Mostrando postagens com marcador Parceria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Parceria. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Protetor Fiel - Segundinho Osvaldo/Léo Vieira


"Protetor Fiel" é uma parceria do guitarrista Segundinho Osvaldo com o compositor Léo Vieira, escrita em homenagem a Gabriel - filho do primeiro. Segundinho conta que iniciou a composição por volta do ano de 2014 e que ela só veio a ser finalizada em 2017 com a participação de Léo Vieira. "Entreguei nas mãos dele porque, além de ser primo do meu filho, é um cara sensível que conhece bem o meu relacionamento com Gabriel", explica. 
Na faixa Segundinho reflete com gratidão sobre as mudanças trazidas pela chegada do garoto. O resultado é uma inusitada balada paterna: o toque suave do violão do músico recebe o auxílio luxuoso de violoncelo e piano. A música foi lançada como clipe: um belo registro de Pai e Filho em brincadeiras à beira-mar. "Meu pequeno foi a melhor coisa que aconteceu. Me sinto feliz e realizado.O melhor é saber que ele se amarra na canção. Ele também é musical, tudo que mexe acaba tirando um som", agradece Segundinho. 

Protetor Fiel é a primeira faixa solo lançada por Segundinho, que como guitarrista atua em diferentes bandas da cena musical baiana, dentre elas Jammil e Uma Noites e Efeito Manada. Em breve ele pretende lançar um EP autoral, dando vazão a outras canções que moram no seu case. 

domingo, 3 de dezembro de 2017

O Que Eu Quero Levar - Lívia Mattos/ Loic Cordeone

"O que eu quero levar" é uma parceria da sanfoneira Lívia Mattos com o acordeonista franco-português Loic Cordeone. Lívia lembra que a canção nasceu no período em que residiu em Paris, o conheceu o Loic. "Ele me mostrou sons do Haiti, referências que achava que tinham a ver com o meu som. Eu pirei no kompa haitiano. Ele pegou a sanfona e começou a fazer uma levada interessante. No mesmo dia me veio a melodia e a ideia da letra", conta Lívia. 
A faixa foi lançada no álbum Vinha da Ida (2017) - o primeiro trabalho solo de Lívia Mattos - e conta com a participação especial do acordeonista Toninho Ferragutti. O resultado é um balanço contagiante conduzido por uma letra direta e libertária. "Acabou que ela transversalizou com as minhas referências, o meu modo de tocar a levada; misturou com o som dos terreiros e deu no que deu", comenta Lívia. 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Felicidade - Gabriel Moura/ Seu Jorge/ Leandro Fab/ Pretinho da Serrinha

Antes de se tornar um dos grandes sucessos da música brasileira no ano de 2015, a canção "Felicidade" nascia em um quarto de hotel com um destinatário certo para interpretá-la: 
"Eu lembro que estávamos trabalhando na música que apresentaríamos no dia seguinte à Glória Perez - aquela que viria a ser o tema da abertura de Salve Jorge (Alma de Guerreiro). Alguém então lembrou que nessa reunião iríamos encontrar também o Caetano e que ele estava gravando um disco novo. Pintou a ideia de fazermos uma música pra mostrar pra ele, foi a 'Felicidade': daquelas composições que saem rápido, uma frase depois da outra. Quando terminamos nem acreditamos no resultado, foi emocionante", conta o músico Gabriel Moura que assina a faixa junto com Seu Jorge, Pretinho da Serrinha e Leandro Fab.
Na reunião a canção foi então apresentada a Caetano, que, apesar de ter gostado do resultado, decidiu por não gravá-la, pois o repertório e o conceito do seu próximo trabalho (Abraçaço) já se encontravam bem definidos. Ficou então a homenagem que a letra da música faz ao cantor baiano: "felicidade é colar no show do Caetano/cantar Odara até o dia raiar...". 
A primeira gravação de "Felicidade" seria do próprio Gabriel Moura no seu primeiro disco solo Karaokê Tupi (2013).  A faixa se destacou no álbum, mas ganhou dimensão nacional quando recebeu a interpretação de Seu Jorge no disco Músicas para Churrasco II (2015). A versão ficou entre as faixas mais executadas naquele ano, foi parar na trilha sonora da novela Totalmente Demais e até hoje recebe propostas de sincronização em publicidade. 
"É uma música que me remete a um painel de imagens de momentos em que as pessoas podem ser felizes juntas, correndo juntas, fazendo as coisas simples juntas, cozinhando juntas. Então pra mim é muito gratificante receber o retorno daqueles que curtem a canção e a colocam nos seus playlists para curtir os momentos felizes de suas vidas", agradece Gabriel.

