quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Lá Ela - Alexandra Pessoa


"Lá Ela" é uma canção de Alexandra Pessoa. A cantora conta que a composição teve como inspiração a trágica história de uma jovem - famosa pelo seu envolvimento com o tráfico de drogas - que foi vítima de homicídio. "No dia que ela morreu ficava passando repetidamente as cenas do crime, infelizmente uma prática comum deste tipo de jornalismo policial que só mostra preto, pobre e traficante. Eles estavam expondo aquela mulher ao ridículo mesmo depois de morta", explica Alexandra. 
                                                                        Foto: Heder Novaes
Com passos urbanos de reggae,  Lá Ela faz um passeio descritivo imaginário pelo cotidiano da moça: tatuagens, fotos com armas nas redes sociais e ostentação do batidão - hábitos da vida por traz das imagens que o jornalismo policial se limita a mostrar. "Sou muito observadora, a maioria das minhas canções surge assim: de observar o movimento das ruas, nossas formas de falar, de se comportar", revela Alexandra. 
A faixa foi gravada no álbum Visita (2017) e já figura entre as canções finalistas do Festival de Música da Educadora FM.



quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Orí - Astralplane


Orí é uma composição coletiva de Sávio Magalhães (guitarra), Lucas Pereira (voz e guitarra), Rodrigo Amorim (baixo) e Gabriel Sanches (bateria), integrantes da Astralplane. Eles contam que a ideia da canção surgiu no Rio Vermelho, a partir de uma conversa que tiveram com Tio Edson, - o pai de Lucas e Gabriel - sobre as expressões das religiões afro-brasileiras ."No papo chegamos ao eterno dom de viver que cada ser carrega consigo, conhecido na mitologia iorubá como Orí (cabeça). Dali começamos a melodia e depois partimos pra letra", explica Sávio. 
                                                 (capa do livro "Elégùn - Iniciação no Candomblé")
A faixa foi lançada como primeiro single do álbum Redevout (2017) - trabalho que marca um novo momento da banda com melodias cantadas em português. Orí ganhou também clipe com imagens dos integrantes em estúdio e em um passeio visual pelo bairro do Rio Vermelho. Na sonoridade, a batida cadenciada do samba é preenchida por cores e texturas expansivas de guitarra e teclado. 

Questionados sobre o que levou a escolha de Orí como o primeiro single do álbum, os integrantes explicam: "O conceito por trás, bem como a forma como foi pensada e arranjada, acabaram conferindo a ela um certo destaque em relação as outras canções. Acho que também por ser uma canção que dialoga de maneira direta com a nossa cultura, com a nossa terra".

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Livre - Murilo Sá

Livre é uma canção de Murilo Sá. O cantor conta que ela foi "psicografada" durante uma excursão psíquica realizada com o cacto San Pedro. "Foi letra e melodia ao mesmo tempo. Fiz a canção e logo depois fui dormir. No dia seguinte, analisando, fiquei feliz com o resultado: percebi que tinha escrito sobre coisas que precisava colocar pra fora", explica o cantor.
Utilizada em rituais de cura desde as tribos pré-hispânicas, o cacto San Pedro contém mescalina - substância natural de propriedades alucinógenas. A parceria com a planta de poder, levou Murilo Sá a refletir sobre a liberdade e investigar possibilidades em seu processo de composição: "Não dá pra negar que, em alguns casos, onde você está bem consigo mesmo, uma experiência como essa pode levar o processo criativo a um outro nível de sensibilidade ", reflete Murilo.  
O compositor conta que Livre foi escrita em um formato  bem delicado, tendo ganho o seu primeiro registro demo em um piano rhodes. Já para a gravação no disco Sentido Centro (2015) ela ganhou acompanhamento da banda Grande Elenco com o arranjo mágico de slide do guitarrista Gabriel Guedes

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Universo ao Avesso - Edu Nuñez e Thiago Requião

