sábado, 28 de outubro de 2017

Para Todo Um - Neila Kadhí/ Fred Aquino

"Para Todo Um" é uma canção escrita em parceria por Neila Kadhí e Fred Aquino. Neila lembra que a composição surgiu há cerca de 8 anos quando recebeu a visita de Fred em momento oportuno. "Eu estava vivendo um momento de separação e ele também vivia uma situação particular nessa área da vida. Acabamos dialogando sobre relacionamentos amorosos, como às vezes os sujeitos envolvidos se encontram em momentos completamente diferentes, e levamos isso pra música", explica Neila. 
A parceria de Fred e Neila, que vem desde os tempos de escola, foi acionada para traduzir o que viviam naquele momento: "É uma canção sobre as afinidades, uma tentativa de entender o que leva a gente a se aproximar de alguém, bem como de entender que nessas relações a vontade de um nem sempre está de acordo com a vontade do outro", reflete Fred. 

A canção Para Todo Um foi gravada por Neila Kadhí em 2015. Logo após retornar de um período morando no exterior, ela voltou decidida a retomar as atividades musicais. Esse retorno foi marcado pelo envolvimento com o movimento musical Som das Binha - coletivo de mulheres musicistas que promovem repertório autoral  dentro circuito musical soteropolitano. "Eu cheguei no momento estruturante do Som das Binha e, busca algo interessante para apresentar, que reencontrei 'Para Todo Um'. Hoje ela é presença certa nas apresentações do grupo; é uma música que tem uma adesão bacana do público", conta Neila. 

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Samba é Sacerdócio - Gileno Félix/ Paulo Mutti


"Samba é Sacerdócio" é uma parceria do compositor Gileno Félix com o músico e produtor Paulo Mutti. A faixa acaba de ser lançada como o primeiro single do álbum solo da cantora baiana Aiace Félix e conta com a participação de Luiz Melodia, em um dos seus últimos registros. 
O samba teve nascimento há cerca de três anos atrás, quando Gileno - pai de Aiace, poeta e autor de sucessos  como "Me Abraça e Me Beija" - procurou por Paulo para uma primeira parceria: trazia no bolso da camisa versos a serem serem musicados. Animado com o convite, Paulo atendeu de pronto e desenhou samba nos versos em uma noite de trabalho. "Quando concluí pensei: 'nossa, isso ficaria lindo na voz de Luiz Melodia'. Eu ainda sequer o conhecia e percebi que tinha feito a música inspirado no cantar dele. Ele é pura classe e elegância na construção das suas frases melódicas", revela Mutti. 
E foi com esse lembrete que a canção foi apresentada a Aiace e acabou sendo escolhida para integrar o disco. “Achei linda e fiquei apaixonada pela música. Poucos meses depois eu e Paulo conhecemos Melodia por intermédio de meu pai e Ricardo Augusto, amigo em comum. Ele foi extremamente generoso e receptivo com a gente, com as músicas que mostramos. Fizemos o convite para que ele participasse e escolhemos gravar justamente a música composta para ele. Hoje é ainda mais forte escutá-lo cantando ‘eterno é o que não se sabe / o dia que chega ao fim”,  declarou a cantora ao portal Correio 24 horas. 
A faixa foi lançada com clipe em que Aiace e Luiz Melodia, no estúdio, interpretam em dueto os versos sobre o ofício do sambista, que é comparado a um jardineiro "que sabe plantar a flor / sabe as cores que ela tem/ pra fazer um samba bem do jeitinho do seu amor".

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A Vida Me Chama Lá Fora - Duda Spínola/Marcos Guimarães

"A Vida Me Chama Lá Fora" é uma parceria de Duda Spínola e Marcos Guimarães. A canção foi escrita - provavelmente na estrada - quando os músicos ainda tocavam juntos na banda Adão Negro e acabou sendo a chave para que Duda abrisse as portas de sua carreira solo. "Estávamos gravando o álbum 'Mais Forte', que saiu em 2010, e no mesmo período resolvemos fazer um registro dessa composição meio que de brincadeira - já que ela entraria no disco do Adão. Foi nessa experiência que fiquei com vontade de gravar um álbum meu. O disco saiu em 2012 batizado com o nome da faixa e a gravação dela manteve a mesma pegada rock'n roll dessa primeira versão", explica Duda. 
Na mensagem direta de "A Vida Me Chama Lá Fora", os parceiros musicais refletem sobre o poder da palavra. "É uma inquietação que temos em comum. Muita gente confunde sinceridade com indelicadeza. A palavra é muito poderosa e o microfone acaba amplificando muito esse poder. As redes sociais também. Eu acho que devemos ser cuidadosos sempre, não 'pisar em ovos', mas usar esse poder para o bem.", reflete Duda.
A faixa ganhou também um videoclipe, em que Duda interpreta dois papéis: de um jovem executivo angustiado que resolve sair para curtir a noite soteropolitana e de si mesmo tocando na noite soteropolitana. A película é uma produção conjunta de Duda com o fotógrafo e videomaker Uanderson Brittes e Thyago Nascimento.