sábado, 28 de outubro de 2017

Para Todo Um - Neila Kadhí/ Fred Aquino

"Para Todo Um" é uma canção escrita em parceria por Neila Kadhí e Fred Aquino. Neila lembra que a composição surgiu há cerca de 8 anos quando recebeu a visita de Fred em momento oportuno. "Eu estava vivendo um momento de separação e ele também vivia uma situação particular nessa área da vida. Acabamos dialogando sobre relacionamentos amorosos, como às vezes os sujeitos envolvidos se encontram em momentos completamente diferentes, e levamos isso pra música", explica Neila. 
A parceria de Fred e Neila, que vem desde os tempos de escola, foi acionada para traduzir o que viviam naquele momento: "É uma canção sobre as afinidades, uma tentativa de entender o que leva a gente a se aproximar de alguém, bem como de entender que nessas relações a vontade de um nem sempre está de acordo com a vontade do outro", reflete Fred. 

A canção Para Todo Um foi gravada por Neila Kadhí em 2015. Logo após retornar de um período morando no exterior, ela voltou decidida a retomar as atividades musicais. Esse retorno foi marcado pelo envolvimento com o movimento musical Som das Binha - coletivo de mulheres musicistas que promovem repertório autoral  dentro circuito musical soteropolitano. "Eu cheguei no momento estruturante do Som das Binha e, busca algo interessante para apresentar, que reencontrei 'Para Todo Um'. Hoje ela é presença certa nas apresentações do grupo; é uma música que tem uma adesão bacana do público", conta Neila. 

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Vida Me Chama Lá Fora - Duda Spínola/Marcos Guimarães

"A Vida Me Chama Lá Fora" é uma parceria de Duda Spínola e Marcos Guimarães. A canção foi escrita - provavelmente na estrada - quando os músicos ainda tocavam juntos na banda Adão Negro e acabou sendo a chave para que Duda abrisse as portas de sua carreira solo. "Estávamos gravando o álbum 'Mais Forte', que saiu em 2010, e no mesmo período resolvemos fazer um registro dessa composição meio que de brincadeira - já que ela entraria no disco do Adão. Foi nessa experiência que fiquei com vontade de gravar um álbum meu. O disco saiu em 2012 batizado com o nome da faixa e a gravação dela manteve a mesma pegada rock'n roll dessa primeira versão", explica Duda. 
Na mensagem direta de "A Vida Me Chama Lá Fora", os parceiros musicais refletem sobre o poder da palavra. "É uma inquietação que temos em comum. Muita gente confunde sinceridade com indelicadeza. A palavra é muito poderosa e o microfone acaba amplificando muito esse poder. As redes sociais também. Eu acho que devemos ser cuidadosos sempre, não 'pisar em ovos', mas usar esse poder para o bem.", reflete Duda.
A faixa ganhou também um videoclipe, em que Duda interpreta dois papéis: de um jovem executivo angustiado que resolve sair para curtir a noite soteropolitana e de si mesmo tocando na noite soteropolitana. A película é uma produção conjunta de Duda com o fotógrafo e videomaker Uanderson Brittes e Thyago Nascimento.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Mucuripe -Fagner/Belchior



Em 10 de junho de 1972, o cantor cearense Fagner lançava a primeira gravação de Mucuripe, canção escrita em parceria com o conterrâneo Belchior (in memorian). Ela saiu encartada na edição do jornal Pasquim como lado B do segundo volume da série Disco de Bolso (no lado A Caetano interpretava A Volta da Asa Branca de Luiz Gonzaga). 
Durante este ano, Fagner chegou a morar na casa da sua amiga Elis Regina. Por meio dela conheceu Ivan Lins, que foi convidado a tocar órgão e escrever o arranjo desta primeira gravação de "Mucuripe". A repercussão do lançamento foi curta, tendo funcionado apenas como pontapé inicial na carreira dos compositores cearenses. No mesmo ano, Mucuripe seria consagrada ao panteão das grandes canções brasileiras com a gravação da amiga Elis.

No livro, “No tom da canção cearense – Do rádio, e TV, dos lares e bares na era dos festivais (1963-1979)", do historiador Wagner Castro, Belchior conta que imaginou toda a situação da música, em que se via aconselhando a mulher de um marinheiro; "dizendo que ela deixasse receber todos os seus sofrimentos, todas as suas mágoas […] Então resolvi fazer uma música sobre isso; a questão do Mucuripe, do significado do nome e porque naquela altura Mucuripe era um local muito poético, com suas dunas […]" , afirmou Belchior. Além da gravação dos seus próprios compositores, "Mucuripe" já recebeu diversas versões, dentre elas a interpretação épica de Roberto Carlos e uma mais recente feita pela cantora Amelinha em disco-homenagem a Belchior.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Odoyá - Agnaldo Mattos/Nilo Ramos

