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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Sorriso de Flor - Rafael Pondé

"Sorriso de Flor" é uma canção de Rafael Pondé. O músico recorda que ela foi escrita entre 2001 e 2002, depois que retornou de uma visita ao seu irmão em San Diego, na Califórnia. "Ela faz referência à essa visita e também a um amor antigo, mas é mesmo uma canção sobre a relação do homem com a terra. Tive um contato próximo com esse universo durante a minha infância/adolescência na fazenda do meu avô, em Itaberaba, e trouxe pra música muito destas reminiscências. Por isso escolhi gravá-la em xote que é um ritmo que representa a cultura nordestina", explica Rafael.
"Sorriso de Flor" foi gravada no disco "Átomos, Palavras e Canções" (2004), primeiro trabalho solo de Rafael. Na letra o compositor faz uma referência direta a labuta do trabalhador rural que "planta na roça pra vender na feira". "É um verso inspirado em um casal lá de Itaberaba, dona Maria (in memorian) e Seu Zinho. Eles de fato trabalhavam na roça durante a semana e levavam pra feira o que colhiam. Uma forma de expressar a admiração que tenho pela relação do sertanejo com a natureza", resume o músico.  
Desde que foi lançada, a canção de Rafael circulou para além do sertão baiano: alcançou boa execução em rádios brasileiras e ganhou a interpretação de diversos artistas, dentre eles da banda In Natura e do cantor baiano Carlos Pitta. Uma versão em drum'n bass  feita pelo DJ Roots para uma coletânea do selo Innerground Records fez com que "Sorriso de Flor" rodasse o mundo, tendo sido uma das faixas mais vendidas neste gênero dentre os anos de 2004/2005. "Ela até hoje está no meu repertório. É a minha música que alcançou maior sucesso", resume Rafael que hoje mora na Filadélfia e trabalha em um projeto musical voltada para a difusão do Forró.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A Peleja do Diabo com A Flor - Neto Lobo


"A Peleja do Diabo com a Flor" é uma canção de Neto Lobo. O músico conta que ela teve como inspiração a infância vivida na cidade de Senhor do Bonfim - recanto do sertão baiano repleto de personagens míticos. "É uma canção sobre essa eterna luta do bem contra o mal. Na roça vivi a observar a labuta dos trabalhadores sertanejos, as injustiças,desigualdades e crueldades que enfrentavam", explica Neto Lobo. 
A faixa foi gravada no primeiro disco de Neto Lobo  e a Cacimba lançado em 2012 sob produção de André T.. Depois de percorrer o circuito rocker de Salvador, a faixa foi ser trabalhada no Rio de Janeiro, cidade em que a banda passou uma temporada. . "Resolvemos ir lá mostrar o nosso rock de tabaréu. Moramos no Rio cerca de 8 meses, fizemos várias apresentações no interior e na capital", conta o cantor. Provavelmente foi através desses shows que o disco da banda, não se sabe ainda como, foi parar na Rede Globo e "A Peleja do Diabo com A Flor" entrou na trilha sonora da novela Malhação Conectados.  
A boa aceitação da música rendeu ainda mais shows para o grupo, estendendo a circulação por outras capitais e por 22 cidades do interior baiano. A caravana da canção passou e Neto Lobo segue reconstruindo o seu imaginário em formato de canções. Depois de lançar o segundo disco Meu Pé de Umbu (2015), já prepara um novo álbum junto a Cacimba.

sábado, 12 de agosto de 2017

Beira de São Francisco - Wendell Fernandes



Beira de São Francisco é uma canção de Wendell Fernandes gravada pela banda Novelta no EP Quintais Abertos (2015). O cantor lembra que ela foi escrita em 2013 e teve como inspiração uma leitura sobre as fontes de renda das lavadeiras do bairro Tanque da Nação, em Feira de Santana. "Eu passei semanas pensando nesse tema e quando acidentalmente assisti um documentário sobre as lavadeiras do Baixo São Francisco, com os cantos delas durante o trabalho, resolvi escrever a canção; contar a história de uma lavadeira simples, sem muitas perspectivas", explica Wendell. 

Beira de São Francisco teve então como ponto de partida a letra e depois foi preenchida musicalmente. Curioso que na mesma noite em que Wendell finalizava a harmonia, Zé Cordeiro, então guitarrista da Novelta, passaria em visita por sua casa. Ao entrar em contato com a canção que nascia deixou a sua contribuição: criou o riff que seria registrado na gravação. "Muitas vezes as ideias de letras me vem a partir de leituras. Tenho a sorte de viver rodeado de gente inteligente que vive me dando dicas literárias. Eu gosto das temáticas do nordeste, acho que no fundo estou tentando encontrar a minha voz,  uma maneira de falar do cotidiano nordestino sem soar caricato", reflete o cantor. 
Segundo relata o jornalista Adilson Simas, o bairro Tanque da Nação ficaria conhecido como "o bairro das lavadeiras onde se viam sempre centenas de roupas coloridas, estendidas em varais improvisados, tremulando com interminável bandeira de retalhos multicores sob o dourado sol da Princesa do Sertão".