma abertura interpretativa para que cada ouvinte faça a sua leitura individual", argumenta Eric. Musicalmente, "Aqui" apresenta a maestria de Eric em fazer a sua guitarra dialogar com o seu canto. O instrumento de cordas "bluesifica" a balada atribuindo densidade emocional à letra. 
                                                                          (Foto: Uanderson Brittes)
"Aqui" e "O Que Virá" são duas das canções em português já gravadas pelo Eric Assmar Trio. Nos discos elas convivem com outras escritas em inglês sem causar estranhamento nos ouvintes - dada a naturalidade com que o bluesman transita entre os idiomas.  "Trabalho em cima dos acordes e melodias e penso em como encaixar as palavras. Às vezes surgem palavras em inglês, outras em português. Vou seguindo essa intuição que a parte musical previamente me dá, mas sem uma intenção categórica de que seja em uma ou outra língua", explica o guitarrista. 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Odoyá - Agnaldo Mattos/Nilo Ramos

"Odoyá" é uma parceria musical de Agnaldo Mattos e Nilo Ramos gravada pela banda Mr. Bobby. "Tudo começou quando desejamos ir contra a maré da mesmice em que a maioria das músicas de pagode da época se encontrava. A ideia era produzir um álbum do gênero que ampliasse o repertório de assuntos do estilo. Estávamos com quase tudo pronto quando sentimos a necessidade de desenvolver mais um assunto. Só que a música não saía", explica Nilo, vocalista da Mr.Bobby. 
Naquele que foi estipulado como o último dia para conseguir a música que fecharia o disco, Nilo lembrou do amigo compositor Agnaldo. O vocalista confessa que sentiu vergonha na hora do pedido, por se tratar de uma canção de pagode e achar que o amigo tinha aversão ao estilo. "Eu quis saber o porquê da vergonha. Expliquei que só não gosto de muitas das letras do gênero, mas que seria legal fazer uma letra para o pagode, afinal, seria mais útil do que apenas criticar, como vejo muitos compositores fazerem com o funk, por exemplo", explica Agnaldo.  
(Nilo, Agnaldo Mattos e o percussionista Heverton Didoné)
Acertados os ponteiros, o laboratório musical iniciou os trabalhos. "Fomos amarrando as ideias. Eu pensei em um músico que ganha o pão através do batuque - era uma ideia que já habitava na minha mente. O 'toque' de guerreiro é na verdade o toque de trabalho sonoro dele", revela Agnaldo. Um dos versos ("que pra ter sangue bom é só ser sangue bom") Agnaldo já tinha escrito no mesmo dia, sem sequer saber da visita de Nilo. 
Depois de um período morando no Sul do país, Nilo retornou a Salvador e no reencontro com Agnaldo divulgou um registro em vídeo de Odoyá sendo cantada em dueto, só que dessa vez em ritmo de reggae. A força da canção prevalece em versos que dialogam diretamente com o linguajar das ruas soteropolitanas e referenciam a formação cultural de raízes africana e indígena.  

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

As Longas Passagens - Diego Fox


As Longas Passagens é uma composição de Diego Fox gravada pela banda Pagenianos no álbum "A Estrada de Seu Zé" (2006) . Diego lembra que ela é uma composição anterior ao disco, resgatada em meio ao ambiente de experimentação que caracterizou a produção da obra. "Foram horas de liberdade artística dentro do estúdio quebrando garrafas e gravando guitarras ao contrário - um grande laboratório para as loucuras de hoje. 'As Longas Passagens' veio a casar perfeitamente com a trilha sinuosa do disco ", declara o músico.
Os elementos experimentais do arranjo conferem à canção uma atmosfera épica, atribuindo o frescor que as descobertas do eu lírico pedem: "as longas passagens da vida/ jamais passaram por aqui/ eu sempre estive esperando/mas nunca vieram até mim/será que foi porque eu nunca me mexi/e ir, eu que devia, e não ela vir?". 
"Ela foi escrita na época dos meus primeiros empregos, dessas primeiras portas que as pessoas costumam dizer que são definitivas em nossas vidas. Algumas dessas eu deixei passar, outras se abriram, se revelaram em caminhos ou entradas. Hoje percebo que é uma questão de equilíbrio: eu quem devo ir, mas também quando menos esperamos as passagens podem surgir", reflete Diego. A banda Pangenianos atuou no circuito musical baiano durante a primeira década deste século, tendo lançado dois discos. Ao encerrar suas atividades, três dos integrantes se metamorfosearam para realizar o projeto musical Suinga que segue em atividade. 

