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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Terra - Caetano Veloso



Terra é a canção de Caetano Veloso que abre o seu LP Muito (Dentro da Estrela Azulada). Ela reflete o período de confinamento e de exílio vivido pelo compositor durante o regime militar que tomou de assalto o poder no Brasil. Em 1969, quando estava preso no Rio, Caetano recebeu de sua esposa  Dedé uma Revista Manchete com as primeiras fotografias da Terra tiradas de fora da atmosfera. No seu livro Verdade Tropical o compositor lembra que aquela foi a inspiração inicial para escrever Terra:
"Eram as primeiras fotos em que se via o globo inteiro - o que provocava forte emoção, pois confirmava o que só tínhamos chegado a saber por dedução e só víamos em representações abstratas - e eu considerava a ironia de minha situação: preso numa cela mínima, admirava as imagens do planeta inteiro, visto do amplo espaço. Anos depois, já de volta à Bahia, compus uma canção de que ainda hoje gosto muito ("Terra") e cuja letra começa por referir-se a esse momento. Dirigindo-me à Terra, nos primeiros versos da canção, comento as tais fotografias "onde apareces inteira porém lá não estavas nua e sim coberta de nuvens". 
Terra já teve versões gravadas por diversos artistas. A mais recente, em 2015, interpretada por Paulinho Moska fez parte da trilha sonora da novela Sete Vidas. Destaque também para a versão instrumental gravada pelo guitarrista Armandinho no disco Retocando o Choro  (1999).

domingo, 2 de julho de 2017

Verdura - Paulo Leminski


“Verdura” é uma canção do poeta Paulo Leminski gravada por Caetano Veloso no disco Outras Palavras (1981). Ela é considerada o primeiro sucesso de Leminski em canão e teve a sua letra concluída a partir de uma notícia de jornal lida em voz alta pela sua esposa Alice Ruiz: 
                                                                Foto: Nani Góis
“Ele estava compondo na varanda, mas, assim, bem perto, sentado no murinho da varanda, bem próximo à cozinha, porta aberta, um dia ensolarado, eu lendo o jornal e ele compondo a primeira parte: “de repente me lembro do verde, a cor mais alegre, a cor mais triste, o verde que vestes, o verde que vestistes”. (...) Ele ficava repetindo isso, esperando vir a inspiração final. E eu, lendo o jornal, vi a noticia de que muitas crianças, principalmente do nordeste, estavam sendo vendidas para famílias americanas. Li pra ele a notícia e, imediatamente, ele achou a segunda parte que é ‘de repente vendi meus filhos pra uma família americana...’”,detalha a poetisa Alice Ruiz.


Na biografia de Leminski, o escritor Toninho Vaz conta da noite em 1981 que o poeta ouviu “Verdura” pela primeira vez na gravação de Caetano – através do disco trazido pelos amigos curitibanos Retamozo e Gorda. “Foi uma festa. Eles tocariam a faixa dezenas de vezes, sempre tecendo os melhores comentários sobre o disco e a gravação”, revela Toninho. Neste mesmo ano, “Verdura” seria escolhida como tema musical do filme O rei da vela de Zé Celso e Noilton Nunes”
Curiosidade: juntando o dinheiro dos direitos autorais recebidos pela gravação de Caetano com os de um prêmio recebido por Alice, o casal de poetas adquiriu uma fusca verde de segunda mão que foi batizado de Verdura.