domingo, 22 de outubro de 2017

Apartamento 101 - Tertúlia Nalua

Apartamento 101 é uma canção escrita coletivamente pela banda Tertúlia na Lua. Ela surgiu antes mesmo da banda começar a ensaiar na referida morada de Cristhian, vocalista do grupo. "Na letra fiz uma uma reflexão sobre o próprio eu: 'onde encontrar?, como encontrar?'. Nos perguntamos se as pessoas fazem essas perguntas, até que ponto realizar o sonho é tão importante? O que nos motiva mesmo é a música, nossa necessidade diária de som e a interiorização que surge como resposta do nosso 'melhor Ser'", reflete Cristhian.
Tertúlia Nalua ( Thierry Sacramento, Christian Caffi e Jones Sacramento) posando no apartamento 101

A faixa é o primeiro single e a última faixa do próximo trabalho do grupo com previsão de lançamento para este mês de outubro. Na gravação destaque para a liberdade artística ofertada pela Tertúlia Nalua: frases melódicas de uma guitarra devidamente timbrada passeiam por toda a canção. O arranjo é marcado de interlúdios instrumentais, que fazem com que o Apartamento 101 se assemelhe a um recanto de muitas portas que podem levar o ouvinte a lugares diversos.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Um Prato de Comida - Alípio Argeu/ Bal Flores

"Um Prato de Comida" é uma parceria dos músicos Alípio Argeu e Bal Flores.  "Ela era só uma letra que com o tempo parecia que ia se perder. O pulo do gato para que viesse a ser gravada foi o encontro com Bal, guitarrista argentino. Ele foi o mentor da parte sonora dela, absorveu bem a letra. Sinto que foi como uma extensão de onde o meu horizonte musical não poderia chegar", explica Alípio. A faixa foi gravada e lançada em 2015 pela dupla, dando origem a parceria que hoje assinam como Alibal Conspiracy.  
Na letra de "Um Prato de Comida" Alípio trata do dilema da fome de maneira crua e realista. "É um misto de experiências pessoais (falta de grana) com inspirações diversas. Tem algo da ideia de Cícero de Roma de que já nascemos para morrer e também de um doc que assisti do Glauber Rocha, em que ele saía nas ruas perguntando as pessoas 'do que o povo brasileiro precisa'. Uma das respostas me marcou: 'é de um prato de feijão com arroz e carne seca", reflete Alípio.
A faixa apresenta também o exercício de liberdade artística defendido pela dupla: uma melodia cadenciada de rap é sobreposta por vozes que urram de dor e por guitarras saturadas de efeitos. O resultado é uma escuta preenchida por atmosfera sombria que confere densidade e urgência  à mensagem situação na letra.  A canção ganhou também videoclipe, em que os músicos aparecem em perfomance imersos em um cenário de abandono.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Mucuripe -Fagner/Belchior



Em 10 de junho de 1972, o cantor cearense Fagner lançava a primeira gravação de Mucuripe, canção escrita em parceria com o conterrâneo Belchior (in memorian). Ela saiu encartada na edição do jornal Pasquim como lado B do segundo volume da série Disco de Bolso (no lado A Caetano interpretava A Volta da Asa Branca de Luiz Gonzaga). 
Durante este ano, Fagner chegou a morar na casa da sua amiga Elis Regina. Por meio dela conheceu Ivan Lins, que foi convidado a tocar órgão e escrever o arranjo desta primeira gravação de "Mucuripe". A repercussão do lançamento foi curta, tendo funcionado apenas como pontapé inicial na carreira dos compositores cearenses. No mesmo ano, Mucuripe seria consagrada ao panteão das grandes canções brasileiras com a gravação da amiga Elis.

No livro, “No tom da canção cearense – Do rádio, e TV, dos lares e bares na era dos festivais (1963-1979)", do historiador Wagner Castro, Belchior conta que imaginou toda a situação da música, em que se via aconselhando a mulher de um marinheiro; "dizendo que ela deixasse receber todos os seus sofrimentos, todas as suas mágoas […] Então resolvi fazer uma música sobre isso; a questão do Mucuripe, do significado do nome e porque naquela altura Mucuripe era um local muito poético, com suas dunas […]" , afirmou Belchior. Além da gravação dos seus próprios compositores, "Mucuripe" já recebeu diversas versões, dentre elas a interpretação épica de Roberto Carlos e uma mais recente feita pela cantora Amelinha em disco-homenagem a Belchior.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Chula - Shuris Salomão

Chula é uma composição de Shuris Salomão gravada pela banda Os Jonsóns no EP Fubenga Extra Vagante (2014). O músico conta que a canção teve como inspiração a sua cachorra Bella (in memorian) , companheira da família por 8 anos. "Ela era um ser de hábitos livres, muito cheia de si, com um comportamento muito incomum para cachorros", explica Shuris. 
Foi a partir desse comportamento inusitado da cachorra que o músico escreveu uma letra ambígua que reflete também sobre a liberdade nos relacionamentos humanos. "Versa sobre esse lance de sair de casa, de ser livre e a contraposição, o outro lado, de quem não quer deixar isso acontecer. Ela traz uma proposta do tipo 'ei, troque sua liberdade total por uma condicional comigo'", reflete o Shuris. 
Chula é presença certa nos shows da banda Os Jonsóns e, em sua acertada dose de ironia, é uma boa representante do espírito livre emanado pela música do grupo.