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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Fica com a Razão - Daniel Ayres


“Fica com a Razão” é uma canção de Daniel Ayres que nasceu debaixo do chuveiro. O cantor se banhava quando desenvolveu uma resposta melódica e bem humorada à discussão corriqueira que acabara de ter com a esposa. Na faixa, gravada no seu disco Falantes (2016), Daniel desencana de ter razão, oferecendo uma crítica aos limites da racionalidade humana. 





“A razão é um perigo, pois você acha que está bem situado e protegido, quando na verdade muitas vezes está super confuso e emotivo; usa a razão pra tentar esconder isso, fugir disso”, reflete o cantor. 

Profunda conhecedora dos hábitos argumentativos de Daniel, a sua sogra (argentina) contestou a canção logo na primeira audição. Virou para a filha e sentenciou: no le creo. “Eu pessoalmente canto ela muito pra mim mesmo, porque na verdade tenho dificuldades de largar a razão, sou uma pessoa muito racional e que gosta de polêmicas”, assume Daniel. 

Essa não é a primeira vez que o integrante do grupo infantil Badulaque trata da razão na forma de música. Ela é abordada também em “Desvenda-se”, gravada em seu primeiro disco solo lançado em 2005. Seriam esses frutos de um observador vigilante da realidade? “Algumas músicas vêm assim de repente, meio prontas e do nada. É uma questão de levar a sério, porque às vezes a tendência é ignorar as ideias que não foram programadas”, explica Daniel.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Lema - Carlos Rennó/Lokua Kanza


“Lema” (letra) é uma canção com letra de Carlos Rennó e música do congolês Lokua Kanza – parceiros que consolidaram a afinidade musical em 2005 com o lançamento do disco “Hoje” de Gal Costa, em que assinam três composições. Foi da escuta das interpretações de Gal, que Lema, a quarta parceria, nasceu: o cantor Ney Matogrosso ligou pessoalmente para Rennó pedindo uma música inédita da dupla.



“Acabei então por escrever esta letra que homenageia o Ney, naquilo que eu vejo nele e que coincide com aquilo que penso sobre o processo de envelhecimento. O Ney é um espírito jovem que inspira todos nós por envelhecer de uma forma sã, mantendo uma vitalidade, uma poesia, uma alegria de viver”, explica Carlos Rennó. Como fiel seguidor do “Lema”, Ney gravaria a canção, em 2008, no show Inclassificáveis, com performance marcante liderando uma banda de rock no alto dos seus 67 anos.



Os segredos do bom envelhecer feitos de oração na letra de Rennó podem também ser encontrados na sua prática diária, ao encarar a saúde como filosofia de vida. Ele é praticante de yoga há 18 anos e mantém uma dieta macrobiótica há 19. Como diz um dos versos, não costuma “lamentar a mudança que o tempo traz”: “Embora respeite, não me agradam as tentativas de mascarar as mudanças trazidas ao corpo pelo envelhecimento. Se envelhecer é tornar-se feio, então enfeiar-se é que na verdade é o que há de mais bonito”, reflete Rennó.

A pista da sabedoria o poeta deixa nas entrelinhas: eis uma canção sobre o envelhecimento, mas que não esquece de saudar a meninice em cada um de nós. “O maravilhamento que existe quando estamos conhecendo as coisas pela primeira vez, de fato se dá mais quando somos novos, mas nunca deixamos de sentir. Enquanto estivermos vivos estaremos aprendendo, sempre continuaremos meninos diante dos fatos novos que a vida traz”, explica o poeta e letrista.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Amar é - ZecaCuryDamm

*Texto de Ricardo Cury, escritor, baterista e contador de causos do rock baiano

Era primavera de 2005. Eu e Damm tínhamos gravado um disco de música dos outros pra deixar nos bares. Todas as músicas no cajon, voz e violão. Jeff Buckley, Tears for Fears, Beatles, Sade, Secos e Molhados... Empolgado com a sonoridade, Damm sugeriu que voltássemos pro estúdio, porém com músicas próprias, e gravássemos um disco novo. No processo de composição, ele chegava lá em casa com a melodia e a ideia pra eu encaixar outras palavras. 

- Tô com essa ideia aqui “Se pego uma canção e faço dela a minha vida” – disse ele, entre o sol e o dó no violão. 

- Tiro o pé do chão e faço disso minha ida pro seu coração... 

E num jogo de frases em menos de 10 minutos a ingênua letra estava pronta. 

Era fácil compor com Damm, pois qualquer palavra sugerida, ele dava um jeito de colocar na melodia sem ficar forçado.

A ideia desse disco era gravar só com instrumentos desligados, usando só microfones para a captação, daí usamos as madeiras cajon, violão e baixolão, além de diversos instrumentos percussivos para preencher o ritmo ditado pelas madeiras. 