Universo ao Avesso é uma parceria de Edu Nuñez e Thiago Requião. A música nasceu de uma longa sessão de composição entre os amigos. “Ficamos tocando das 5 às 10 da noite, sem conseguir desenvolver nenhuma ideia. Até que, quando nos preparávamos para encerrar, Thiago tocou no piano a progressão que abre a música. Começamos a desenvolver a letra e melodia ali mesmo madrugada à dentro”, explica Edu.
A madrugada criativa parece ter conferido à “Universo ao Avesso” densidade temática ao convidar o ouvinte a refletir sobre como seria o negativo fotográfico do mundo. “Eu tinha esse conceito na minha cabeça há algum tempo, lembrei dele na hora de escrever a letra. A partir dele pintamos imagens como um ‘céu claro de estrelas escuras’ e um Sol que se põe no Leste”, explica o guitarrista.
 A faixa encerra e também dá nome ao primeiro álbum de Edu Nuñez lançado em 2013. Recheado de piano, camadas vocais e guitarras dobradas, o arranjo revela a principal influência musical do cantor: “É o meu tributo ao Queen, a minha banda favorita. A ideia era ter uma que música crescesse, alcançasse um clímax e depois encerrasse com uma dinâmica bem baixa”, confessa Edu. A gravação é assinada por Jorge Solovera - tendo sido realizada em diferentes estúdios de Salvador. 

domingo, 27 de agosto de 2017

Flor de Lis - Djavan

Rezam as lendas urbanas virtuais que o cantor e compositor Djavan teria escrito a canção Flor de Lis (letra) em memória à mulher e filha (Maria e Margarida) que teriam sido mortas juntas durante o parto. O Single do Dia dá hoje a sua parcela de contribuição na missão de fazer com que prevaleçam na rede os fatos, desmistificando mais esta farsa virtual.
Segundo o próprio compositor, Flor de Lis narra uma história de amor que não deu certo e é puramente ficcional, não guardando nenhuma relação alguma com sua história de vida. Djavan foi casado com Maria Aparecida dos Santos Viana, que, desmentindo o boato de morte no parto, ainda está viva. A farsa sobre a origem da composição circula na internet desde 2008 e já foi desmentida diversas vezes pelo próprio Djavan em entrevistas e até mesmo em nota publicada no seu site oficial. Confira abaixo uma dessas entrevistas:
Flor de Lis é uma das canções de maior sucesso do álbum de estreia do cantor alagoano lançado em 1976 - até hoje muito pedida em shows. Além dela, no disco "A voz, o violão e a música de Djavan" figura também o hit Fato Consumado. 

* com informações do site e-farsas 

sábado, 26 de agosto de 2017

Me and My Band - Game Over Riverside


Me and My Band é uma música de Ricardo de Oliveira Cidade gravada pela banda Game Over Riverside. O músico e desenhista conta que ela foi a primeira letra escrita para a banda em uma fase insegura de sua juventude. "Ela é como o meu ponto de partida do período em que estava me aventurando a montar a montar uma banda. Era ao mesmo tempo uma autocrítica e esse marco: 'a coisa toda começa aqui', explica Ricardo. 
Me and My Band foi lançada como o primeiro single do EP Empty que a GOR lança ainda este ano. Fundada em 2005, a banda parou três anos depois e só retornou em 2015. Hoje Ricardo já não integra a formação do grupo, optou por uma outra proposta de trabalho em São Paulo. "Fico feliz que esse lance seja continuado. Acho curioso que letras da minha pós-adolescência passem a conviver com coisas escritas pelos integrantes que já passaram dos 30", reflete Ricardo. 

Foi por questões de formato e orçamento que Me and My Band não chegou a ser gravada no primeiro trabalho do grupo.  A música foi retomada  agora pelos integrantes também pela sua memória afetiva: ela era a canção de abertura dos shows da banda em sua primeira formação. "O resultado dela em estúdio nos agradou bastante. Na temática ela é um bom conto roqueiro com um pé na realidade", afirma Leonardo Cima, baterista da GOR.  