"Odoyá" é uma parceria musical de Agnaldo Mattos e Nilo Ramos gravada pela banda Mr. Bobby. "Tudo começou quando desejamos ir contra a maré da mesmice em que a maioria das músicas de pagode da época se encontrava. A ideia era produzir um álbum do gênero que ampliasse o repertório de assuntos do estilo. Estávamos com quase tudo pronto quando sentimos a necessidade de desenvolver mais um assunto. Só que a música não saía", explica Nilo, vocalista da Mr.Bobby. 
Naquele que foi estipulado como o último dia para conseguir a música que fecharia o disco, Nilo lembrou do amigo compositor Agnaldo. O vocalista confessa que sentiu vergonha na hora do pedido, por se tratar de uma canção de pagode e achar que o amigo tinha aversão ao estilo. "Eu quis saber o porquê da vergonha. Expliquei que só não gosto de muitas das letras do gênero, mas que seria legal fazer uma letra para o pagode, afinal, seria mais útil do que apenas criticar, como vejo muitos compositores fazerem com o funk, por exemplo", explica Agnaldo.  
(Nilo, Agnaldo Mattos e o percussionista Heverton Didoné)
Acertados os ponteiros, o laboratório musical iniciou os trabalhos. "Fomos amarrando as ideias. Eu pensei em um músico que ganha o pão através do batuque - era uma ideia que já habitava na minha mente. O 'toque' de guerreiro é na verdade o toque de trabalho sonoro dele", revela Agnaldo. Um dos versos ("que pra ter sangue bom é só ser sangue bom") Agnaldo já tinha escrito no mesmo dia, sem sequer saber da visita de Nilo. 
Depois de um período morando no Sul do país, Nilo retornou a Salvador e no reencontro com Agnaldo divulgou um registro em vídeo de Odoyá sendo cantada em dueto, só que dessa vez em ritmo de reggae. A força da canção prevalece em versos que dialogam diretamente com o linguajar das ruas soteropolitanas e referenciam a formação cultural de raízes africana e indígena.  

sábado, 30 de setembro de 2017

Corte e Costura - Achiles Neto/Conrado Pera

"Corte e Costura" é uma parceria musical de Achiles Neto e Conrado Pera. Os músicos se conheceram em um festival de música realizado em Ponta Grossa, Paraná. A admiração foi mútua e pintou a deixa para que fizessem algo juntos. Não demorou e pariram uma primeira parceria (Canto Chão). A segunda foi "Corte e Costura" que Conrado enviou a Achiles como melodia para pôr letra. "Ela me surgiu quando estava em São Paulo no estúdio do meu Pai. Era uma melodia bem longa que, tempos depois, revisitando o baú, resolvi enxugar e mandar pra ele", conta Conrado. 
"Ela fala de um desses amores intensos que a gente vive na vida. Talvez ela seja a própria conclusão desse relacionamento. A letra teve como ponto de partida as reflexões trazidas por Gilberto Gil em 'A Linha e o Linho' - lembro que ouvia muito no período que escrevi. Vejo ela como a minha contribuição nesse papo de amor real", explica Achiles.  
Assim que ficou pronta, a canção foi para a bagagem dos parceiros ser apresentada em diversos festivais Brasil afora. Saiu vencedora do Festival Nacional da Canção de 2015, disputando com mais de três mil canções."Chegou na final, eles chamaram os cinco vencedores um por um. Todo mundo olhando pra gente e quando chamaram o nosso nome saímos pulando de alegria no Teatro. Tivemos a honra de receber o prêmio das mãos do Toninho Horta, guitarrista do Clube da Esquina que foi um dos jurados do Festival", conta Conrado. "Corte e Costura" ganhou sua primeira gravação em disco no EP Divino e Ateu (2017), trabalho de estreia da carreira solo de Achiles. Na faixa destaca-se a sua envolvente interpretação vocal conduzida por arranjos bem dosados na dramaticidade.
A versão de Conrado Pera para "Corte e Costura" já encontra-se gravada e será lançada em breve no seu próximo disco.  Ele cantará sobre a dedicação no amor em dueto com Chico César. O convite para a participação especial partiu, vejam vocês, da sua namorada, Amanda de Paula. Ela é amiga pessoal do Chico e percebendo a afinidade entre os músicos fez a proposta assim que se conheceram. O cantor paraibano topou de pronto e faria a escolha da música tempos depois, em um momento mais intimista enquanto tocavam violão juntos em casa.

domingo, 13 de agosto de 2017

Loadeando - Marcelo D2/Stephan Peixoto (Sain)

