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sábado, 9 de dezembro de 2017

Arranca-Rabo - Pedro Dum

Arranca-Rabo é uma canção autobiográfica de Pedro Dum gravada junto a banda Encomenda. Em sua levada balançada de funk-rock, a faixa amplia um tema quase que universal: os pequenos desentendimentos de rotina que se tornam uma tempestade nos relacionamentos em crise. "Ela surgiu a partir de uma batida do violão de João Bosco, ainda nos tempos pré-internet: ouvindo e tentando reproduzir no instrumento. Até a ideia dela de soar uma crônica musical veio dele. Ela me permitiu realizar em música o estado de catarse", explica Pedro. 
A composição foi apresentada à banda pela primeira vez em estúdio, inclusive com a presença da destinatária. O curioso foi que a moça gostou da música de primeira, a ponto de perguntar a Pedro sobre a autoria. Ele tergiversou e deu os créditos ao percussionista. "Eu já me sentia ali chegando com elementos novos e ecléticos, com uma canção que não tinha o apelo rock'n roll - que era a linguagem mais fluente do grupo e ainda mais essa", sorri Pedro.   
Em 2011, Arranca-Rabo foi escolhida a melhor canção da edição do Festival de Música da Educadora. O grupo inicialmente havia eleito Solar para a disputa, mas pela insistência da banda e do produtor Irmão Carlos gravaram e inscreveram também Arranca-Rabo. "Ele viu que no ano passado a gente tinha disputado com uma música finalista, e então resolveu apostar. Ele dizia:'a gente divide, bota aí pra pagar a perder de vista, mas tem que gravar'", conta Pedro.  Pois deu certo: a irônica letra de Arranca-Rabo ganhou o arranjo inventivo da Encomenda e conquistou a empatia musical dos júris.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A Seu Respeito - Lucas Chutes

A Seu Respeito é uma canção de Lucas Chutes lançada ontem (28) como segundo single de sua carreira solo. O cantor lembra de tê-la escrito a partir da observação de reações comuns ao contato interpressoal. "Há uma fase de luto em todo contato.E a música tenta ser útil ('sei que é uma intenção bem romântica') no processo de fazer o ouvinte perceber que seu sofrimento é sempre seu, imensurável", reflete Lucas. 

Em seu formato cadenciado, A Seu Respeito é uma canção que convida a uma experiência. "As notas iniciais e a letra que acompanharam apareceram juntas. Daí ele foi se desenhando a partir dos arranjos", explica Lucas. A faixa contou com a produção de Augusto Pereira e Bruno Philippse que contribuíram para o alquímico resultado sonoro. A Seu Respeito foi lançada também como clipe sob a direção e realização de Dhara Luna e Emanuelle Farezin. 

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O Silêncio - Ayam Ubrais Barco

"O Silêncio" é uma canção de Ayam Ubrais que nasceu primeiro como poema que está no seu livro O Caos Agradecido. "Ela foi escrita a partir da minha investigação em sonhos. Eu regressava a uma aldeia indígena dentro de mim e me encontrava lá. Encontrava o silêncio necessário para ouvir meu coração pela primeira vez", revela o cantor. 

Foi depois de contar essa história para os amigos que Ayam colheu mais um insight onírico: sonhou com a melodia. "Eu acordei e ainda pelejei por uns dias pra decifrar como libertar o poema em música", explica. Essa não foi a primeira vez que ele produziu arte a partir das suas investigações do inconsciente. Outras canções e também poemas, pinturas e até relacionamentos vividos partiram dos sonhos. "Eles são o terreno da espiritualidade pra mim. São xamanisticamente concebidos com os 'pés no chão'. Não entendo essas coisas governadas desde a estratosfera ou algum reino invisível", explica Ayam. 


