quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Rei do Céu - Pardal

Rei do Céu é uma música de Leandro Araújo, vulgo Pardal. Ela foi gravada pela banda Vinil 69 em seu primeiro EP Dentro de Você (2004). Pardal conta que escreveu a canção ao violão pensando nos segredos que todo mundo tem. "Ela é uma música que fala sobre o que as pessoas fazem escondido. Tem o sujeito que é gay enrustido, a mulher que é infeliz no casamento, o cara certinho que enfia o pé na jaca, todos eles usam da escuridão da noite como um escudo para realizar o que não tem coragem de fazer às claras", provoca o cantor. 
Rei do Céu tem relação direta com o ambiente dos shows da Vinil 69: noites memoráveis em que a performance alucinada da banda contagiava o público, abrindo as caixas de segredos. Pardal revela que a letra era bem maior, mas que por conta da entrega que dedicava aos shows acabou limando alguns versos. "Era uma época que eu trabalhava de 10 a 12 horas por dia. Daí quando chegava a hora do o palco era também o momento do meu lazer, sempre tomava umas cervejinhas e esquecia parte das letras", afirma o cantor.  

Além de Pardal, a banda Vinil 69 reunia em sua formação outras figuras do rock baiano - como o baterista e videomaker Glauco Neves e o baixista Dudare (ex-Cof Damu) - para produzir uma sonoridade fiel ao rock setentista que carregava em seu nome. Em 2017, a banda relembrou as noites de arena rock'n roll com uma única apresentação de reencontro no Dubliners Irish Pub, em Salvador. Quem foi disse que jamais esquece. 

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A Novidade - Herbet Vianna/Bi Ribeiro/João Barone/ Gilberto Gil


A Novidade é uma parceria dos Paralamas do Sucesso (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone) com o cantor Gilberto Gil. A canção nasceu primeiro como melodia instrumental e foi enviada em fita cassete por SEDEX para o compositor baiano escrever a letra. Giberto Gil estava em Florianópolis, em um Hotel com vista pro mar, quando recebeu a ligação de Herbert Vianna - então um jovem ansioso para fechar a única faixa que faltava do disco Selvagem (1986). Em seu site oficial, Gil conta como se deu o processo de feitura da letra de A Novidade:



"Fui pro hotel e botei a fita no gravador. Depois de umas quatro passadas, saí anotando. Eram mais ou menos duas da tarde. Às três horas eu estava ligando pro estúdio já para passar a letra. Foi uma coisa assim: bum! A letra veio como um tiro certeiro, absolutamente de chofre, inteira. E de um modo surpreendente até pra mim, porque, mesmo sem tempo pra qualquer avaliação crítica no dia seguinte, resultou no que eu acho um dos meus melhores textos - pela escolha e pela maneira de tratar o assunto, pela concisão e pela elegância da construção."


A letra foi passada por telefone naquele mesmo dia e emocionou o trio paralâmico: "Ele (Gil) escreveu a letra em cima certinho, respeitando as divisões, a métrica. Foi demais. O Herbert escrevia (a letra) e chorava de emoção.Quando ele acabou de escrever, gritava: 'olha só que coisa linda!'", revelou o baterista João Barone em entrevista à Folha de São Paulo.


O álbum Selvagem marcou uma mudança musical dos Paralamas do Sucesso. Vindos do sucesso de O Passo do Lui, o grupo arriscou em uma sonoridade própria, agregando elementos do reggae/dub jamaicano e da música baiana. O disco foi gravado pelo produtor Liminha, no récem-lançado estúdio Nas Nuvens, tendo sido bem recebido pela crítica e pelo público: em um mês o álbum já havia vendido 300 mil cópias.


Além da sonoridade, uma das características do disco Selvagem são as letras politizadas, como é o caso de A Novidade. Sobre esta abordagem na canção, Gilberto Gil explica:


"O tema da desigualdade sempre fez parte do modo de inserção da minha geração na discussão dos problemas da sociedade; do nosso desejo de expressá-los. Universitário por excelência, o tema é portanto anterior e recorrente em meu trabalho. Está em Roda, em Procissão, em Barracos. Agora, em A Novidade, a imagem da sereia é que dá a partida para o tratamento da questão; a novidade é essa. Pode-se imediatamente pensar no Brasil, mas é sobre o Terceiro Mundo em geral; mais: sobre todo o 'mundo tão desigual', mesmo, de que fala o refrão."


