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sábado, 30 de setembro de 2017

Corte e Costura - Achiles Neto/Conrado Pera

"Corte e Costura" é uma parceria musical de Achiles Neto e Conrado Pera. Os músicos se conheceram em um festival de música realizado em Ponta Grossa, Paraná. A admiração foi mútua e pintou a deixa para que fizessem algo juntos. Não demorou e pariram uma primeira parceria (Canto Chão). A segunda foi "Corte e Costura" que Conrado enviou a Achiles como melodia para pôr letra. "Ela me surgiu quando estava em São Paulo no estúdio do meu Pai. Era uma melodia bem longa que, tempos depois, revisitando o baú, resolvi enxugar e mandar pra ele", conta Conrado. 
"Ela fala de um desses amores intensos que a gente vive na vida. Talvez ela seja a própria conclusão desse relacionamento. A letra teve como ponto de partida as reflexões trazidas por Gilberto Gil em 'A Linha e o Linho' - lembro que ouvia muito no período que escrevi. Vejo ela como a minha contribuição nesse papo de amor real", explica Achiles.  
Assim que ficou pronta, a canção foi para a bagagem dos parceiros ser apresentada em diversos festivais Brasil afora. Saiu vencedora do Festival Nacional da Canção de 2015, disputando com mais de três mil canções."Chegou na final, eles chamaram os cinco vencedores um por um. Todo mundo olhando pra gente e quando chamaram o nosso nome saímos pulando de alegria no Teatro. Tivemos a honra de receber o prêmio das mãos do Toninho Horta, guitarrista do Clube da Esquina que foi um dos jurados do Festival", conta Conrado. "Corte e Costura" ganhou sua primeira gravação em disco no EP Divino e Ateu (2017), trabalho de estreia da carreira solo de Achiles. Na faixa destaca-se a sua envolvente interpretação vocal conduzida por arranjos bem dosados na dramaticidade.
A versão de Conrado Pera para "Corte e Costura" já encontra-se gravada e será lançada em breve no seu próximo disco.  Ele cantará sobre a dedicação no amor em dueto com Chico César. O convite para a participação especial partiu, vejam vocês, da sua namorada, Amanda de Paula. Ela é amiga pessoal do Chico e percebendo a afinidade entre os músicos fez a proposta assim que se conheceram. O cantor paraibano topou de pronto e faria a escolha da música tempos depois, em um momento mais intimista enquanto tocavam violão juntos em casa.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Bandolins - Oswaldo Montenegro


Bandolins é uma música de Oswaldo Montenegro.Em entrevista ao portal UOL, o compositor contou que ela foi escrita para uma cunhada de seu parceiro musical Zé Alexandre. Ela e o namorado, na época, atuavam como bailarinos e tiveram de se separar depois que o rapaz recebeu um convite para morar na França. 

Naquele momento, utilizando-se do argumento da menoridade, a família da bailarina não consentiu que ela fosse junto. Oswaldo Montenegro conta que tentou retratar na canção esta moça "dançando sozinha".Ao finalizá-la, ele seguiu até a cidade de Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro, para mostrá-la ao amigo Zé Alexandre. 
Juntos, Oswaldo e Zé, defenderam Bandolins na última edição do Festival de Música da TV TUPI (1979), conquistando o terceiro lugar. Em disco o dueto dela foi gravado pela primeira vez no LP Oswaldo Montenegro (1980) e ao longo do tempo se consolidou como clássico da música popular brasileira, tendo sido regravada por Altemar Dutra e utilizada como trilha de diversos grupos de balé do Brasil. 

  

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Ando Meio Desligado - Sérgio Dias/Rita Lee

Ando Meio Desligado é uma parceria de Rita Lee e Sérgio Dias. Ela foi escrita para a peça "O Planeta dos Mutantes" dirigida por Maria Esther e Zé Agripino. O curto período em que o espetáculo esteve em cartaz coincidiu com a realização da quarta  edição do Festival Internacional da Canção, o que levou Os Mutantes a inscrevê-la na competição. 
Segundo conta Carlos Calado no livro A Divina Comédia dos Mutantes, a música surgiu a partir de um trecho melódico que Sérgio mostrou ao grupo durante um ensaio no quarto. Logo ali ela ganharia uma linha de baixo inspirada em "Time Of The Season" do conjunto The Zombies. Da sensação de desligamento provocada pela música Rita escreveria a letra de duplo sentido: ora romântica, ora lisérgica.  
 O ineditismo de Ando Meio Desligado chegou a ser contestado na participação do Festival pelos compositores/irmãos Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, por conta dela já ter sido executada na peça. A direção do Festival achou por bem não acatar o protesto. O próprio grupo decidiu por -la do espetáculo e assim participou da seletiva, levando o 10º lugar entre os finalistas. A apresentação na final marca também a reaparição de Rita Lee com figurino de noiva, só que dessa vez com uma falsa barriga de grávida;
A canção foi gravada pelos Mutantes no disco A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970) e se tornaria um dos grandes sucessos da carreira do conjunto. Ela é a única parceria entre Rita e Sérgio dentro da discografia do grupo - ainda assim o suficiente para despertar a admiração de outros interpretes, como Ney Matogrosso que a gravou no disco Sujeito Estranho (1980) e Marisa Monte que fez a sua versão no álbum MM (1988).
Uma curiosidade: as congas que se ouve na primeira gravação de Ando Meio Desligado feita pelos Mutantes foram executadas pelo percussionista Naná Vasconcelos. Carlos Calado conta que o grupo conheceu Naná nos bastidores dos festivais e ficaram impressionados quando o assistiram tocar percussão com o queixo e as costas das mãos.