Como música "O Silêncio" saiu no disco ¡Partir O Mar Em Banda! (2016) e também ganhou dimensão audiovisual em clipe dirigido pela dupla Edson Bastos e Henrique Filho. A película amplia o simbolismo da letra e traz como locação um dos maiores depósitos de cacau da região de Ipiaú, na Bahia. Durante as filmagens a equipe chegou a receber visita da polícia e um cesto com aperitivos ofertado por um vizinho.


terça-feira, 21 de novembro de 2017

Se Vestir Despindo - Fábio Haendel

Se Vestir Despindo é uma música do cantador Fábio Haendel. Ele lembra que a composição nasceu no verão de 2008, logo depois de assistir a um documentário sobre moda. "Quando você se veste você se revela: seus gostos, idéias e ideais. Eu quis tratar em música sobre essas diferentes peles que possuímos", explica o compositor. 
A música ganhou sua primeira gravação em arranjo para voz e violão naquele mesmo ano com o lançamento de Dono do Tempo - primeiro trabalho de Fábio. Em 2015, Se Vestir Despindo ganharia uma nova versão com banda para o álbum Nuvens. Neste arranjo definitivo destaque para o piano honky tonk de Estevam Dantas que acompanha a melodia vocal conferindo-lhe o devido tom de liberdade.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Baile de Máscaras - Damm


"Baile de Máscaras" é uma canção de Damm escrita depois de participar da festa de 20 anos da MTV Brasileira. Tudo muito bom, tudo muito bem, só gente bacana reunida e o cantor acabou vivenciando uma experiência em que viu cair o disfarce do mainstream musical brasileiro: um cantor de grande renome do cenário, no auge de sua carreira, batendo boca na festa por nada. "Ela é uma mistura de situações que presenciei nessa festa e de uma reflexão pessoal que fiz a respeito de como a gente enquanto artista fica tentando se formatar para entrar no sistema. Ela fala dessa minha desistência em obter este tipo de reconhecimento. E acaba que antecipa também um pouco do momento que vivo hoje na música, atuando como songwritter, produtor, arranjador", explica Damm. 
                                                                  Festa de 20 anos da MTV Brasil 
"Baile de Máscaras" foi gravada no primeiro álbum solo de Damm que seria lançado pelo selo Som Livre Apresenta, mas que, por conta de uma redução de custos da gravadora, acabou sendo lançado de modo independente. A faixa foi produzida pelo premiado Alberto Vaz e se encaixa no conceito intimista do disco, em que Damm se reinventa artisticamente cantando temas reflexivos depois de sua passagem pelas bandas ZecaCuryDamm e Formidável Família Musical.
Depois de lançar o disco percorrendo o circuito musical independente do interior paulistano, Damm passou três anos no Rio de Janeiro trabalhando no estúdio do tecladista Carlos Trilha (ex-Legião Urbana). De lá acumulou experiência de produção musical para seguir para Londres onde já trama os próximos passos de mais um trabalho solo - ainda não sabe se cantando em inglês ou português.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Perfeição - Legião Urbana

Perfeição é uma canção da Legião Urbana gravada no disco O Descobrimento do Brasil (1993). Mesmo em seu formato inusitado – ausência de refrão e letra longa - ela foi escolhida como música de trabalho para promover o álbum. Em seu livro de memórias o guitarrista Dado Villa-Lobos relata que “Perfeição” foi escrita por Renato como uma espécie de manifesto político sobre os anos 1990. “A ideia era que o arranjo ficasse entre o rock e o rap, e que o Renato mais declamasse os versos do que propriamente cantasse”, escreve Dado.
Os versos faziam referência direta à grande decepção vivida pela sociedade brasileira com o governo Collor. Depois de ir às ruas exigir o fim da ditadura militar, em 1984, a população acabava de se decepcionar pela segunda vez na recém-conquistada democracia. Primeiro com José Sarney que saiu do cargo presidencial sem governabilidade, depois com Collor que renunciou antes de ter o mandato cassado por um processo de impeachment.
Ao final da canção a banda abre uma nova página no arranjo para cantar a esperança – ou o que poderia ter sobrado dela naquele momento: “Venha, meu coração está com pressa/ Quando a esperança está dispersa/ Só a verdade me liberta/ Chega de maldade e ilusão/ Venha, o amor tem sempre a porta aberta/ E vem chegando a primavera/ Nosso futuro recomeça:/ Venha, que o que vem é perfeição.”
“O nosso objetivo era mostrar que, longe dos noticiários, existia um Brasil genuíno, autêntico, composto de pessoas simples e honestas que tocavam a sua vida mesclando esforço, coragem e amor. Essa nossa perspectiva, um tanto romântica, buscou retratar um pouco o cotidiano desses brasileiros anônimos”, escreve Dado.
No estúdio, enquanto a faixa era mixada, a equipe técnica considerou que ela se parecia com “O Bêbado e o Equilibrista” - parceria de Aldir Blanc e João Bosco que se tornou um clássico da música popular brasileira. Mesmo sem concordar com as semelhanças, mas já se precavendo de possíveis acusações de plágio, o grupo resolveu creditar a música também a Aldir Blanc e João Bosco.“Perfeição” também ganhou um videoclipe dirigido pelo fótografo Flávio Colker. Na película os integrantes da banda aparecem em uma fazenda próximo a Niterói em um passeio bucólico.