Loadeando é uma parceria do rapper Marcelo D2 com o seu filho mais velho Stephan Peixoto (Sain). A parceria de pai e filho foi gravada em 2003 no disco À Procura da Batida Perfeita. "Ele me viu cantando rap em casa e perguntou se não queria fazer algo com ele pra gente gravar. Aí sentamos, começamos a botar umas ideias no papel e nasceu a música. Ele foi me mostrando como se fazia, como se estruturava a letra, as rimas e eu dei alguns pitacos, como a citação ao Playstation", declarou Stephan em entrevista ao portal Uol.
Em entrevista no programa Encontro, Marcelo D2 conta que Stephan canta com ele desde os quatro anos de idade quando subiu ao palco do Circo Voador em um show do Planet Hemp. Em 2015 Sain gravou o seu primeiro disco com o grupo carioca Start, Fruto do jogo, e desde então investe também em carreira solo. Em 2016, 13 anos depois de Loadeando,  pai e filho voltaram a dividir os palcos na turnê KTT zoo tour.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A Novidade - Herbet Vianna/Bi Ribeiro/João Barone/ Gilberto Gil


A Novidade é uma parceria dos Paralamas do Sucesso (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone) com o cantor Gilberto Gil. A canção nasceu primeiro como melodia instrumental e foi enviada em fita cassete por SEDEX para o compositor baiano escrever a letra. Giberto Gil estava em Florianópolis, em um Hotel com vista pro mar, quando recebeu a ligação de Herbert Vianna - então um jovem ansioso para fechar a única faixa que faltava do disco Selvagem (1986). Em seu site oficial, Gil conta como se deu o processo de feitura da letra de A Novidade:



"Fui pro hotel e botei a fita no gravador. Depois de umas quatro passadas, saí anotando. Eram mais ou menos duas da tarde. Às três horas eu estava ligando pro estúdio já para passar a letra. Foi uma coisa assim: bum! A letra veio como um tiro certeiro, absolutamente de chofre, inteira. E de um modo surpreendente até pra mim, porque, mesmo sem tempo pra qualquer avaliação crítica no dia seguinte, resultou no que eu acho um dos meus melhores textos - pela escolha e pela maneira de tratar o assunto, pela concisão e pela elegância da construção."


A letra foi passada por telefone naquele mesmo dia e emocionou o trio paralâmico: "Ele (Gil) escreveu a letra em cima certinho, respeitando as divisões, a métrica. Foi demais. O Herbert escrevia (a letra) e chorava de emoção.Quando ele acabou de escrever, gritava: 'olha só que coisa linda!'", revelou o baterista João Barone em entrevista à Folha de São Paulo.


O álbum Selvagem marcou uma mudança musical dos Paralamas do Sucesso. Vindos do sucesso de O Passo do Lui, o grupo arriscou em uma sonoridade própria, agregando elementos do reggae/dub jamaicano e da música baiana. O disco foi gravado pelo produtor Liminha, no récem-lançado estúdio Nas Nuvens, tendo sido bem recebido pela crítica e pelo público: em um mês o álbum já havia vendido 300 mil cópias.


Além da sonoridade, uma das características do disco Selvagem são as letras politizadas, como é o caso de A Novidade. Sobre esta abordagem na canção, Gilberto Gil explica:


"O tema da desigualdade sempre fez parte do modo de inserção da minha geração na discussão dos problemas da sociedade; do nosso desejo de expressá-los. Universitário por excelência, o tema é portanto anterior e recorrente em meu trabalho. Está em Roda, em Procissão, em Barracos. Agora, em A Novidade, a imagem da sereia é que dá a partida para o tratamento da questão; a novidade é essa. Pode-se imediatamente pensar no Brasil, mas é sobre o Terceiro Mundo em geral; mais: sobre todo o 'mundo tão desigual', mesmo, de que fala o refrão."


A Novidade foi lançada com clipe gravado na barca Rio-Niterói sob direção de Roberto Beliner e Sandra Kogut. A película regustra a reação dos passageiros enquanto Os Paralamas tocavam no teto da embarcação e o som era transmitido nas caixas.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Coisas Desesperadoras do Rock'n Roll - Leandro Delmonico/Igor Filus


“Coisas Desesperadoras do Rock’n Roll” é uma parceria dos primos Leandro Delmonico e Igor Filus. Ela foi gravada pela banda Charme Chulo no seu terceiro disco Crucificados pelo Sistema Bruto (2014). Leandro recorda que a inspiração para escrevê-la surgiu nos camarins de uma gravação para TV. “Era uma chamada para o festival Lulapaluna. Levei minha viola caipira e ficamos ali com a turma da Blindagem. No papo, o baixista Paulo Juk se queixava de uma dor no rim. Aquilo se juntou com outras coisas desesperadoras que vivíamos e me levou a concluir que naquele momento era melhor fazer o que a gente acreditava (mesmo com dor no rim ou nas costas) do que fugir da nossa essência por fins comerciais”, explica Leandro.
Era o ano de 2011 e a banda Charme Chulo acabava de voltar de uma temporada em São Paulo divulgando o seu segundo disco (Nova Onda Caipira, 2009). A banda passava por mudanças de formação (baixista e baterista) e buscava um novo repertório que renovasse a paixão dos integrantes pela música. 

