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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Perfeição - Legião Urbana

Perfeição é uma canção da Legião Urbana gravada no disco O Descobrimento do Brasil (1993). Mesmo em seu formato inusitado – ausência de refrão e letra longa - ela foi escolhida como música de trabalho para promover o álbum. Em seu livro de memórias o guitarrista Dado Villa-Lobos relata que “Perfeição” foi escrita por Renato como uma espécie de manifesto político sobre os anos 1990. “A ideia era que o arranjo ficasse entre o rock e o rap, e que o Renato mais declamasse os versos do que propriamente cantasse”, escreve Dado.
Os versos faziam referência direta à grande decepção vivida pela sociedade brasileira com o governo Collor. Depois de ir às ruas exigir o fim da ditadura militar, em 1984, a população acabava de se decepcionar pela segunda vez na recém-conquistada democracia. Primeiro com José Sarney que saiu do cargo presidencial sem governabilidade, depois com Collor que renunciou antes de ter o mandato cassado por um processo de impeachment.
Ao final da canção a banda abre uma nova página no arranjo para cantar a esperança – ou o que poderia ter sobrado dela naquele momento: “Venha, meu coração está com pressa/ Quando a esperança está dispersa/ Só a verdade me liberta/ Chega de maldade e ilusão/ Venha, o amor tem sempre a porta aberta/ E vem chegando a primavera/ Nosso futuro recomeça:/ Venha, que o que vem é perfeição.”
“O nosso objetivo era mostrar que, longe dos noticiários, existia um Brasil genuíno, autêntico, composto de pessoas simples e honestas que tocavam a sua vida mesclando esforço, coragem e amor. Essa nossa perspectiva, um tanto romântica, buscou retratar um pouco o cotidiano desses brasileiros anônimos”, escreve Dado.
No estúdio, enquanto a faixa era mixada, a equipe técnica considerou que ela se parecia com “O Bêbado e o Equilibrista” - parceria de Aldir Blanc e João Bosco que se tornou um clássico da música popular brasileira. Mesmo sem concordar com as semelhanças, mas já se precavendo de possíveis acusações de plágio, o grupo resolveu creditar a música também a Aldir Blanc e João Bosco.“Perfeição” também ganhou um videoclipe dirigido pelo fótografo Flávio Colker. Na película os integrantes da banda aparecem em uma fazenda próximo a Niterói em um passeio bucólico.


terça-feira, 8 de agosto de 2017

A Novidade - Herbet Vianna/Bi Ribeiro/João Barone/ Gilberto Gil


A Novidade é uma parceria dos Paralamas do Sucesso (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone) com o cantor Gilberto Gil. A canção nasceu primeiro como melodia instrumental e foi enviada em fita cassete por SEDEX para o compositor baiano escrever a letra. Giberto Gil estava em Florianópolis, em um Hotel com vista pro mar, quando recebeu a ligação de Herbert Vianna - então um jovem ansioso para fechar a única faixa que faltava do disco Selvagem (1986). Em seu site oficial, Gil conta como se deu o processo de feitura da letra de A Novidade:



"Fui pro hotel e botei a fita no gravador. Depois de umas quatro passadas, saí anotando. Eram mais ou menos duas da tarde. Às três horas eu estava ligando pro estúdio já para passar a letra. Foi uma coisa assim: bum! A letra veio como um tiro certeiro, absolutamente de chofre, inteira. E de um modo surpreendente até pra mim, porque, mesmo sem tempo pra qualquer avaliação crítica no dia seguinte, resultou no que eu acho um dos meus melhores textos - pela escolha e pela maneira de tratar o assunto, pela concisão e pela elegância da construção."


A letra foi passada por telefone naquele mesmo dia e emocionou o trio paralâmico: "Ele (Gil) escreveu a letra em cima certinho, respeitando as divisões, a métrica. Foi demais. O Herbert escrevia (a letra) e chorava de emoção.Quando ele acabou de escrever, gritava: 'olha só que coisa linda!'", revelou o baterista João Barone em entrevista à Folha de São Paulo.


O álbum Selvagem marcou uma mudança musical dos Paralamas do Sucesso. Vindos do sucesso de O Passo do Lui, o grupo arriscou em uma sonoridade própria, agregando elementos do reggae/dub jamaicano e da música baiana. O disco foi gravado pelo produtor Liminha, no récem-lançado estúdio Nas Nuvens, tendo sido bem recebido pela crítica e pelo público: em um mês o álbum já havia vendido 300 mil cópias.