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Sons - Taro

Sons é uma composição da banda Taro com letra de Gabriel Tupy O guitarrista do grupo lembra que o nascimento da canção foi para ele uma experiência libertadora. "Estava em casa tocando a música e, viajando com a melodia, percebi que as notas e os sons emitidos pareciam transcender a matéria - quase como o divino. Foi aí que escrevi me colocando no lugar dos sons e isso me fez me sentir muito maior do que esperava", reflete Gabriel.
Sons é o primeiro single da banda que é formada por jovens conquistenses - o mais moço deles tem 17 anos. A faixa, lançada na semana passada, leva adiante a experiência terapêutica vivida por Gabriel e convida o ouvinte a mergulhar em uma atmosfera rica em texturas, dialogando com a linguagem em voga de ícones do rock psicodélico/experimental. A produção é assinada pelo experiente Daniel Drummond e marca uma estreia colorida na vida da Taro.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Vida Me Chama Lá Fora - Duda Spínola/Marcos Guimarães

"A Vida Me Chama Lá Fora" é uma parceria de Duda Spínola e Marcos Guimarães. A canção foi escrita - provavelmente na estrada - quando os músicos ainda tocavam juntos na banda Adão Negro e acabou sendo a chave para que Duda abrisse as portas de sua carreira solo. "Estávamos gravando o álbum 'Mais Forte', que saiu em 2010, e no mesmo período resolvemos fazer um registro dessa composição meio que de brincadeira - já que ela entraria no disco do Adão. Foi nessa experiência que fiquei com vontade de gravar um álbum meu. O disco saiu em 2012 batizado com o nome da faixa e a gravação dela manteve a mesma pegada rock'n roll dessa primeira versão", explica Duda. 
Na mensagem direta de "A Vida Me Chama Lá Fora", os parceiros musicais refletem sobre o poder da palavra. "É uma inquietação que temos em comum. Muita gente confunde sinceridade com indelicadeza. A palavra é muito poderosa e o microfone acaba amplificando muito esse poder. As redes sociais também. Eu acho que devemos ser cuidadosos sempre, não 'pisar em ovos', mas usar esse poder para o bem.", reflete Duda.
A faixa ganhou também um videoclipe, em que Duda interpreta dois papéis: de um jovem executivo angustiado que resolve sair para curtir a noite soteropolitana e de si mesmo tocando na noite soteropolitana. A película é uma produção conjunta de Duda com o fotógrafo e videomaker Uanderson Brittes e Thyago Nascimento.

domingo, 22 de outubro de 2017

Apartamento 101 - Tertúlia Nalua

Apartamento 101 é uma canção escrita coletivamente pela banda Tertúlia na Lua. Ela surgiu antes mesmo da banda começar a ensaiar na referida morada de Cristhian, vocalista do grupo. "Na letra fiz uma uma reflexão sobre o próprio eu: 'onde encontrar?, como encontrar?'. Nos perguntamos se as pessoas fazem essas perguntas, até que ponto realizar o sonho é tão importante? O que nos motiva mesmo é a música, nossa necessidade diária de som e a interiorização que surge como resposta do nosso 'melhor Ser'", reflete Cristhian.
Tertúlia Nalua ( Thierry Sacramento, Christian Caffi e Jones Sacramento) posando no apartamento 101

A faixa é o primeiro single e a última faixa do próximo trabalho do grupo com previsão de lançamento para este mês de outubro. Na gravação destaque para a liberdade artística ofertada pela Tertúlia Nalua: frases melódicas de uma guitarra devidamente timbrada passeiam por toda a canção. O arranjo é marcado de interlúdios instrumentais, que fazem com que o Apartamento 101 se assemelhe a um recanto de muitas portas que podem levar o ouvinte a lugares diversos.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Chula - Shuris Salomão