A Novidade foi lançada com clipe gravado na barca Rio-Niterói sob direção de Roberto Beliner e Sandra Kogut. A película regustra a reação dos passageiros enquanto Os Paralamas tocavam no teto da embarcação e o som era transmitido nas caixas.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Terra - Caetano Veloso



Terra é a canção de Caetano Veloso que abre o seu LP Muito (Dentro da Estrela Azulada). Ela reflete o período de confinamento e de exílio vivido pelo compositor durante o regime militar que tomou de assalto o poder no Brasil. Em 1969, quando estava preso no Rio, Caetano recebeu de sua esposa  Dedé uma Revista Manchete com as primeiras fotografias da Terra tiradas de fora da atmosfera. No seu livro Verdade Tropical o compositor lembra que aquela foi a inspiração inicial para escrever Terra:
"Eram as primeiras fotos em que se via o globo inteiro - o que provocava forte emoção, pois confirmava o que só tínhamos chegado a saber por dedução e só víamos em representações abstratas - e eu considerava a ironia de minha situação: preso numa cela mínima, admirava as imagens do planeta inteiro, visto do amplo espaço. Anos depois, já de volta à Bahia, compus uma canção de que ainda hoje gosto muito ("Terra") e cuja letra começa por referir-se a esse momento. Dirigindo-me à Terra, nos primeiros versos da canção, comento as tais fotografias "onde apareces inteira porém lá não estavas nua e sim coberta de nuvens". 
Terra já teve versões gravadas por diversos artistas. A mais recente, em 2015, interpretada por Paulinho Moska fez parte da trilha sonora da novela Sete Vidas. Destaque também para a versão instrumental gravada pelo guitarrista Armandinho no disco Retocando o Choro  (1999).

domingo, 6 de agosto de 2017

Deixa essa vergonha de lado - Odair José

Corria o ano de 1973, quando em uma participação em programa da Rádio Tupi o cantor e compositor Odair José ouviu o locutor ler um texto com as principais reivindicações das trabalhadoras domésticas; a lauda descrevia as dificuldades e preconceitos enfrentados no cotidiano desta classe trabalhista. 
Conforme relata Paulo César Araújo, em seu livro "Eu Não Sou Cachorro Não", Odair achou o texto interessante e perguntou ao locutor Luiz Aguiar se poderia usar aquela temática nos versos de uma canção. O resultado foi "Deixa essa vergonha de lado", faixa que abre o seu quart disco, lançado em 1973. Além do estigma de subtrabalho que envolve as domésticas, a canção retrata também a barreira social que impedia as domésticas de namorararem um rapaz de classe média. 


A letra da canção ousa uma compreensão sociológica da realidade brasileira, a partir de uma perspectiva que compreende a realidade da empregada doméstica, pois visualiza o apartheid presente na maioria das construções brasileiras: o cômodo diminuto reservado às empregadas domésticas, bem como os espaços restritos de circulação, como a "área de serviço"/ "elevador de serviço". Anos depois em entrevista a Rádio Globo (transcrita do livro), Odair atesta o caráter reflexivo da canção:
“Eu me mudei para o Rio de Janeiro por volta de 1966. E chegando aqui dormi em banco de praça, dormi debaixo de marquises, dormi na praia e depois fui morar em quartos de fundos. E ao conviver com essas dificuldades todas eu aprendi a gostar das pessoas que também dormem em quartos de fundos. Foi quando eu fiz a canção Deixa essa vergonha de lado, que conta a história da pessoa que convive com a família, mas não é da família, ou seja, a empregada doméstica, aquela secretária de casa que serve para dar banho nas crianças, serve para levar o filho à escola, serve para passar roupa, serve para fazer a comida, mas não serve para casar com os filhos da gente. E isso é uma coisa que sempre me tocou muito”, afirma Odair.
Em consequência da repercussão da canção, Odair José se tornou o principal porta-voz das domésticas no campo musical, tendo empenhado-se inclusive para a criação do Dia Nacional da Empregada Doméstica, comemorado a cada primeiro sábado de Outubro. 