Na tarde que gravamos essa música, recebemos a visita de Glauber Guimarães, ex-Dead Billies, que, ao ouvi-la sugeriu colocar uma gaita. 

–  Posso levar pra casa e voltar amanhã? 

– Pode. 

Voltou com o arranjo e com a ideia pra um “oh yeah” que fica sendo dito diversas vezes, bem baixinho no fim da música, enquanto vozes da gente e de nossas companheiras vão falando por conta própria o que amar é. 


Comigo já fora da banda, em 2007, Damm conta que foi contatado por alguém da banda Jammil, querendo iniciar uma conversa para produzir a banda. Depois de algumas reuniões onde ele foi perguntado sobre o conceito estético e musical, falaram em um futuro com disco novo, shows e sugeriram que numa suposta regravação dessa música, poderiam convidar o cantor Bruno Gouveia do Biquini Cavadão, amigo deles, para participar dela. 

- Só que de repente eles pararam de atender nossas ligações e pouco tempo depois surge Jammil com uma música toda flower chamada Amar é, com um clip idem... e com o cara do Biquini Cavadão.

Em 2012, a agencia de propaganda do Shopping Barra nos contatou pedindo para usar a música como tema da campanha de Dia dos Namorados daquele ano. 

Quando lançamos o disco, em 2006, também recebemos um convite parecido, porém para a música “Eu e você no jardim”. Torci para que a coisa não se concretizasse e deu certo. Eu botava fé no rock e quando uma música vira jingle ela deixa de ser uma música para se transformar apenas em um... jingle. 

– Se rolar mesmo, nunca mais poderemos toca-la ¬– disse eu. 

Mas agora era 2012, tudo já tinha se dissolvido e algum a mais na conta bancaria é sempre uma conta a mais paga.


                            Feliz Dia dos Namorados!

domingo, 11 de junho de 2017

Doçura - Ana Luísa Barral


Doçura é uma música da cantora Ana Luísa Barral que registra as suas memórias de um relacionamento amoroso que durou dois anos. A faísca da criação brilhou logo quando ela se percebeu enamorada. “Eu olhava pra ele durante longas tardes me perguntando como tinha conseguido me cativar tão rápido. Daí eu entendi que tinha sido a doçura dele”, confessa Ana Luísa. 


A beleza colhida se tornou melodia suave, ganhou arranjo poético e se espalha aos quatro cantos: Doçura dá nome ao primeiro disco da cantora lançado na última semana. “Quando canto hoje sinto muito amor. É uma força gigante, por isso ela dá nome ao álbum, porque gostaria de chegasse nas pessoas dessa forma gentil, doce”

                                                                                                                                     Foto: Nti Uirá
Lançada como prévia do álbum, a faixa ganhou clipe dirigido por Ana Luísa em parceria com Flora Rodrigues. A película amplia o baú de memórias da autora revisitando o Centro de Salvador através dos pontos de encontro do casal. Os cenários ganham contornos oníricos na perfomance das atrizes que entoam a canção doce de Ana Luísa.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Primavera - ZecaCuryDamm

*Texto de Ricardo Cury, escritor, baterista e contador de causos do rock baiano.


Era primavera de 2005. Eu e Damm tínhamos gravado um disco de música dos outros pra deixar nos bares. Todas as músicas no cajon, voz e violão. Jeff Buckley, Tears for Fears, Beatles, Sade, Secos e Molhados... Empolgado com a sonoridade, Damm sugeriu que voltássemos pro estúdio porém com músicas próprias e gravássemos um disco novo. No processo de composição, ele chegava lá em casa com a melodia e a ideia pra eu encaixar outras palavras. 

- Ouça essa aqui, acordei com ela na cabeça e gravei no celular – disse ele, assim que chegou, me mostrando um áudio ruim (smatphones ainda engatinhavam), mas com uma melodia tão bonita que conseguia se sobrepor ao chiado.





Passamos o dia todo construindo as partes, combinando o que poderia repetir, quantas vezes "la la lin lin lon lon lon lon" seria cantada, quando entraria os "pa ra ra pa pa" Beach Boys que estávamos ouvindo incessantemente... No fim da tarde, achando que já estava pronta, nos despedimos já marcando com Tadeu Mascarenhas a gravação pro dia seguinte.



Damm foi embora, mas a melodia continuou em minha cabeça e do nada alguns versos surgiram preenchendo o que inicialmente seriam só os "pa ra ra pa pa" Beach Boys: "já é primavera escolha a sua flor, pode ser de qualquer cor."


Mandei pra ele via SMS. Ele imediatamente ligou de volta:


– Isso é pra cantar na parte do "pa ra ra pa pa", né?



– Exatamente – respondi.