Chula é uma composição de Shuris Salomão gravada pela banda Os Jonsóns no EP Fubenga Extra Vagante (2014). O músico conta que a canção teve como inspiração a sua cachorra Bella (in memorian) , companheira da família por 8 anos. "Ela era um ser de hábitos livres, muito cheia de si, com um comportamento muito incomum para cachorros", explica Shuris. 
Foi a partir desse comportamento inusitado da cachorra que o músico escreveu uma letra ambígua que reflete também sobre a liberdade nos relacionamentos humanos. "Versa sobre esse lance de sair de casa, de ser livre e a contraposição, o outro lado, de quem não quer deixar isso acontecer. Ela traz uma proposta do tipo 'ei, troque sua liberdade total por uma condicional comigo'", reflete o Shuris. 
Chula é presença certa nos shows da banda Os Jonsóns e, em sua acertada dose de ironia, é uma boa representante do espírito livre emanado pela música do grupo. 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Seu Amor (Xote em G Maior) - Victor de Almeida

Seu Amor (Xote em G Maior) é uma composição do músico Victor Almeida gravada pela banda Santos & Reis. Victor conta que ela foi inspirada nos ambientes de festa que vivenciou. "Ela retrata essa dinâmica das festas que vem desde Gonzagão fazendo forró num terreiro e hoje vai desembocar na megaestrutura de um show do Wesley Safadão. Ali está a mesma dinâmica: pessoas que saem de casa e a partir daquele encontro podem mudar o rumo de suas vidas", reflete Victor. 
A percepção sobre o habitat da folia transformou-se em canção e ganhou letra que reflete a experiência pessoal de Victor. "Dessas festas saem namoros, casamentos. Foi no meio dessa multidão que magicamente encontrei a minha namorada.Se eu tivesse ficado em casa naquele dia não teria conhecido ela, não teria vivido tudo isso que vivi. No meio dessa piração toda essa história fez mais sentido.", explica o cantor. 
"Seu Amor" foi lançada pela Santos & Reis no último dia 13, como um dos singles do primeiro EP a ser lançado pelo grupo. Musicalmente ela apresenta o encontro musical entre o rock e o xote feito pela banda de Itapetinga. 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Ifé - André Dias


Ifé é uma composição do guitarrista André Dias gravada pela banda baiana ExoEsqueleto. O músico conta que a inspiração surgiu quando o baterista do grupo, Renato Almeida, contou com alegria a boa nova de sua paternidade."Ele nos disse que seria menino e que se chamaria Ifé. Em iorubá Ifé é Amor e também uma cidade da Nigéria considerada o berço das religiões dos Orixás. Assim que fiquei sabendo do significado do nome escolhido, resolvi homenagear o pequeno", conta André.
Nos shows da ExoEsqueleto a música costuma ser dedicada à família do baterista. A letra discorre sobre as etapas do amor, aqui entendido como o fruto da união de corpos/almas. "No primeiro verso me refiro a esse amor que dá origem a criança, já no segundo sobre o amor que cuidará do pimpolho já nascido. O refrão é sobre o susto inicial que imagino que deva fazer parte da descoberta de uma gravidez", reflete o guitarrista.
(Foto: Ana Paula Bispo)

Musicalmente, Ifé é um bom exemplo da fusão consciente entre elementos do rock e da música afro-brasileira feita pela banda Exoesqueleto. A busca da ancestralidade é o elemento que une e move os músicos. "A proposta da banda sempre foi mergulhar nesse universo: seja nas letras, na mescla de ritmos ou na indumentária mesmo. A chegada do percussionista Heverton Didoné foi a cereja do bolo", resume André.
(Foto: Ana Paula Bispo)

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Retirante Juvenil - Dan Borges

"Retirante Juvenil" é uma canção do músico Dan Borges que foi gravada pela banda Os Infames no disco Uma Ideia ou Outra (2011). O autor conta que a composição teve como inspiração o fascínio que as metrópoles provocam nos habitantes do Brasil rural. "Eu passei boa parte da minha adolescência no interior e sempre via o pessoal da minha idade querendo vir pra cidade grande. Eles achavam a vida no interior monótona, diziam que nada acontecia por lá. No caso das mulheres a vida ali aparentava ser ainda mais determinante: tudo parecia se resumir a casar e ser dona de casa", reflete Dan.