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Sirius Rock - Henrique Duarte


Sirius Rock é uma canção de Henrique Duarte gravada pela banda Acord no álbum Não Há Mais Tempo pra Ficar Parado (2010). A composição teve como inspiração a escuta das viagens espaciais de Raul Seixas em S.O.S. "Fiquei viajando na letra, essa coisa do 'me leve com você pra onde você for'. Comecei a imaginar como seria esse lugar, daí veio quase que instantaneamente o nome. Segui a letra brincando com outros nomes: rua de Alien Neto, a banca de Eutezébio", explica o baixista. 
Na gravação da Acord, Sirius Rock foi vestida com um arranjo inventivo: a levada beatle do verso prepara a abertura de portas para um refrão escancaradamente rock'n roll. A faixa foi produzida por André t e conta com a participação especial dos vocais de Nancy Viegas. Henrique lembra que escreveu Sirius para ser cantada em um tom bem alto. "Essa é a vantagem de ter um cantor foda na banda (Pedro Caetano) - difícil mesmo pra mim foi apresentá-la pra eles: me esgoelei todo no estúdio", sorri Henrique. 
Sirius Rock ganhou também videoclipe com direção de Victor Jimmy. A película complementa a viagem psicodélica da canção com a criação de cores, movimentos e flashes a partir do uso de aplicativos visuais interativos. Os efeitos eram ativados a partir de toques na tela enquanto os músicos executam a canção em um palco.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Diógenes - Ayam Ubrais/Ismera Rock

Diógenes é uma letra do cantador Ayam Ubráis que ganhou música do guitarrista Ismera Rock. A parceria é inspirada em um diálogo histórico entre o filosofo Diógenes, o Cínico, com o rei macedônio Alexandre, o Grande. Na composição, Diógenes aparece em uma versão moderna e libertária: "Ele seria um desses sujeitos que decidem fazer contraponto ao sistema em que estamos, aqueles que sabem que dinheiro não se come, mas faz pior: destrói, contamina rio, endurece o sangue. Feito fez o Alexandre quando invadiu tudo com seu império", explica Ayam. 
Diógenes fazia parte do repertório da banda Mendigos Blues e ganhou novo arranjo musical para gravação no disco Calibre de  Ismera Rock & o Calibre Dobrado, produzido por Ayam. "Vejo o Diógenes como um filosofo mendigo, ou seria um mendigo filosofo? Desde cedo eu tive contato com a imagem do mendigo. Na infância li um livro com este personagem que me marcou: 'Deus Lhe Pague' de Joracy Camargo. Mais tarde entrei na banda Mendigo Blues. Não tinha mesmo como uma música dessas ficar de fora deste trabalho de estreia", explica Ismera. 
Em Diógenes dá pra notar a diversidade roqueira da sonoridade de Ismera: em uma mesma faixa o arranjo de guitarra passeia por riffs do hard rock ao metal, passando pelos silêncios e ecos do progressivo. Em meio a letra provocativa, uma citação ao lema do personagem Chapolin Colorado ("não contavam com a minha astúcia") e o brado retumbante do Chaves ("isso, isso, isso...") gravado por Ayam.   

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Bandolins - Oswaldo Montenegro


Bandolins é uma música de Oswaldo Montenegro.Em entrevista ao portal UOL, o compositor contou que ela foi escrita para uma cunhada de seu parceiro musical Zé Alexandre. Ela e o namorado, na época, atuavam como bailarinos e tiveram de se separar depois que o rapaz recebeu um convite para morar na França. 

Naquele momento, utilizando-se do argumento da menoridade, a família da bailarina não consentiu que ela fosse junto. Oswaldo Montenegro conta que tentou retratar na canção esta moça "dançando sozinha".Ao finalizá-la, ele seguiu até a cidade de Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro, para mostrá-la ao amigo Zé Alexandre. 
Juntos, Oswaldo e Zé, defenderam Bandolins na última edição do Festival de Música da TV TUPI (1979), conquistando o terceiro lugar. Em disco o dueto dela foi gravado pela primeira vez no LP Oswaldo Montenegro (1980) e ao longo do tempo se consolidou como clássico da música popular brasileira, tendo sido regravada por Altemar Dutra e utilizada como trilha de diversos grupos de balé do Brasil. 