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Bote Aê - Gabriel de Carvalho/Tangre Paranhos

"Bote Aê" é uma parceria dos músicos Gabriel Carvalho e Tangre Paranhos (in memorian) gravada pela banda Folha de Chá no álbum Aquela Mensagem (2006). O baterista Gabriel lembra que a canção foi escrita em 2005 a partir do espírito comunitário que caracteriza os ensaios de banda - momento em que os músicos sempre estão pedindo alguma coisa uns para os outros. "É uma canção que apesar de descontraída passa uma mensagem da realidade de milhões de brasileiros que vivem em dificuldades financeiras. Um recado que permanece bem atual, pois, desde que foi gravada, o quadro econômico, político e financeiro do país se agravou", reflete Gabriel. 
Quando "Bote Aê" foi lançada pela Folha de Chá a sua levada reggae do pelô conquistou boa execução nas rádios locais, fazendo com que se tornasse o grande sucesso da carreira da banda. Os autores chegaram a ser procurados pelo cantor Beto Jamaica para que autorizassem uma regravação com o grupo Chinelada. (A nossa equipe não conseguiu localizar esta versão, se você tem acesso a ela entre em contato conosco). "Bote Aê" também ganhou uma versão em espanhol da própria Folha de Chá - um incentivo pessoal de Francisco Horne, baixista do grupo, que é argentino.

Em dezembro de 2016, Tangre Paranhos, tecladista da Folha de Chá e parceiro de Gabriel em "Bote Aê", veio a falecer, deixando no grupo muitas saudades e canções. "Faz parte dos meus planos futuros gravar as outras músicas que fizemos em parceria. Muitas delas ainda se encontram inéditas", revela Gabriel. 




segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O Amanhã - Thiago Brandão

No single de hoje celebramos mais um lançamento exclusivo: "O Amanhã" é uma das faixas do disco "Perdido em Contos e Sonhos" que a banda Andaluz lança depois de hoje com show no Teatro SESI, em Salvador. O autor e vocalista do grupo Thiago Brandão conta do significado pessoal que a música ganhou em sua vida: "Não tenho carro, ando bastante na rua e lá eu sinto de perto a insegurança que se espalha pela cidade de Salvador. 'O Amanhã' saiu como um grito de socorro, me fez criar coragem para seguir enfrentando as esquinas", explica.
Além de amuleto pessoal, "O Amanhã" é também a realização de um antigo sonho musical de Thiago: convidar uma intérprete para um dueto em disco. A cantora escolhida para compartilhar das inseguranças narradas na letra foi Gabriela Ferreira. "A música traz dois personagens distantes que se encontram no refrão e ali eles se ajudam a vencer a escuridão das dúvidas. Fiquei muito feliz com a participação de Gabriela e já estou rascunhando novas canções para ela interpretar", revela Thiago.


No arranjo musical de "O Amanhã" destaque para o timbre reconfortante do Mellotron - teclado eletromecânico popularizado pelos Beatles na década de 60 do século XX através da gravação de "Strawberry Fields Forever". "O Mellotron foi um ponto de partida do arranjo e não seria gravado não fosse o conhecimento de Jorge Solovera com quem divido a produção musical do disco. Nos unimos em referências comuns, a ponto de ele tocar de tudo um pouco no álbum: guitarra, ukulele, violão, teclado e até percussão", revela Thiago. 

domingo, 24 de setembro de 2017

Só Se For com Você - Matheus Nasce


Só Se For Com Você é uma composição de Matheus Nasce. O músico conta que a ideia da canção surgiu enquanto assistia ao filme "Caramuru - A Invenção do Brasil", atendendo a lista de obras exigidas pela seleção do vestibular que iria prestar. "Tem uma cena em que Caramuru vira para Paraguaçu e diz: 'Eu quero te amar para sempre'. E ela de pronto responde: 'Eu não quero te amar para sempre não, eu quero te amar é agora'. Foi um primeiro momento que me chamou a atenção, mas ali eu deixei passar: o violão ficou só me olhando".

