quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Sair de Madrugada - Victor Badaró

Sair de Madrugada é uma canção de Victor Badaró. O guitarrista conta que ela foi escrita em uma noite do ano de 2007 enquanto voltava do treino da capoeira. "Eu vinha descendo a ladeira da Piedade (Salvador), por volta das 22 horas, quando o refrão pintou de uma vez só", explica Badaró
Sair de Madrugada foi lançada como single em agosto de 2016 e registra a linguagem convidativa e romântica da música reggae feita por Badaró. A caminhada pela ladeira da Piedade foi parar numa beira de Mar em que o eu lírico se revela enamorado pelo sorriso da moça que olha pra Lua.

 O compositor se confessa adepto das caminhadas noturnas como a que é relatada na letra da música. Para Badaró este é um hábito associado a uma benéfica sensação de liberdade. Ele no entanto não desconsidera as mudanças vividas pela cidade de Salvador - principalmente no que tange à violência urbana - desde que a música foi escrita. "Mas eu procuro não ter muito medo não. Procuro ter fé em Deus e ficar de boa porque a gente não tá no controle de nada. A gente pode estar mais inseguro de dia, no meio da avenida sete, por exemplo, do que andando na madrugada", reflete Badaró. 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Primavera em Mim - Marcelo Perdido

Primavera em Mim é uma música de Marcelo Perdido. O cantor conta que ela retrata um momento de descobertas, vivido durante a sua estadia de um ano na cidade de Lisboa. "Com certeza é a letra mais autobiográfica do disco, trata de uma necessidade pessoal que essa vivência por lá me permitiu, de me renovar e de florescer", explica Marcelo
Primavera em Mim foi lançada no disco Bicho (2017) e ganhou clipe em que o cantor faz um passeio visual pela capital portuguesa. A direção é assinada em parceria pelo cantor e Fernanda Vidal que durante o ano inteiro que estiveram em Portugal registraram belezas, cenários e passagens do tempo para compor a película.
                                                                                        Lisboa
A produção da faixa ficou por conta do nativo Felipe Sambado, nome conhecido da cena portuguesa por promover o encontro entre a música alternativa e tradicional. Da vivência lisboeta Marcelo lembra das semelhanças que colecionou. "Fiquei surpreso do quanto a cidade se parece (e eu a confundo) com o Rio de Janeiro, mesmo estando a quilômetros de distância.Alguns bairros são idênticos ao centro antigo do Rio, o bonde é igual ao de Santa Teresa. Era fácil me esquecer que não estava no Rio por alguns momentos", brinca o cantor.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Pálpebra - Radiola & Zezão Castro


Pálpebra é uma parceria musical do cordelista Zezão Castro com a banda Radiola. Ela surgiu no canto de improviso, um repente acompanhado ao violão, quando da visita do poeta ao estúdio Casa das Máquinas. "Me veio essa história de um pistoleiro que se despede de alguém e tem que pegar a BR para ir executar seu próximo serviço junto a uma mulher. Segue sem saber que dia volta, nem se volta", explica Zezão. 

Da esquerda para a direita: frente: Zezão Castro, Tico Marcos, Fabio Dias e Nancy Viégas; meio: Larriri Vasconcelos e Alan Abreu; fundo: Tadeu Mascarenhas e Germano Estácio.


Com a gravação de Pálpebra, a banda Radiola encerra um jejum de 5 anos sem lançar músicas inéditas. Ela é também a primeira faixa da banda em que o músico Tico Marcos assume os vocais. No arranjo, a diversidade musical característica do grupo aparece à serviço de uma atmosfera densa que confere à canção contornos de uma narrativa cinematográfica. O letrista Zezão celebrou o resultado: "Por serem músicos tarimbados, souberam revestir muito bem o clima: guitarrinha cangaceira, escaleta que simula uma sanfona com melodia arabesca e um cantar martelado, raivoso".

Assim o grupo conferiu música à dramática sina do pistoleiro narrada na letra: "O matador guarda uma relação íntima com uma moça, mas ao mesmo tempo precisa dos seus colares de pérolas.A amante está sempre na cabeça dele como provedora desse desejo, mas também de riqueza. Só que o destino dele é 'correr trecho'", explica Tico Marcos. Pálpebra está entre as músicas finalistas do XV Festival de Música da Educadora. A indicação foi bem recebida pelo grupo, um arranque no próximo disco que já se encontra em processo de gravação sob os cuidados do mago Tadeu Mascarenhas.



* Xilogravura de Antônio Silvino
              

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O Sonho de Uma Noite de Verão - Valson Cardeal



O Sonho de Uma Noite de Verão é uma canção de Valson Cardeal. O guitarrista conta que ela foi escrita em um período em que a timidez se expressava de maneira muito forte em sua personalidade "É a confissão de um cara que se sentia intimidado com a garota que ele queria e não tinha jogo de cintura pra chegar. Ele entende que não pode reclamar disso, pois quem é tímido, para equilibrar, acaba se sentindo atraído por pessoas independentes e de personalidade forte", explica Valson.  