  

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Na Rua - Aline Lobo

"Na Rua" é uma música de Aline Lobo. A cantora conta que a canção surgiu a partir da sua experiência em andar nas ruas de Salvador. "Nessas caminhadas me confrontei com diversas situações que limitam o direito de ir e vir da mulher. Em uma dessas avistei um homem pescando sozinho tarde da noite e me questionei se seria tranquilo eu (mulher) estar naquele lugar, percebi que não. Na música pontuo ainda a condição da mulher negra que são as mais judiadas, principalmente aquelas que vivem em situação de rua", explica a cantora.  
                                                                Foto: Júlia Guedes
Refletindo a própria vivência, Aline alcança versos poderosos que falam de um "ventre contraído" e de uma "liberdade fajuta". Nos shows, Na Rua provoca identidade junto ao público. Foi o que pude conferir na apresentação de Aline junto ao grupo Retrovisor com releituras de canções de Gilberto Gil. Quando Na Rua foi executada boa parte do público já a conhecia e parecia vibrar ainda mais pelo medley com Índigo Blue do mestre Gil. "Cantá-la tem me empoderado e trazido uma identificação com mulheres de diversas cores e situações, me levado a perceber que nem eu nem elas estamos sozinhas", reflete Aline. 
                                                                           Foto: Júlia Guedes
Na Rua é a primeira música lançada por Aline Lobo pelo selo Bim Bom Records. Outras pérolas já se encontram em lapidação no estúdio recebendo os cuidados finais da mixagem. 

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Noite dos Mascarados - Chico Buarque

Em 1967, o cantor e compositor Chico Buarque foi convidado para assinar as canções do musical “Meu Refrão” - espetáculo idealizado por Hugo Carvana e Antonio Carlos Fontoura. O musical que reuniu no palco Chico, Odete Lara e o grupo MPB-4, foi também o primeiro entrevero do compositor com a censura. 
Antes da estreia, o musical teve uma de suas canções (Tamandaré) proibida pelo regime militar vigente no Brasil. Não demorou cinco dias e Chico, atendendo ao pedido do diretor, apareceu com uma nova para o repertório: Noite dos Mascarados - uma letra repleta de imagens que levava o ouvinte aos antigos bailes de carnaval. 
Em disco a faixa seria lançada em “Chico Buarque de Hollanda – Volume 2” ( ) em que o compositor a interpreta em dueto com Jane Moraes. A música acompanhou Chico também em sua primeira aparição no cinema no filme Garota de Ipanema (1967) de Leon Hirszman. Na cena final o compositor aparece ao lado de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Nara Leão e Ronnie Von. Ele conta que ao ver-se na tela pela primeira vez, detestou. 

Com o passar do tempo Noite dos Mascarados consolidou-se como um clássico da música popular brasileira, sendo regravada por muitos interpretes, dentre elas Elis Regina (em francês), Nara Leão, e Simone.

domingo, 20 de agosto de 2017

Brigadeiro de Panela - Mohzah Nascimento

Brigadeiro de Panela é uma música de Mohzah Nascimento. O músico de Ribeira do Pombal conta que a canção surgiu a partir de uma conversa com sua esposa sobre a relação dos alimentos doces com os momentos de alegria e tristeza. "A cozinha é o centro de reuniões entre amigos/familiares, o brigadeiro de panela é o alimento para ser compartilhado entre pessoas íntimas. Ele é feito pra comer com colher, às vezes até mesmo dividindo o mesmo talher. Escrevi pensando muito na relação de mães e filhos, de namorados, amigos distantes que sentem aquela vontade de comer a sobremesa preferida", explica o cantor. 
Na faixa Mohzah dá continuidade a tradição de canções-receita iniciadas por Dorival Caymmi com Vatapá. Apesar de ensinar como fazer, o cantor confessa que não se garante na iguaria. "É que eu não gosto muito de doce, prefiro pipoca. Sou um ótimo cozinheiro, mas estaria eliminado da prova do Master Chef se a prova fosse doce", brinca. 