Foi a partir dessas reflexões que o músico criou a história de Luce, a protagonista da canção Retirante Juvenil. A letra narra a trajetória de uma adolescente que, inconformada em seguir o destino de vida previsível de sua comunidade, tenta a todo custo sair dali. A faixa ganhou um videoclipe que ilustra as tentativas de fuga da garota fascinada pela metrópole e possibilitou a Dan Borges um reencontro com suas origens em Conceição do Almeida, na Bahia. "Minha família quase toda é de lá, e foi exatamente ali, naquela região, onde eu tive a ideia de escrever a música. Então, nada mais justo do que gravar o clipe por lá", explica Dan. 
Retirante Juvenil é presença certa nos shows da banda Os Infames. Ela é a música do grupo que mais toca nas rádios e também a mais pedida do público nas apresentações. "Acho que é uma grande conquista para uma composição de mais de quatro minutos de duração e sem refrão!", brinca Dan. 

domingo, 8 de outubro de 2017

Tudo Acaba no Carnaval - João Paulo/Fagnes Maranhão


Hoje a banda alagoana Mopho se apresenta pela primeira vez em Salvador. Aproveitando a passagem do grupo pela programação do Festival Radioca, batemos um papo com o guitarrista João Paulo sobre a música "Tudo Acaba no Carnaval" que foi gravada no álbum Brejo (2017). 
                  (Fagnes Maranhão e João Paulo, parceiros em Tudo Acaba no Carnaval)
João conta que a canção surgiu há seis anos a partir do amigo Fagnes Maranhão, que não é músico, mas depois de escrever uma versos resolveu procurá-lo para uma possível parceria. "Ele me apresentou ela de uma forma bem rústica. Achei bonita a forma como ele colocou as palavras, acabei harmonizando e desenvolvendo o restante da letra", explica João.
A parceria aborda um relacionamento que se desfaz em meio ao universo das relações efêmeras que costumam se desenvolver nos Carnavais. "São aqueles grandes amores que duram quatro dias. Fica como uma ficção da minha parte, porque sempre tive relacionamentos longos. Ela é uma canção de amor para os corações partidos, bem direta: sem metáforas, sem rodeios", reflete o músico.
Por conta deste potencial comunicativo a faixa se destaca dentro do novo álbum da banda Mopho. "Tudo Acaba no Carnaval" traz um encontro de influências musicais da Jovem Guarda com fraseados etéreos de guitarra que remetem a linguagem de George Harrison. O resultado é mais uma pérola de originalidade que marcam a música rock feita pela banda Mopho. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A Peleja do Diabo com A Flor - Neto Lobo


"A Peleja do Diabo com a Flor" é uma canção de Neto Lobo. O músico conta que ela teve como inspiração a infância vivida na cidade de Senhor do Bonfim - recanto do sertão baiano repleto de personagens míticos. "É uma canção sobre essa eterna luta do bem contra o mal. Na roça vivi a observar a labuta dos trabalhadores sertanejos, as injustiças,desigualdades e crueldades que enfrentavam", explica Neto Lobo. 
A faixa foi gravada no primeiro disco de Neto Lobo  e a Cacimba lançado em 2012 sob produção de André T.. Depois de percorrer o circuito rocker de Salvador, a faixa foi ser trabalhada no Rio de Janeiro, cidade em que a banda passou uma temporada. . "Resolvemos ir lá mostrar o nosso rock de tabaréu. Moramos no Rio cerca de 8 meses, fizemos várias apresentações no interior e na capital", conta o cantor. Provavelmente foi através desses shows que o disco da banda, não se sabe ainda como, foi parar na Rede Globo e "A Peleja do Diabo com A Flor" entrou na trilha sonora da novela Malhação Conectados.  
A boa aceitação da música rendeu ainda mais shows para o grupo, estendendo a circulação por outras capitais e por 22 cidades do interior baiano. A caravana da canção passou e Neto Lobo segue reconstruindo o seu imaginário em formato de canções. Depois de lançar o segundo disco Meu Pé de Umbu (2015), já prepara um novo álbum junto a Cacimba.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Aqui - Eric Assmar