Além da sonoridade, uma das características do disco Selvagem são as letras politizadas, como é o caso de A Novidade. Sobre esta abordagem na canção, Gilberto Gil explica:


"O tema da desigualdade sempre fez parte do modo de inserção da minha geração na discussão dos problemas da sociedade; do nosso desejo de expressá-los. Universitário por excelência, o tema é portanto anterior e recorrente em meu trabalho. Está em Roda, em Procissão, em Barracos. Agora, em A Novidade, a imagem da sereia é que dá a partida para o tratamento da questão; a novidade é essa. Pode-se imediatamente pensar no Brasil, mas é sobre o Terceiro Mundo em geral; mais: sobre todo o 'mundo tão desigual', mesmo, de que fala o refrão."


A Novidade foi lançada com clipe gravado na barca Rio-Niterói sob direção de Roberto Beliner e Sandra Kogut. A película regustra a reação dos passageiros enquanto Os Paralamas tocavam no teto da embarcação e o som era transmitido nas caixas.

domingo, 6 de agosto de 2017

Deixa essa vergonha de lado - Odair José

Corria o ano de 1973, quando em uma participação em programa da Rádio Tupi o cantor e compositor Odair José ouviu o locutor ler um texto com as principais reivindicações das trabalhadoras domésticas; a lauda descrevia as dificuldades e preconceitos enfrentados no cotidiano desta classe trabalhista. 
Conforme relata Paulo César Araújo, em seu livro "Eu Não Sou Cachorro Não", Odair achou o texto interessante e perguntou ao locutor Luiz Aguiar se poderia usar aquela temática nos versos de uma canção. O resultado foi "Deixa essa vergonha de lado", faixa que abre o seu quart disco, lançado em 1973. Além do estigma de subtrabalho que envolve as domésticas, a canção retrata também a barreira social que impedia as domésticas de namorararem um rapaz de classe média. 


A letra da canção ousa uma compreensão sociológica da realidade brasileira, a partir de uma perspectiva que compreende a realidade da empregada doméstica, pois visualiza o apartheid presente na maioria das construções brasileiras: o cômodo diminuto reservado às empregadas domésticas, bem como os espaços restritos de circulação, como a "área de serviço"/ "elevador de serviço". Anos depois em entrevista a Rádio Globo (transcrita do livro), Odair atesta o caráter reflexivo da canção:
“Eu me mudei para o Rio de Janeiro por volta de 1966. E chegando aqui dormi em banco de praça, dormi debaixo de marquises, dormi na praia e depois fui morar em quartos de fundos. E ao conviver com essas dificuldades todas eu aprendi a gostar das pessoas que também dormem em quartos de fundos. Foi quando eu fiz a canção Deixa essa vergonha de lado, que conta a história da pessoa que convive com a família, mas não é da família, ou seja, a empregada doméstica, aquela secretária de casa que serve para dar banho nas crianças, serve para levar o filho à escola, serve para passar roupa, serve para fazer a comida, mas não serve para casar com os filhos da gente. E isso é uma coisa que sempre me tocou muito”, afirma Odair.
Em consequência da repercussão da canção, Odair José se tornou o principal porta-voz das domésticas no campo musical, tendo empenhado-se inclusive para a criação do Dia Nacional da Empregada Doméstica, comemorado a cada primeiro sábado de Outubro. 


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Melhores Quanto ao Carnaval - Escambau

“Melhores Quanto ao Carnaval” é uma canção de Giovanni Caruso. O músico conta que ela foi escrita no Paraguai, terra natal da sua esposa, onde costuma se retirar para o ócio criativo. “Ela foi dessas músicas que surgem de uma sentada só, uma estrutura simples de quatro acordes maiores. Fiz no violão, tocando bem baixinho porque a minha filha estava dormindo no mesmo quarto. Depois até aumentamos o tom para a gravação, pra que ela tivesse um acento mais punk”, revela Giovanni.
Do seu retiro, Giovanni escreveu uma letra que reflete com ironia a crise moral vivida pelo cidadão brasileiro - perdido no mar de notícias diárias sobre crimes de corrupção e de sua contínua impunidade. “Eu confesso que muitas vezes até fujo do noticiário, me pergunto de que adianta gravar músicas, lançá-las, quando nos vemos diante de uma máfia tão inescrupulosa. Mas ao mesmo tempo eu percebo que essa é a arma que nós temos pra enfrentar tudo isso. Não vejo como ser artista dando as costas para a realidade”, explica Giovanni.
“Melhores Quanto ao Carnaval” foi lançada como clipe e é o primeiro single do disco duplo “Sopa de Cabeça de Bagre” (2017) da banda Escambau. "Ela surgiu em meio à gravação do disco, quando ele ainda nem era concebido como duplo. A banda identificou uma urgência em veicular a mensagem dela. Lançar o trabalho sem ela, seria como 'entrar em campo com o Garrincha no banco'", brinca Giovanni.