A canção foi gravada no estúdio Jimbo, em Alagoinhas, e lançada em 2015 no primeiro EP da banda Canvas MMX. No arranjo destaque para as inventivas passagens de guitarra e para a carga dramática da interpretação vocal de Valson. "É uma música que tem relação direta com todas as histórias que vivi e vivo até hoje. Embora eu tenha medo do mundo eu vou ao mundo mesmo assim. Aprendi a driblar a timidez, mas ainda tenho resquícios: sigo me investigando", reflete Valson. 


domingo, 3 de setembro de 2017

Nietzsche - Declinium

Nietzsche é uma canção de Oreah Chinaski gravada pela banda Declinium. Ela surgiu a partir de um papo entre os integrantes. "A gente tava conversando sobre mudanças comportamentais, quando lembramos da forma metafórica e interessante com que o filósofo Nietzsche trata da questão. Resolvi então levar essa perspectiva para uma canção", explica o vocalista. 
Essa é a primeira vez que o hábito de leituras filosóficas é diretamente referenciado por Oreah Chinaski. Uma homenagem ao filósofo alemão feita com muita naturalidade: "Hoje não leio tanto filosofia quanto gostaria. Penso que a música pode contribuir de alguma forma no hábito de leitura de outros, fazendo com que a partir do referencial sigam pra buscar a fonte", reflete Oreah.  
Na gravação. Nietzsche recebe o traje sonoro denso existencialista que é peculiar a Declinium. Ela foi lançada em Marte (2015), terceiro álbum do grupo. No início deste semestre, a faixa ganhou também videoclipe, em que sua letra é colocada em posição de destaque ao sublinhar imagens da banda nos palcos e na estrada. A película conta com direção de Rudsson Santos.

sábado, 2 de setembro de 2017

Toda Menina Baiana - Gilberto Gil


* Texto extraído do site oficial do cantor Gilberto Gil 

"Feita em Salvador, ao lado da Nara, minha filha mais velha, que estava na pré- adolescência, a música é pra ela e por causa dela. Fala do caráter fundador da Bahia e das virtudes e defeitos do homem. Por força da busca de compreensão do divino no humano, eu me empenhava em me desvencilhar do maniqueísmo, abarcando as idéias ligadas tanto ao bem quanto ao mal. De lá pra cá esse ficou sendo um tema básico de minhas canções. Quase todas exprimem a necessidade de reiterar o sentido da tolerância, do perdão, da compreensão de que o homem é permeado pelo bem e pelo mal e de que a superação de um implica a superação do outro; você não se livra do mal sem se livrar do bem. A promessa das religiões reside nisso: na superação transcendental de ambos."

Toda Menina Baiana foi gravada por Gilberto Gil no disco Realce (1979). Dentre as tantas regravações que já recebeu, destaque para a versão ao vivo de Daniela Mercury presente no disco Elétrica (1998). 


Recentemente a canção marcou presença também em uma emocionante cena do filme Aquarius do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho. 



sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Regreen - ZecaCuryDamm

*texto escrito por Ricardo Cury,  baterista e contador de causos do rock baiano

Era primavera de 2005. Eu e Damm tínhamos gravado um disco com músicas dos outros para deixar nos bares de Salvador. Todas as músicas no cajon, voz e violão. Jeff Buckley, Tears for Fears, Beatles, Sade, Secos e Molhados... Empolgado com a sonoridade, Damm sugeriu que voltássemos pro estúdio, porém com músicas próprias, e gravássemos um outro disco, 100% autoral. No processo de composição, ele chegava lá em casa com a melodia e a ideia pra eu encaixar outras palavras. 

- A gente tinha que colocar um reggae nesse disco – disse ele, em uma dessas vezes, Jah com um reggae na mente, para juntos colocarmos a letra.
Não conseguimos. Diferentemente das outras, que saiam rapidamente, essa travou. Foram dias tentando diversos temas e nenhum encaixava no som de Jah.

No meio disso tudo, fui ao Pelourinho para um evento e, Jah indo embora, parei na janela do Bar do Reggae, onde o Dj estava tocando Bob Marley com alguns rastafáris dançando no centro da pista. Todos de olhos fechados, cantando com perfeição a música Concrete Jungle. Não sei se sabiam falar inglês, se entendiam o que cantavam, talvez sim, talvez não, mas o que pensei naquele momento era que isso era o menos importante.
                                  Bar do Reggae no Pelourinho
Na manhã seguinte, na sincronia de coisas que naquela época acontecia incessantemente, Damm chegou pra gente tentar, mais uma vez, colocar uma letra no reggae maldito, mas, antes de começarmos, quis me mostrar uma banda que tinha acabado de conhecer. O som começou.

- Não estou entendendo nada do que esse cara tá cantando, é aramaico? – perguntei.

Só depois de ler a letra que vi que era em português. A banda era Ponto de Equilíbrio. Bateu na hora:

– Porra de letra. Vamos gravar o solfejo, sem letra, sem mensagem, só a melodia.

Depois de gravada, passamos quase o dia inteiro tirando sílaba por sílaba para colocar no encarte do disco, como se fosse uma letra. E para temperar, a música ainda contou com a luxuosa participação de Alex Porchat nos trompetes caribenhos.