sábado, 5 de agosto de 2017

Geração Y - Bruno Carvalho

Geração Y é uma música de Bruno Carvalho. Ela foi gravada em 2010 pela banda Pessoas Invisíveis e teve como inspiração o recorte geracional batizado de Y - grupo social formado pelos sujeitos nascidos entre 1 de janeiro de 1974 e 31 de dezembro de 1987. "É a geração pós-ditadura, em que foi investida uma grande expectativa quanto a possibilidade de mudar o mundo e que acabou revelando-se apática. A letra brinca também com uma percepção pessoal de que naquele momento  os artistas e bandas soavam todos muito parecidos", explica Bruno.
Como membro da geração Y, Bruno considera que essa é apenas mais uma denominação boba, mas endossa a reflexão que ela traz. "Acredito sim que a nossa geração foi mais omissa do que as anteriores, talvez isso seja culpa das redes sociais", provoca o guitarrista. 
A canção Geração Y foi a primeira a ser produzida pela banda Pessoas Invisíveis no disco Fora do Eixo - álbum em que o grupo apresenta o peso da sonoridade e a ironia das letras como principais características. Na película, a lenda viva do rock baiano, Rodrigo Sputter (vocalista da The Honkers), aparece vestido de Elvis provocando a reação de transeuntes em um show da banda Restart, nas ruas e em plena festa de aniversário no playground.  

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Seu Nome - Thiago Vinicius


Seu Nome é uma canção do músico Thiago Vinicius, vocalista da banda Cartel Strip Club. Ele lembra que ela foi escrita quando tinha 19 anos, período em que vivia uma transição de personalidade. "Resolvi me questionar musicalmente sobre o nascer/crescer/morrer do ponto de vista existencial mesmo. Tratar desse jogo social da aparência em que vivemos. Eu ouvia muito Grizzly Bear na época e procurei assumidamente fazer algo que chegasse perto do que sentia ouvindo o som deles.", revela Thiago. 
Por ser a única canção do repertório do grupo escrita em português, Seu Nome foi escolhida pela Cartel Strip Club para ser inscrita no Festival de Música da Educadora FM de 2015. A gravação ficou entre as 50 finalistas selecionadas e passou a ser executada na programação da rádio. "Ouvi-la na rádio foi emocionante. Meus companheiros de noite eram as músicas que ouvia na Educadora e em outras emissoras. Ter uma composição minha ali era algo que na minha cabeça estava muito distante. Tenho certeza de que os ouvidos que alcançamos foram através de um modo sincero", declara o cantor. 
Em 2016, a Cartel Strip Club levaria Seu Nome para o Festival de Música Universitária de Salvador, sendo que dessa a canção foi escolhida pelos jurados como o melhor arranjo da seletiva. A faixa integra o EP Nada Novo Debaixo do Sol (2015), gravado pelo grupo no estúdio Caverna do Som sob produção de Irmão Carlos. Seu Nome também ganhou videoclipe que reúne imagens de momentos de estúdio e palco dos integrantes da Cartel. 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Praia - Gabriel Farsto/ Rennan Frois


Praia é uma parceria de Gabriel Farsto e Rennan Frois, integrantes da banda Pão de Hamburguer. Ela teve como ponto de partida os versos do refrão que narram a sensação agradável de respirar na beira-mar; em uma revisita sonora das trips que os primos já passaram juntos nas praias do litoral sul do país. "Sempre que dá a gente viaja junto, vamos aqui pra Guaratuba, também conhecida como Guarachuva", brinca Gabriel.
Praia foi gravada pela banda Pão de Hamburguer no Lado A do disco Visconde de Guarapuava (2017) e se destaca por apresentar o grupo em uma linguagem diferente da das outras canções. A faixa é recheada de diálogos ambiente que convidam o ouvinte a sentar em volta da fogueira à beira-mar e se entregar a escuta."Resolvemos gravá-la porque gostamos muito da melodia: uma música simples, pra cantar no violão, que quebra um pouco o clima mais pesado das outras do EP", explica o guitarrista Gabriel. 
O título do EP, Visconde de Guarapuava, homenageia a rua de Curitiba em que a banda Pão de Hambúrguer costuma ensaiar. É lá que está localizado o ponto de encontro dos quatro primos do grupo, no  mesmo espaço onde antes funcionava a camiseteria do Avô deles.