Brigadeiro de Panela foi gravada em Minguante (2017), segundo álbum de Mohzah que reúne um time de feras da cena musical soteropolitana Angelo Canja (guitarra), Dinho Barral ( Baixo) e Ricardo Flocos (bateria). 

sábado, 19 de agosto de 2017

O Papa Francisco - Targino Gondim/ Wilson Duarte

*Texto enviado pelo compositor Targino Gondim

Desde 2005 que eu vinha com a ideia de gravar um trabalho com o nome de Cancções Divinas. Eu já havia gravado e lançado os trabalhos Canções Joaninas (em homenagem ao Santo São João ), e Canções de Luiz (em homenagem a Luiz Gonzaga), mas o Canções Divinas continuava a ser o meu xodó, o centro das minhas atenções, por se tratar de um trabalho voltado pra Paz, Amor, Afeição ao próximo, etc.
Mas pra esse trabalho eu buscava uma produção mais apurada, um suporte de distribuição e divulgação de alguma grande gravadora, e anos e anos se passaram sem que eu obtivesse um apoio assim. Então eu sempre vinha adiando essa produção, porém tendo todo o projeto na minha cabeça.
Quando o Papa Francisco assumiu a liderança da Igreja eu comecei a observar toda sua movimentação. Quando o Papa veio ao Brasil eu me emocionava com cada gesto de amor com o povo... E disse pra mim mesmo: -Vou fazer o Canções Divinas!Era mais ou menos em julho de 2013. Comecei a definir o repertório com a ajuda de Roberto Malvezzi, amigo, parceiro, muito ligado à Igreja e ao semi-árido, e minha mãe, Dona Maria, que está a muitos anos à frente dos Vicentinos da região do Vale do São Francisco.
Escolhido o repertório, com músicas divinas de sucesso e mais 2 inéditas minhas, eu marquei estúdio com data e tudo.
Mas faltava a homenagem ao novo Papa, que foi o motivador dessa minha decisão!Encontrei o amigo e parceiro Wilson Duarte em um evento beneficente que faço para o Abrigo dos Velhos! Falei pra ele do CD e da minha vontade de cantar algo para o Papa, e passei pra ele os motes, a minha visão do novo Papa.No outro dia, Wilson me mandou um e-mail com um belo e grande poema! Não perdi tempo! Peguei papel, caneta e a sanfona, e fiz a música pra o poema: O Papa Francisco.
No ano seguinte, o Bispo de Juazeiro-BA, Dom José Geraldo pegou o CD , enviou ao Vaticano, e meses depois recebi o convite pra tomar um café na casa do Bispo, onde ele me fez a surpresa me entregando um carta-resposta do Papa Francisco agradecendo a homenagem e pelo disco Canções Divinas.


sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Vulcanidades - Lívia Nery

Concluindo o nosso passeio pelas canções indicadas ao Prêmio Caymmi na categoria melhor música com letra, hoje vamos falar de Vulcanidades, música de Lívia Nery. A cantora conta que a inspiração criativa para a composição foi trazida diretamente do mundo dos sonhos: "Eu sonho com muitas músicas, essa foi a primeira que consegui lembrar depois de despertar. Acordei com os vocais do início e já gravei. Depois, improvisando em cima dessas vozes, criei a melodia", explica a cantora. 

A letra seria escrita na área de serviço de casa olhando fixamente o Sol se pôr. "O Sol do céu me levou ao Sol de dentro da Terra, aquele que é cuspido através dos vulcões.Ela fala do impulso criador inevitável que carregamos, que é o plexo solar: fonte de poder realizador", conta Lívia.

Antes de ser gravada, Vulcanidades marcou presença nos shows de Lívia. Até que, na companhia dos músicos Ian Cardoso e Israel Lima, ganhou o arranjo de base com que seria registrada. A produção da gravação é assinada pela cantora junto a Rafa Dias. A mixagem e masterização ficaram a cargo de André T. 
Em janeiro de 2017, a faixa foi lançada como single e poucos meses depois chegaria ao Prêmio Caymmi. "Inscrevi ela sem muitas pretensões e tive essa boa surpresa.  Fiquei muito feliz ainda mais por ser uma canção que veio pra mim por meios bastante incontroláveis", agradeceu a cantora. 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Forte, Valente Coração - Luã Almeida/Diego Cardoso/Jackson Almeida/Vini Mendes

E hoje temos a história de mais uma indicada ao Prêmio Caymmi: "Forte, Valente Coração" é uma canção coletiva escrita por Luã Almeida, Diego Cardoso, Jackson Almeida e Vini Mendes - integrantes da banda Baianomundo. Diego conta que ela foi apresentada em estúdio por Luã ainda como melodia. "No início do Baianomundo tínhamos o hábito de, todas as terças à noite, nos encontrarmos para compor. No dia que Luã apareceu com ela a letra logo foi sendo desenvolvida, coisa de vinte minutos. Sinto que escrevíamos não só o que estava na mente de cada um, mas que sentíamos juntos para onde a música ia caminhando. Foi um momento íntimo e muito especial e pra banda", revela o cantor. 