"Aqui" é uma composição do guitarrista Eric Assmar, gravada no seu segundo álbum Morning (2016). O músico conta que ela foi escrita como uma espécie de resposta a outra canção de sua autoria. "Em o 'O Que Virá' - faixa que está no meu primeiro disco - parto de uma situação/relação ruindo pra falar de uma incerteza sobre o futuro em termos mais gerais. Já em 'Aqui' tentei revisitar essa situação/pensamento/sentimento de cinco anos atrás, olhar pra ele nesse outro tempo. Entram outras angústias, a sensação de que as coisas caminharam para outro lado", explica Eric. 
                                                                   
Mesmo depois de revelar um segredo do seu processo criativo - este diálogo entre as canções -,  o guitarrista prefere não fechá-lo em sentidos: "Tudo isso são visões minhas sobre as músicas. Não é uma coisa que tá muito notável ou explícita nas duas letras. Gosto também de deixar uma abertura interpretativa para que cada ouvinte faça a sua leitura individual", argumenta Eric. Musicalmente, "Aqui" apresenta a maestria de Eric em fazer a sua guitarra dialogar com o seu canto. O instrumento de cordas "bluesifica" a balada atribuindo densidade emocional à letra. 
                                                                          (Foto: Uanderson Brittes)
"Aqui" e "O Que Virá" são duas das canções em português já gravadas pelo Eric Assmar Trio. Nos discos elas convivem com outras escritas em inglês sem causar estranhamento nos ouvintes - dada a naturalidade com que o bluesman transita entre os idiomas.  "Trabalho em cima dos acordes e melodias e penso em como encaixar as palavras. Às vezes surgem palavras em inglês, outras em português. Vou seguindo essa intuição que a parte musical previamente me dá, mas sem uma intenção categórica de que seja em uma ou outra língua", explica o guitarrista. 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

As Longas Passagens - Diego Fox


As Longas Passagens é uma composição de Diego Fox gravada pela banda Pagenianos no álbum "A Estrada de Seu Zé" (2006) . Diego lembra que ela é uma composição anterior ao disco, resgatada em meio ao ambiente de experimentação que caracterizou a produção da obra. "Foram horas de liberdade artística dentro do estúdio quebrando garrafas e gravando guitarras ao contrário - um grande laboratório para as loucuras de hoje. 'As Longas Passagens' veio a casar perfeitamente com a trilha sinuosa do disco ", declara o músico.
Os elementos experimentais do arranjo conferem à canção uma atmosfera épica, atribuindo o frescor que as descobertas do eu lírico pedem: "as longas passagens da vida/ jamais passaram por aqui/ eu sempre estive esperando/mas nunca vieram até mim/será que foi porque eu nunca me mexi/e ir, eu que devia, e não ela vir?". 
"Ela foi escrita na época dos meus primeiros empregos, dessas primeiras portas que as pessoas costumam dizer que são definitivas em nossas vidas. Algumas dessas eu deixei passar, outras se abriram, se revelaram em caminhos ou entradas. Hoje percebo que é uma questão de equilíbrio: eu quem devo ir, mas também quando menos esperamos as passagens podem surgir", reflete Diego. A banda Pangenianos atuou no circuito musical baiano durante a primeira década deste século, tendo lançado dois discos. Ao encerrar suas atividades, três dos integrantes se metamorfosearam para realizar o projeto musical Suinga que segue em atividade. 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

A Montanha Sagrada - Julito Cavalcante


"A Montanha Sagrada" é uma canção de Julito Cavalcante gravada pela banda BIKE no seu segundo disco "Em Busca da Viagem Eterna" (2017). O guitarrista conta de sua primeira referência montanhosa refletida na composição: "Sou de Taubaté, cidade que fica há 40km da Serra da Mantiqueira e desde moleque visito na região um dos pontos mais altos do país: o Pico Agudo. A primeira frase da música 'subi a montanha pra ficar mais perto do céu' veio dessas visitas - ela já vivia na minha cabeça antes mesmo da banda existir", explica Julito.