Assim que "Coisas Desesperadoras do Rock’n Roll" surgiu, caiu como uma luva: ela é o primeiro flerte da banda com o hard rock e traz o tom de ironia que o grupo buscava para o novo disco. “A música versa sobre todo o desespero de fazer rock (ou indie rock ou rock caipira), em condições precárias e, mesmo assim, amar e acreditar nisso”, reflete Leandro. 
A faixa ganhou videoclipe, com direção de Eugênia Castello, em que a banda aparece num cenário de programa de TV e saúda símbolos da cultura roqueira: o motociclista com mais de 40, o figurino glam, a performance exagerada. Em celebração ao dia mundial do Rock, comemorado hoje, 13 de julho, o guitarrista Leandro Delmonico foi convidado a nos contar também sobre a sua iniciação neste gênero musical: 

Foto: Diego Martins
“Me iniciei do jeito mais clássico possível; para me enturmar e, consequentemente, montar uma banda. Gostava de futebol e na minha infância já havia pensando em tocar bateria, no entanto, não tinha contato com nenhuma pessoa da minha idade que tocasse algum instrumento. Meu pai gostava de rock clássico e lembro de aos 13 anos me encantar por algumas canções de rock. Nunca vou esquecer quando ouvi a música 'Basket Case', do Green Day, em algum documentário de skate e quis muito ter aquele som para ouvir de novo. Na época, fim dos anos 1990, o Igor (primo quase 4 anos mais velho e hoje vocalista do Charme Chulo) já começava a colecionar álbuns clássicos do Punk (Ramones, Clash, Pistols), além de bandas nacionais como Legião, Replicantes, entre outras. Eu estava ouvindo muito AC/DC e começando a gostar dos sons que ele me apresentava. Foi aí que meu pai chegou com uma guitarra usada, falando que eu podia ter aulas com um cara que ele conheceu na empresa. Nunca me imaginei tocando guitarra e não tinha coordenação motora para isso, não é à toa, que brinco que o fato de eu tocar o instrumento é um verdadeiro milagre da natureza. Após alguns anos descobrimos a música caipira de raiz e entendemos que rock não é apensas distorcer uma guitarra e fazer cara de mal, mas sim se mostrar jovem de alma, inovar e questionar as coisas pré-estabelecidas”.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Espanhola - Guarabyra/Flávio Venturini

* colaboração do jornalista musical Abner Moabe

Quem nunca teve aquela história de amor platônico, em que fica aquela sensação de uma afinidade que poderia ter ido além da amizade? Foi uma história como essa que inspirou a letra da música Espanhola – um clássico do repertório voz e violão nos barzinhos de todo o Brasil.


Lá pelos idos de 76, a dupla Sá & Guarabyra havia se mudado para São Paulo. Era inverno e o frio castigava os cariocas que não estavam acostumados com as baixas temperaturas. Guarabyra rapidamente descobriu um bar e tratou de fazer amizade com o gerente. Numa noite fria, enquanto tomava alguns licores para se esquentar, lembrou da amiga Fafá . Ela havia ficado no Rio de Janeiro e ele achava que a história deles poderia ter sido bem mais do que uma amizade.

Enquanto seguia nessa viagem emocional, o tempo foi passando: era hora de fechar o bar. A casa de Guarabyra ficva a oito quarteirões dali - o que no frio fica ainda mais longe. Foi quando ele lembrou que os amigos Flávio Venturini e Sérgio Magrão - do grupo O Terço - moravam próximos do bar. Tava formada a oportunidade para uma visita.
                                                    Foto: Juarez Rodrigues
Ao chegar na casa, Guarabyra foi recebido por Flávio Venturini com um aquecedor para descongelar suas mãos. Como já havia interrompido o sono do amigo, provocou Flávio procurando sobre novas composições. Músico já gosta! Flávio então pegou o violão e mostrou a melodia em que estava trabalhando naqueles dias. Guarabyra sacou lápis e papel e colocou pra fora a história com Fafá. Escreveu a letra da música toda de uma vez.