A escuta de "Forte, Valente Coração" traz a serenidade coletiva dos integrantes da Baianomundo. Em melodia suave eles cantam o reencontro pessoal com a Fé: uma interpretação que apresenta naturalidade dentro de uma temática cara aos tempos modernos. "Acho que a Fé sustenta o passo diário da vida de muita gente. O que acontece é que, diante da rotina, muitas vezes minimizamos estas boas energias", explica Diego. 

A canção de fé do Baianomundo já conta em sua história com uma premiação: em 2016 ela foi a vencedora do festival de Música da Educadora FM na categoria melhor música com letra. Perguntado sobre como o grupo recebeu a indicação dela ao Prêmio Caymmi, Diego aproveita pra reverenciar o mestre baiano da composição: "Caymmi é o nosso mestre da baianidade e o seu nome no Prêmio já nos dá uma ideia do peso que é participar dessa festa da arte da nossa Bahia. Ter o trabalho reconhecido em um evento tão importante é sensacional, ainda mais isso acontecendo no primeiro ano de banda e depois do Festival da Educadora". A faixa "Forte, Valente Coração" está no álbum Fruturo (2016) da Baianomundo, gravado no Kabana Estúdio- do pai de Jackson e Luã - e no Instituto WR.  

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Ode à Ilusão - Henriq Ch



Dentro da semana especial com as canções indicadas ao Prêmio Caymmi, na categoria melhor música com letra, hoje falaremos de "Ode à Ilusão" - composição de Henriq Ch. O autor revela que ela surgiu primeiro como melodia e ganhou letra a partir de uma reflexão sobre a busca por si próprio. "Ela parece ser uma música de amor, mas é sobre existência. Foi o que senti ao fazê-la. Hoje consigo relacionar a criação dela com ter assistido ao filme Ela (Her) que trata da inteligência artificial a partir de uma perspectiva existencialista", explica o cantor.
Henriq confessa que ficou surpreso com a indicação de Ode à Ilusão ao Prêmio Caymmi. "Produzi essa música praticamente toda em minha casa e ela é uma composição bem peculiar, para não dizer estranha. Quando a gente produz sozinho acaba perdendo um pouco as referências de outros músicos, então a indicação está sendo muito importante pra mim: um respaldo que indica que estou indo num sentido certo", afirma o cantor. A faixa conta ainda com masterização por envio virtual dos lendários estúdios Abbey Road e participação do baterista Anderson Silva.
Ode à Ilusão é também um registro do primeiro voo solo de Henriq Ch que vem distribuindo suas primeiras canções pela internet. "Esse é um basicamente autoral, onde eu busco arranjos bastante pessoais para as minhas musicas, sem concessões", declara o cantor. Henriq é também cantor da banda Setembro que na sua trajetória conta com dois discos gravados e segue atuante no circuito musical. 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Branco - Ubiratan Marques

Hoje, dando continuidade a série especial com os indicados ao Prêmio Caymmi 2017, na categoria "melhor música com letra", vamos conhecer a história de Branco - composição do maestro Ubiratan Marques. Ele conta que ela foi uma canção que se apresentou por inteiro. "Sempre quando componho algo que sinto que deve existir uma letra peço para Seu Mateus Aleluia escrever, mas com Branco foi algo diferente, veio tudo praticamente junto. A letra traz um pouco da minha relação com a minha espiritualidade", explica o maestro. 
Branco foi gravada no primeiro disco da Orquestra Sinfônica e também dá nome a obra. A letra reverencia o orixá Oxalá, senhor da criação na cosmogonia das religiões afro-brasileiras. Ela reúne saudações ao "Rei do branco" em um arranjo musical moderno, onde o popular e o erudito se encontram com muita naturalidade. Essa expressão da espiritualidade é uma busca musical constante do maestro Ubiratan: "Não tenho o costume de sentar ao piano com expectativa, existe em mim uma necessidade de tocar quase todos os dias. Apenas toco e tento me conectar com a música, pois esse é talvez o meu grande objetivo: 'tentar fazer música com alma' -sei que é muito difícil, mas continuo tentando".