sábado, 15 de julho de 2017

A Casa - Vinicius de Moraes


A Casa é uma canção do poeta Vinicius de Moraes inspirada na Casapueblo - um Hotel Castelo, em Montevidéu, com mais de setenta quartos construído em formas arredondadas pelo artista Carlos Paéz Vilaró. A música remete ao período em que o poeta trabalhava na embaixada brasileira, no Uruguai, e se hospedava por lá. Durante suas estadias na casa Vinicius brincava com as filhas do anfitrião cantando: "Era uma casa muito engraçada não tinha teto, não tinha nada..."
A música seria gravada na década de 80, no último trabalho em disco de Vinicius: o álbum de canções infantis "A Arca de Noé". Com produção de Fernando Faro e arranjos do maestro Rogério Duprat, o disco seria lançado meses depois da morte do poeta, em comemoração ao dia das crianças. Na gravação de "A Casa" os versos finais da letra foram substituídos. De "Mas era feita com pororó [termo indígena que significa palavras ocas; lenga-lenga] / Era a casa de Vilaró”. Vinicius mudou para: “Mas era feita com muito esmero / na rua dos bobos, número zero"".

Casapueblo que inspirou a canção funciona hoje como e também Museu, homenageando com o nome dos quartos os seus hóspedes ilustres. Além de Vinicius, estão na lista os atores Alain Delon e Robert de Niro, a atriz Brigitte Bardot e o jogador de futebol Pelé.



quinta-feira, 1 de junho de 2017

Meu Nome é Cem - Belchior/Rick Ferreira


“Meu Nome é cem” é uma canção escrita em parceria pelo cantor Belchior e o guitarrista Rick Ferreira. Ela foi gravada para uma coletânea promocional New super disc, lançada pela gravadora WEA em 1981 e até então não constava na discografia oficial do cantor. Ela é uma das faixas “inéditas” que integra a coletânea póstuma “Belchior, 70 anos – Pequeno mapa do Tempo”, homenagem ao cantor que será lançada em junho deste ano.


O guitarrista Rick Ferreira conta que levou um susto de Belchior quando, durante a gravação do disco Objeto Direto (1980), recebeu a letra de Belchior para pôr melodia. “Peguei essa letra e nada de fazer uma música, nada que eu gostasse, até que lembrei de uma música que fiz com uns 17 anos”, lembra Rick.

Solução perfeita, segundo o guitarrista. “Não precisou mudar nada. Foi uma coisa feita para a outra”, empolga-se.  A parceria ganhou uma roupagem country, estilo no qual o guitarrista é pioneiro no Brasil e Belchior também foi associado ao longo da carreira pela influência musical de Bob Dylan

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Noite de Desejos - Odair José


Em 1974, o LP Lembranças do cantor e compositor Odair José estava pronto para lançamento quando teve aquela que seria a sua faixa principal, “A Primeira Noite de um Homem”, censurada. A canção vetada se inspirava no filme de Dustin Hoffman lançado no Brasil com o mesmo nome e descrevia as tensões de um homem em sua primeira relação sexual.

Ao confirmar o veto, a Divisão de Censura em Brasília confirmou o veto alegando que a composição “trata de um assunto totalmente incoviniente” e “como a música é de índole popularesca e seria consumida por públivo jovem, torna-se ainda mais contraindicada sua liberação”. O próprio Odair chegou a ir à Brasília conversar com os censores para tentar liberar a música de trabalho do disco. No livro "Eu Não Sou Cachorro Não" de Paulo César Araújo, Odair José relata o encontro com o general Golbery do Couto e Silva:



“Encontro com general você sabe como é que é, né? Eu fui acompanhado de um advogado e me lembro que no avião, durante a viagem, ele ia me orientando: ‘Não responda nada, não questione nada, aceite tudo o que o general disser.’ Chegando lá eu falei com o Golbery eu expliquei que a intenção da música não era corromper a juventude, que eu até poderia mudar alguma coisa na letra e tal, mas ele me disse: ‘Não! Está proibida a ideia’.” 