Já recuperado do frio e se sentindo mais leve, Guarabyra sentiu que já tinha condições de chegar em casa. Agradeceu ao amigo pela acolhida e partiu. No dia seguinte, o telefone da casa de Guarabyra toca. Era o Flávio Venturini dizendo que a letra tinha ficado perfeita. Até aí nada demais, se não fosse por um pequeno detalhe: Guarabyra não lembrava nem que tinha passado pela casa de Flávio, muito menos de ter escrito a letra de uma música. Coube ao Flávio ensinar ao Guarabyra a letrar que ele próprio tinha escrito.
Espanhola foi gravada originalmente pela dupla Sá e Guarabyra em 1977, no clássico disco Pirão de Peixe com Pimenta. Anos mais tarde, em 1982, Flávio Venturini fez seu registro em seu primeiro disco solo, Nascente, quando ainda integrava o 14 Bis. De lá pra cá ela já foi regravada diversas vezes e se tornou uma das mais belas músicas do nosso cancioneiro popular.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Assunto Pendente - Gustavo Carvalho/João Vinicius


A canção Assunto Pendente é uma parceria entre os músicos Gustavo Carvalho e João Vinicius. A inspiração para escrevê-la partiu de um passeio de Gustavo na companhia de uma amiga à Praia do Buracão, no Rio Vermelho. Era um fim de tarde de vendaval na cidade, os dois ficaram sentados contemplando o movimento das ondas nas pedras, abraçaram-se para se proteger do frio e de repente aconteceu um beijo. “Foi uma surpresa que felizmente não desviou o fluxo das coisas. Fiquei com aquilo e escrevi a música. Hoje eu sinto que as palavras dela estão distantes do sentimento que guardo. Como canção, hoje ela me significa mais pelo movimento do violão, do vento, dos corpos”, revela Gustavo. 

Três anos depois, atuando como guitarrista/tecladista da banda A Tripe, Gustavo apresentou a música aos outros integrantes do grupo.  Por coincidência o guitarrista João Vinicius também conhecia a moça e acabou dando sua contribuição nos versos da canção, adicionando uma pitada de sensualidade. Caberia ao terceiro integrante d’ A Tripe, o baterista Luciano Tucunduva, fazer a canção ganhar um novo destino com a gravação da cantora Paula Oliveira.

“Conheci o Luciano em estúdio gravando as vozes do EP ‘Rasgue depois de usar’, desenvolvemos um laço através da música. Quando entrei no processo de pré produção do meu primeiro disco ele já sabia bem o que queria trazer pro trabalho. Foi quando me apresentou ‘Assunto Pendente’. Ela parecia que tinha sido escrito por mim e condensou a ideia das outras canções que tratam de amores não vividos e histórias inacabadas”, revela Paula. A faixa foi gravada e acabou dando título ao primeiro disco de Paula. Ela ganhou ainda videoclipe com direção de Leonardo Bragioni.

Assunto Pendente chegou a ser gravada também pelo grupo A Tripe, mas com o encerramento do projeto, devido a mudança de moradia de um dos integrantes, até então se encontrava guardada em HD's empoeirados. O Single do Dia futucou e conseguiu extrair em primeira mão a versão d’ A Tripe. Confere aí:




quinta-feira, 29 de junho de 2017

Sol Final - João Mendes/Murilo Rafael




Sol Final é uma canção gravada pela banda baiana Pirombeira em seu primeiro álbum. Ela foi concebida inicialmente em harmonia e melodia pelo músico João Mendes. “A letra veio depois. Tinha muito tempo que eu e o amigo Murilo Rafael não nos falavámos. Em uma ligação telefônica colocamos o papo em dia, daí mandei o áudio pra ele com a ideia. No mesmo dia ele respondeu com a letra pronta”, conta João. 

Finalizada, “Sol Final” aparecia para João como uma balada até vir a ser vestida pela Pirombeira. No arranjo da banda ela aparece dançante, em um Ijexá-funk grandioso. O arranjo de metais assinado por Ian Cardoso é a cereja do bolo com direito a citação de Ginga, música dos papas do soul brasileiro Robson Jorge e Lincoln Olivetti. 
Essa não seria a primeira nem única parceria entre João e o poeta Murilo Rafael, mas aquela que guarda sobre a afinidade de buscas da dupla. “A letra dialoga muito com a nossa relação, sobre as nossas escolhas no caminho da arte, da poesia e da música”, explica João. A sintonia foi bem aceita, pois depois de lançada “Sol Final” foi selecionada entre as 50 finalistas do XIV Festival de Música Educadora FM realizado em 2016.