O filme seguiu e a índia Paraguaçu foi então a Portugal. Ao ser apresentada a expressão "corredor", ela a interpretou ao pé da letra e começou a correr no salão da corte. Mais uma passagem que despertou a antena do compositor: "Foi ali que eu parei o filme e comecei a escrever. Juntei as duas passagens e escrevi o primeiro verso, foi o ponto de partida da música", explica Matheus. 
Só Se For Com Você foi lançada como prévia do EP Brasil com Z, trabalho de estreia de Matheus Nasce. A faixa transita entre o reggae, o samba-reggae e o rock como atmosferas por onde passeia a interpretação romântica do cantor. Quanto ao vestibular, o filme não chegou a cair na prova, mas Matheus foi aprovado e hoje divide a carreira musical com a formação em Direito. 

sábado, 23 de setembro de 2017

Reggae da Independência - Jorge Alfredo/Chico Evangelista


O cortejo da festa do 2 de julho, realizado anualmente na cidade de Salvador,celebra a vitória da população baiana contra as tropas portuguesas que ocupavam a cidade em 1823. A data é considerada um marco na independência do Brasil, tendo reunido um exército de cidadãos comuns vindos de diversas cidades do Estado. 
A faixa aparece no único disco lançado pela dupla: Bahia Jamaica (1980) - uma pérola inaugural do reggae brasileiro.A letra recria a atmosfera viva e intensa da festa do 2 de julho, evocando a sua mística de contágio popular.




sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Modo Hard - Circo de Marvin

Modo Hard é uma canção de Bruno Souri gravada pela banda Circo de Marvin. O vocalista conta que escreveu a letra refletindo sobre como encarar as dificuldades da vida a partir da linguagem contemporânea dos games. "Os obstáculos não são o problema em si, eles são os desafios que devemos superar. Lembro que ela foi escrita justamente no dia em que a banda foi a uma casa de shows em Salvador pedir para abrir um evento e fomos menosprezados pelo gerente.Aquela recusa passou a fazer parte da nossa historia e está lá estampada nos primeiros versos da canção", explica Bruno.
Extrapolando a dimensão auditiva, Modo Hard ganhou clipe em que os músicos vivenciam novamente a cena de recusa - só que dessa vez diante de um gerente de gravadora. A película - dirigida por Glauco Neves - foi vencedora do Prêmio Caymmi 2017 na categoria videoclipe e teve sua linguagem visual toda inspirada no game Grand Theft Auto (GTA), fazendo uma reconstrução libertária dos artistas dentro da realidade virtual do jogo.
Modo Hard dá nome ao primeiro disco da banda Circo de Marvin que foi lançado em 2015. Na gravação da faixa destaque para o inventivo arranjo de vozes que emula a fala de personagens de videogames. "O curioso é que essas vozes surgiram antes mesmo da gente identificar que a relação com os games seria o tema da letra. Em nossas composições costumamos improvisar no estúdio em cima do instrumental. Quando alguma ideia interessante acontece a gente grava e daí é que partimos para elaborar a letra em cima", revela Bruno. 


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Debaixo de Chuva - Carlos Nery/Teago Oliveira

Debaixo de Chuva é uma parceria de Carlos Nery e Teago Oliveira gravada pela banda Maglore no disco Vamos Pra Rua. Nery lembra que a melodia inicial surgiu dentro do carro em Aparecida durante uma turnê da banda pelo interior paulista. "A letra desse trecho mantra foi surgindo aos poucos nos devaneios da vida em São Paulo, cidade da garoa", explica o ex-baixista da Maglore.  
A canção seria lembrada no retiro da banda no distrito de Jauá (Bahia), durante a pré-produção do disco Vamos Pra Rua - foi quando ganhou a segunda parte da letra. "Ela trata de uma situação comum de viagens da mente enquanto estamos distraídos em meio ao transporte público. No caso, tudo acontece na cabeça do eu lírico, ansioso a espera do trem", explica Teago. 
Uma curiosidade é que a casa de Jauá onde "Debaixo de Chuva" foi finalizada hoje encontra-se disponível para o ensaio/gravação de outras bandas através da plataforma Airbnb