Nessa jornada - antes de formar a Orquestra Afrosinfônica - o maestro Ubiratan se formou na Escola de Música da UFBA, integrou a banda Reflexu's, trabalhou como arranjador em São Paulo, compôs trilhas para filmes e fez pesquisas musicais em Angola. Toda essa bagagem está em Branco, na sagração cotidiana da música do maestro."Meu processo de criação é muito relativo, às vezes vem ideias quando estou caminhando, ou observando coisas que me rodeiam, e, aos poucos, vão surgindo fragmentos melódicos ou caminhos harmônicos que vou tentando entender o que querem me dizer, outras vezes, como foi com Branco, sento ao piano e quando dou por mim tem uma música pronta na minha frente", agradece Ubiratan.  


Perguntado sobre como recebeu a indicação da música ao Prêmio Caymmi, ele sentencia: " Acho o Prêmio importante e recebi a notícia com carinho, mas acredito ser mais importante cada um saber o que pretende e busca com a sua arte".

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Instante Pra Se Lembrar - Ian Cardoso

Durante esta semana aqui no Single do Dia dedicaremos um espaço especial às canções indicadas ao Prêmio Caymmi 2017 na categoria de melhor música com letra. Vamos conhecer um tanto mais sobre estas composições que refletem a fervilhante produção musical baiana contemporânea - chegue mais que a casa é nossa!

Pra começar a nossa jornada semanal, vamos de Instante Pra Se Lembrar - composição de Ian Cardoso gravada pela banda Pirombeira em seu álbum de estreia. O guitarrista conta que desde a escolha do nome a ideia foi ofertar uma música que não fosse objetiva: "Ela é uma viagem sobre a memória e o instantâneo. Confesso que tenho uma memória terrível: a minha maneira de me conectar a ela é bastante sensorial. A música então é um lembrete de que os próprios instantes que vivemos já são também memórias", reflete o guitarrista.
A gravação de Instante Pra Se Lembrar foi feita praticamente ao vivo - em um take único nos estúdios do bloco afro Ilê Aiyê. A faixa traz um delicado dueto vocal de Ian e Aline Falcão - que também toca acordeon -, fluindo juntos na interpretação suave que a letra pede. No arranjo final a cereja do bolo: uma passagem instrumental cíclica que leva o ouvinte a um passeio íntimo na companhia da poesia que ainda flutua na sala de escuta. 
Instante Pra Se Lembrar também ganhou clipe com direção de Matehus Pirajá. A película reúne imagens dos bastidores do show de lançamento do disco da Pirombeira, realizado em abril deste ano no Teatro Vila Velha. O registro visual dialoga com a poética da canção, construindo mais um instante/memória a ser lembrado pelo público e pela banda. Perguntado sobre como recebeu a indicação ao Prêmio Caymmi, Ian responde sorrindo: "Ficamos bem felizes. Ver a música batendo asas por aí é massa. De alguma maneira as músicas possuem vida própria, não é mesmo?"
  

domingo, 13 de agosto de 2017

Loadeando - Marcelo D2/Stephan Peixoto (Sain)