terça-feira, 20 de junho de 2017

A Gente Leve - Fábio Rocha/Saulo Fernandes


A Gente Leve é uma canção escrita em parceria por Fábio Rocha e Saulo Fernandes. A letra surgiu a partir de uma conversa ocorrida durante um voo de avião, em que Fábio conheceu uma passageira a remoer no pensamento aquilo que lhe causava dor. Espirituoso, o baterista e guitarrista digeriu o papo até chegar na pergunta que abre a canção: “sabe o que acontece quando a gente esquece de pensar?”
                                                    Foto: Dôra Almeida
Aberto o caminho, nos versos seguintes Fábio escreveu respostas a partir de suas experiências pessoais: “Ela versa sobre a capacidade de perdoarmos e sermos mais porosos, menos sólidos aos acontecimentos da vida”, revisita o baterista. As estrofes caminham até que outra pergunta surge: “sabe o que acontece quando a gente cede ao perdoar?” Revelando a intimidade do seu processo de composição, Fábio responde a si mesmo citando os versos que encerram a canção: “A gente aprende que a magoa fere muito mais que o machucar. A gente então se aquece, a alma incandesce, e a gente então esquece de lembrar”.
Fábio relembraria daqueles versos ao receber do produtor Adriano Gaiarsa o convite para participar do próximo disco de Saulo. Através do aplicativo Evernote os versos foram compartilhados com o cantor que logo cuidou de vestí-los melodicamente, fazendo nascer “A Gente Leve”. A música foi gravada por Saulo no disco O Azul e o Sol (2016) e conta ainda com arranjos, violão e guitarra de Fábio.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Lema - Carlos Rennó/Lokua Kanza


“Lema” (letra) é uma canção com letra de Carlos Rennó e música do congolês Lokua Kanza – parceiros que consolidaram a afinidade musical em 2005 com o lançamento do disco “Hoje” de Gal Costa, em que assinam três composições. Foi da escuta das interpretações de Gal, que Lema, a quarta parceria, nasceu: o cantor Ney Matogrosso ligou pessoalmente para Rennó pedindo uma música inédita da dupla.



“Acabei então por escrever esta letra que homenageia o Ney, naquilo que eu vejo nele e que coincide com aquilo que penso sobre o processo de envelhecimento. O Ney é um espírito jovem que inspira todos nós por envelhecer de uma forma sã, mantendo uma vitalidade, uma poesia, uma alegria de viver”, explica Carlos Rennó. Como fiel seguidor do “Lema”, Ney gravaria a canção, em 2008, no show Inclassificáveis, com performance marcante liderando uma banda de rock no alto dos seus 67 anos.



Os segredos do bom envelhecer feitos de oração na letra de Rennó podem também ser encontrados na sua prática diária, ao encarar a saúde como filosofia de vida. Ele é praticante de yoga há 18 anos e mantém uma dieta macrobiótica há 19. Como diz um dos versos, não costuma “lamentar a mudança que o tempo traz”: “Embora respeite, não me agradam as tentativas de mascarar as mudanças trazidas ao corpo pelo envelhecimento. Se envelhecer é tornar-se feio, então enfeiar-se é que na verdade é o que há de mais bonito”, reflete Rennó.

A pista da sabedoria o poeta deixa nas entrelinhas: eis uma canção sobre o envelhecimento, mas que não esquece de saudar a meninice em cada um de nós. “O maravilhamento que existe quando estamos conhecendo as coisas pela primeira vez, de fato se dá mais quando somos novos, mas nunca deixamos de sentir. Enquanto estivermos vivos estaremos aprendendo, sempre continuaremos meninos diante dos fatos novos que a vida traz”, explica o poeta e letrista.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Odisseia Baiana - Davi Comodo/Thiago Lobão


O desenhista e compositor Davi Comodo estava em visita à Fortaleza quando começou a rascunhar Odisseia Baiana – música que levaria o Prêmio Caymmi 2015 de melhor canção na interpretação de Felipe Lorenzo e também de melhor arranjo assinado por Paulo Mutti. “Eu lembro que tava tocando Mucuripe do Belchior e naquele sentimento marítimo foi que surgiu a melodia. Dali voltei pra Salvador com  a melodia e uns primeiros versos”, rememora Davi.
                                                                                                                                     Foto: Adenor Gondim
As ondas cearenses foram encontrar às da Baía de Todos os Santos quando o esboço foi apresentado ao poeta e físico Thiago Lobão. No embalo ganhou a perspectiva mítica que lhe faltava. "Imaginei como seria eu, menino perdido como Odisseu, só que entre as ilhas da Bahia de Todos os Santos tendo que voltar a Itaparica", reflete Lobão. (Com exclusividadevocê pode conferir no link abaixo a primeira gravação de Odisseia Baiana feita pelos seus autores)