Os versos só encontrariam com a música que lhe estava destinada depois da passagem da banda por São Carlos - em uma apresentação que ficou marcada pela projeção das imagens do filme A Montanha Sagrada de Alejandro Jorodowsky. A película, um clássico da contracultura, foi lembrada para batizar um riff criado por Julito em estúdio. "Encaixei essa primeira frase no tema e parecia que a música estava pronta, mas tocando acrescentei as outras duas frases que combinaram com a dinâmica da música ao vivo: assim ela ganhou a ideia de subida e descida da Montanha", conta o guitarrista.
"A Montanha Sagrada" foi lançada como o primeiro single do segundo disco do BIKE. A ideia de ascensão provocada pelo seu clima etéreo chegou a despertar a curiosidade de praticantes religiosos: ela já foi utilizada como trilha em um encontro de jovens evangélicos.  Hoje o próprio autor, refletindo sobre a composição, percebe-a como uma narrativa sintética dos aspecto cíclicos do mercado musical: "Um dia você tem toda a atenção da imprensa e do público, todos querem o seu show, você está no topo da montanha. Pouco tempo depois você já não está em alta e volta ao pé da montanha. Isso aconteceu com a gente: o nosso primeiro álbum reverberou muito, mas ainda não éramos uma banda pronta. Agora estamos no processo de nos reafirmar como banda ao vivo: não temos mais o hype do primeiro álbum, mas com certeza nossas apresentações estão anos luz à frente do que já foram", resume Julito.  

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O Amanhã - Thiago Brandão

No single de hoje celebramos mais um lançamento exclusivo: "O Amanhã" é uma das faixas do disco "Perdido em Contos e Sonhos" que a banda Andaluz lança depois de hoje com show no Teatro SESI, em Salvador. O autor e vocalista do grupo Thiago Brandão conta do significado pessoal que a música ganhou em sua vida: "Não tenho carro, ando bastante na rua e lá eu sinto de perto a insegurança que se espalha pela cidade de Salvador. 'O Amanhã' saiu como um grito de socorro, me fez criar coragem para seguir enfrentando as esquinas", explica.
Além de amuleto pessoal, "O Amanhã" é também a realização de um antigo sonho musical de Thiago: convidar uma intérprete para um dueto em disco. A cantora escolhida para compartilhar das inseguranças narradas na letra foi Gabriela Ferreira. "A música traz dois personagens distantes que se encontram no refrão e ali eles se ajudam a vencer a escuridão das dúvidas. Fiquei muito feliz com a participação de Gabriela e já estou rascunhando novas canções para ela interpretar", revela Thiago.


No arranjo musical de "O Amanhã" destaque para o timbre reconfortante do Mellotron - teclado eletromecânico popularizado pelos Beatles na década de 60 do século XX através da gravação de "Strawberry Fields Forever". "O Mellotron foi um ponto de partida do arranjo e não seria gravado não fosse o conhecimento de Jorge Solovera com quem divido a produção musical do disco. Nos unimos em referências comuns, a ponto de ele tocar de tudo um pouco no álbum: guitarra, ukulele, violão, teclado e até percussão", revela Thiago. 

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Modo Hard - Circo de Marvin

Modo Hard é uma canção de Bruno Souri gravada pela banda Circo de Marvin. O vocalista conta que escreveu a letra refletindo sobre como encarar as dificuldades da vida a partir da linguagem contemporânea dos games. "Os obstáculos não são o problema em si, eles são os desafios que devemos superar. Lembro que ela foi escrita justamente no dia em que a banda foi a uma casa de shows em Salvador pedir para abrir um evento e fomos menosprezados pelo gerente.Aquela recusa passou a fazer parte da nossa historia e está lá estampada nos primeiros versos da canção", explica Bruno.
Extrapolando a dimensão auditiva, Modo Hard ganhou clipe em que os músicos vivenciam novamente a cena de recusa - só que dessa vez diante de um gerente de gravadora. A película - dirigida por Glauco Neves - foi vencedora do Prêmio Caymmi 2017 na categoria videoclipe e teve sua linguagem visual toda inspirada no game Grand Theft Auto (GTA), fazendo uma reconstrução libertária dos artistas dentro da realidade virtual do jogo.
Modo Hard dá nome ao primeiro disco da banda Circo de Marvin que foi lançado em 2015. Na gravação da faixa destaque para o inventivo arranjo de vozes que emula a fala de personagens de videogames. "O curioso é que essas vozes surgiram antes mesmo da gente identificar que a relação com os games seria o tema da letra. Em nossas composições costumamos improvisar no estúdio em cima do instrumental. Quando alguma ideia interessante acontece a gente grava e daí é que partimos para elaborar a letra em cima", revela Bruno.