No dia seguinte, gravamos a música e tivemos a ideia de chamar um coral de crianças para cantar nela, tanto o "lala lin lin lin" quanto esse trecho novo. Entregamos a gravação ao regente Pedro Ivo, que cuidava de um coral infantil de uma ONG chamada Os Camaradinhas. Ele pediu uma semana para ensaiar e no dia marcado fomos buscar ele e as crianças para leva-las pra gravar. 


– Elisa também quer cantar – disse Tadeu, quando chegamos no estúdio. Ela tinha na época cinco anos e durante a semana toda ficou ouvindo a música no estúdio do pai. Dia desses eu fui lá conversar com Tadeu e ele me mostrou um papel onde tinha escrito "já é primavera escolha sua flor, pode ser de qualquer cor...". 

– Isso foi a primeira coisa que Elisa escreveu quando aprendeu a escrever – disse ele.

– Me dê pra eu emoldurar – pedi.

Era a primeira vez deles em um estúdio e estavam todos arrumados como se estivessem indo para alguma festa. Lidianne, Aline, Jamile, Patrícia e Paulo Cezar. Elas maquiadas, com penteados; ele cheiroso, com uma roupa nova. Tinham entre 10 e 12 anos. Ele ganhou uma bola de cachê e elas uma agenda com várias canetas coloridas. Era a Primavera (letra).

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Conversa de Botas Batidas - Los Hermanos


O single de hoje é Conversa de Botas Batidas, gravada pela banda Los Hermanos no disco Ventura (2003). A canção foi escrita pelo guitarrista Marcelo Camelo  a partir de uma notícia de jornal: no dia 25 de setembro de 2002, um prédio desabou no Rio de Janeiro deixando duas vítimas fatais.

Nos escombros do Hotel Vila do Rosário foram encontrados dois corpos: ela, uma bancária de 47 anos e ele, um professor de 71 anos. À época o porteiro do Hotel declarou que interfonou e chegou a ir ao quarto do casal, mas como não obteve resposta saiu. O acidente trouxe à tona um romance proibido.


 Em entrevista à imprensa, Marcelo Camelo já declarou que a canção foi pensada “como se fosse uma conversa do casal antes de o prédio desabar.” Além da canção de Marcelo Camelo, o acidente do hotel no Rio de Janeiro inspirou também a artista plástica Adriana Varejão com a escultura Linda do Rosário (2004) que se encontra exposta no Instituto Inhotim.




“– Veja você, quando é que tudo foi desabar a gente corre pra se esconder…
– E se amar, se amar até o fim, sem saber que o fim já vai chegar” 
(Conversa de Botas Batidas - Marcelo Camelo) 



sexta-feira, 2 de junho de 2017

Circo - Ronei Jorge


O nosso single de hoje é “Circo”, canção de autoria de Ronei Jorge. Em uma tarde da década de 90, o cantor e compositor se encontrava sentado no sofá assistindo ao programa de Sílvia Popovic. O tema daquela edição lhe chamou a atenção: O que fez você sair de casa? “Foi quando uma menina começou a contar que ela saiu porque um circo passou na frente dela e ela se apaixonou por alguém do circo. Eu nem ouvi o resto, já corri pra escrever”, explica Ronei.


“Casa verde, portão aberto/ Vejo à frente o deserto/ Até o circo chegar/
Pai, mãe, eu vou partir/Tem um circo em frente a casa”

A primeira gravação de “Circo” está no disco de estreia da banda Penélope, "Mi Casa, Su Casa”, lançado em 2000. Com arranjo de flauta e o canto doce de Érika Martins, a versão remete ao universo lúdico dos picadeiros. “A Penélope ainda não tinha músicas em português e eu já conhecia a Érika. Ela me pediu que escrevesse algumas músicas pra banda. Como eu já tinha Circo, que o eu lírico é feminino, foi a primeira que passei pra banda”, conta Ronei.

 Anos depois Ronei interpretaria a canção no disco Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta (2006)  em arranjo bem distinto da Penélope com introdução marcante de baixo e guitarra. A música, que era presença certa nas apresentações do grupo, renderia ainda um clipe produzido por estudantes de jornalismo da Universidade Federal da Bahia.


segunda-feira, 6 de junho de 2016

6 de junho - Walk - Foo Fighters


No dia 6 de junho de 2011 a banda americana Foo Fighters lançava para download o single Walk,  segundo single do álbum Wasting Light.  A canção escrita por Dave Grohl  em um mês alcançou o topo da lista de canções de rock da Billboard. Segundo o próprio compositor a faixa teve como inspiração o processo de aprendizagem de natação da sua filha Violet Maye, momento em que pode contemplá-la aprendendo a seguir o seu próprio caminho. A faixa havia sido lançada anteriormente como clipe com direção de Sam Jones e ganhou o prêmio de melhor vídeo de rock no MTV Music Awards de 2011.