A parceria entre Davi e Lobão em Odisséia Baiana foi assinada pouco tempo depois de terem sido apresentados, no ano de 2010, em pleno turbilhão de um movimento musical baiano que até hoje rende frutos: o Manontropo. O coletivo de compositores se reunia nas tardes de sábado para criar e apresentar em primeira mão as suas criações. A proposta foi levada aos palcos da cidade de Salvador em apresentações que refletiam a diversidade da cena naquele início de década. Foi imerso nesse coletivo de ideias que o cantor Filipe Lorenzo conheceu Odisséia Baiana:
                                                              Foto: Heder Novaes
“Tudo nela bateu certo de cara: o contorno melódico, a temática, a poesia. Ali eu me vi diante de uma grande canção”, explica Lorenzo. De pronto a música saltou para o repertório da sua banda Panos e Mangas; para então em 2015 ser gravada e dar nome ao seu primeiro disco solo. Coincidiu deste ser também o ano de retomada do tradicional Prêmio Caymmi de Música. A faixa foi inscrita e não só levou o prêmio de melhor canção, como também de melhor arranjo assinado por Paulo Mutti, o que surpreendeu a todos - honrando ao mesmo tempo uma nova geração de compositores de música popular na Bahia, um arranjador e o talento do interprete em sua estreia.

Em estúdio a Odisseia Baiana foi registrada respeitando os mitos musicais da terra: na ficha técnica da canção estão o maestro Paulo Mutti (guitarra e arranjos), o toque ancestral do percussionista Gabi Guedes, o trompete e fulgelhorn elegantes de Joatan Nascimento, a pulsação precisa do baixo de Alexandre Vieira e o balanço orgânico da bateria de Ivan Huol.

                                                              Foto: Heder Novaes

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Pop Zen - Lalado/Alexandre Leão/Manuca Almeida


O single de hoje nasceu de uma oração. Em algum dia do ano de 1999, o baiano Lalado, inspirado nos preceitos budistas - sua prática diária - escreveu frases soltas em seu caderno. Dias depois receberia a visita de dois amigos compositores (Alexandre Leão e Manuca Almeida) e do produtor cultural Jorge Albuquerque - conhecedor dos versos e responsável por “botar pilha” para que eles viessen a ser musicados. Estava formada a combustão que daria origem ao hit luminoso “Pop Zen” (letra).

“Me apaixonei na hora pela letra, trabalhamos na melodia que ficou pronta no mesmo dia. O grande lance dela é a mensagem de Lalado, ela é impregnada da energia linda que ele tem”, conta Alexandre Leão.

                                                                   Foto: Felipe Oliveira

A canção se tornaria sucesso nacional em 2001 na interepretação marcante dos Lampirônicos. Pop Zen foi escolhida como primeira música de trabalho do álbum “Que Luz é Essa?”, sendo promovida em rádios e ganhou clipe na MTV com direção do cineasta Paulo Caldas . A canção foi apresentada ao grupo em sua forma crua por Manuca Almeida: 

“Era como se eu estivesse diante de um templo budista erguido a céu aberto em meio as encruzilhadas de Juazeiro, assistindo um irrequieto monge sentado em posição de lótus num asfalto infernal a recitar um cordel. A canção parecia não precisar do Lampirônicos. Era a banda que precisava de uma música com tal força imagética e discursiva.”, conta Nikima, vocalista dos Lampirônicos à época.

Em estúdio a canção receberia ainda o toque mágico do percussionista Carlinhos Brown. Convidado a participar dos ensaios, o cacique do Candeal pescou, nas tentativas do baixista de definição da sua linha, a ideia que ressignificaria o arranjo da canção. 



“Na minha memória, naquele momento uma melodia recitativa passou a suavizar sobre uma linha de baixo robusta e pulsante. Considero este o elemento mais marcante desse arranjo e um dos elementos musicais que mais contribuíram para alicerçar a força como uma das expressões da banda”, explica Nikima.



Desde então a canção segue o seu próprio rumo encantando interpretes e público por onde passa: ela foi gravada por Ivete Sangalo no disco Festa (2001), com arranjos do maestro Letieres Leite; por Marilda Santana em 2002; pela Família Caymmi, em 2005, para a abertura da novela Essas Mulheres, da Record; pelo cantor Arnaldo Antunes, em 2012, no seu DVD Acústico MTV e pelo próprio Alexandre Leão, em 2016, no CD O Teatro ( Ao Vivo). 


Reza a lenda que exista ainda uma gravação inédita feita pela cantora Daniela Mercury. “No verão desse ano, Caetano ouviu Pop Zen no meu show e disse ter amado a canção. Até me espantou o fato de que ele ainda não a conhecia. Essa música tem 20 anos e continua por aí, forte”, declara Alexandre Leão.