Pra provar ao general das dificuldades de se proibir uma ideia,  Odair aproveitou a melodia da canção, fez pequenas alterações na letra, assinou a “Noite de Desejos” e enviou para apreciação da censura. Sem alterar a mensagem que gostaria de expressar, Odair teve a canção Noite de Desejos liberada para ocupar a vaga deixada por “A Primeira Noite de um Homem” e assim enganou o general.



Compare abaixo os versos das canções:

A Primeira Noite de um Homem (Odair José): 
“Á primeira noite de um homem / é uma noite tão confusa / é uma noite tão estranha… / …meu desejo era tanto / que eu nem sabia por onde começar / o meu corpo esquentava / eu tremia / não conseguia nem falar…”


Noite de Desejos (Odair José): 
“E foi então que aconteceu…/… eu tinha medo e não queria / mas meu desejo era maior…/… foi naquela noite a primeira vez / e eu nunca esqueci…/… o meu corpo esquentava / eu tremia. “

domingo, 28 de maio de 2017

João Ninguém - Rita Lee


Transgressora desde a mais tenra infância, a cantora e compositora Rita Lee coleciona gestos e letras de libertação. Uma destas está na canção João Ninguém, gravada no disco Lança Perfume em 1980. 


A letra fala de um João Ninguém que é "dono da Aldeia", com ele "quem bobeou, dançou". No seu livro "Rita Lee: Uma Autobiografia" a cantora revela que o seu muso-inspirador da canção foi o então general-presidente João Figueredo. 

"Um cara pé de chinelo que saiu do estábulo e virou rei, mas o cheiro do estábulo nunca saiu dele, aliás, uma carapuça que cabe perfeitamente em nossos políticos de hoje", afirma Rita. 


quarta-feira, 15 de junho de 2016

15 de Junho - Cinema - Cachorro Grande


No dia 15 de junho de 2009 a banda gaúcha Cachorro Grande lançava o seu quinto álbum Cinema.  O disco foi gravado em 20 dias em Porto Alegre e todo o processo foi registrado em rolo analógico, inclusive com a utilização de equipamentos alugados junto a colecionadores. A obra que também saiu em formato de vinil concorreu a indicação de Melhor Disco de Rock Brasileiro no Grammy Latino daquele ano.


sexta-feira, 10 de junho de 2016

10 de junho - Ainda Me Lembro - The Outs


Hoje, 10 de junho de 2016, a banda carioca The Outs lança o single Ainda Me Lembro, faixa que anuncia o álbum de estreia Percipere - com previsão para sair no mês de julho. Essa é a primeira gravação da banda cantada em português.O grupo se reuniu em 2008 para fazer covers do grupo inglês Oasis e já vinha valorizando o cancioneiro autoral só que na língua estrangeira. A The Outs é formada por Dennis Guedes (guitarra, baixo e voz)  Gabriel Politzer (bateria), Tiago Carneiro (baixo e voz) e Vinicíus Massolar (teclados, guitarra e voz). 
Foto: Brenda Martins




sexta-feira, 26 de junho de 2015

26 de Junho - Xeque Mate - Edu Krieger

No dia 26 de Junho de 2015 o cantor e compositor Edu Krieger lançou o single Xeque-Mate. A canção de cunho social, interpretada apenas com voz e violão, trata de temas espinhosos da realidade brasileira, o tráfico de drogas, as campanhas de redução de maioridade penal e o tráfico de drogas.  

sábado, 30 de maio de 2015

30 de Maio - Um Dia de Cada Vez - Suzana Flag


No dia 30 de Maio de 2010, a banda castanhalense Suzana Flag lançou o single Um dia de cada vez que faz parte do álbum Souvenir. A música foi disponibilizada no site oficial da banda e apresenta sonoridade pop rock oitentista, com destaque para a simplicidade contagiante da melodia e a mixagem precisa de Iuri Freiberguer.


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