Loadeando é uma parceria do rapper Marcelo D2 com o seu filho mais velho Stephan Peixoto (Sain). A parceria de pai e filho foi gravada em 2003 no disco À Procura da Batida Perfeita. "Ele me viu cantando rap em casa e perguntou se não queria fazer algo com ele pra gente gravar. Aí sentamos, começamos a botar umas ideias no papel e nasceu a música. Ele foi me mostrando como se fazia, como se estruturava a letra, as rimas e eu dei alguns pitacos, como a citação ao Playstation", declarou Stephan em entrevista ao portal Uol.
Em entrevista no programa Encontro, Marcelo D2 conta que Stephan canta com ele desde os quatro anos de idade quando subiu ao palco do Circo Voador em um show do Planet Hemp. Em 2015 Sain gravou o seu primeiro disco com o grupo carioca Start, Fruto do jogo, e desde então investe também em carreira solo. Em 2016, 13 anos depois de Loadeando,  pai e filho voltaram a dividir os palcos na turnê KTT zoo tour.

sábado, 12 de agosto de 2017

Beira de São Francisco - Wendell Fernandes



Beira de São Francisco é uma canção de Wendell Fernandes gravada pela banda Novelta no EP Quintais Abertos (2015). O cantor lembra que ela foi escrita em 2013 e teve como inspiração uma leitura sobre as fontes de renda das lavadeiras do bairro Tanque da Nação, em Feira de Santana. "Eu passei semanas pensando nesse tema e quando acidentalmente assisti um documentário sobre as lavadeiras do Baixo São Francisco, com os cantos delas durante o trabalho, resolvi escrever a canção; contar a história de uma lavadeira simples, sem muitas perspectivas", explica Wendell. 

Beira de São Francisco teve então como ponto de partida a letra e depois foi preenchida musicalmente. Curioso que na mesma noite em que Wendell finalizava a harmonia, Zé Cordeiro, então guitarrista da Novelta, passaria em visita por sua casa. Ao entrar em contato com a canção que nascia deixou a sua contribuição: criou o riff que seria registrado na gravação. "Muitas vezes as ideias de letras me vem a partir de leituras. Tenho a sorte de viver rodeado de gente inteligente que vive me dando dicas literárias. Eu gosto das temáticas do nordeste, acho que no fundo estou tentando encontrar a minha voz,  uma maneira de falar do cotidiano nordestino sem soar caricato", reflete o cantor. 
Segundo relata o jornalista Adilson Simas, o bairro Tanque da Nação ficaria conhecido como "o bairro das lavadeiras onde se viam sempre centenas de roupas coloridas, estendidas em varais improvisados, tremulando com interminável bandeira de retalhos multicores sob o dourado sol da Princesa do Sertão".

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Bonecas Pretas - Larissa Luz


Bonecas Pretas é uma música de Larissa Luz. Ela foi o primeiro single do disco Território Conquistado (2016) - álbum que figurou entre os indicados ao Grammy e ao Prêmio da Música Brasileira. A canção surgiu a partir de uma reflexão da cantora em busca de uma verdade pessoal a ser cantada: “Sempre gostei de criar. As bonecas eram ferramentas lúdicas e fundamentais nesse processo de exercitar minha sensibilidade artística enquanto criança, mas não tive bonecas negras. Só fui perceber depois a importância de me reconhecer esteticamente nessas personagens que eu concebia e que, apesar de viverem histórias fantásticas, tinham tanto de mim. Foi revirando esse passado que escrevi Bonecas Pretas”, explica Larissa. 
                                         Foto: Andrea Possa Mai
A canção foi lançada com clipe dirigido por Glauco Neves. Na película, Larissa se reveza no papel de repórter de TV e manequim viva de loja. A letra incisiva da música é complementada pela dança em plena vitrine, provocando o espectador: por que não temos bonecas pretas? “Sabia que estava lidando com questões profundas, internas - que começam nas extremidades, nos fios dos cabelos, na cor da pele. Isso é extremamente visual. Então percebi que precisava ilustrar e trazer para a prática o que a própria música prega: ocupação, representatividade, referências acessíveis”, explica Larissa. 
                                       Foto:  Andrea Possa Mai
Bonecas Pretas faz sucesso também nos shows de Larissa: à semelhança do clipe o número ao vivo conta com a participação especial de dançarinas. O público corresponde e se entrega à mensagem com identificação. “No palco elas que dão vida às bonecas empoderadas, afinal precisamos de representatividade. Sei que assim estou colaborando com um movimento cultural autêntico que tira a identidade negra dos porões. Gosto de fazer uso da arte para mexer com as pessoas, provocar sensações que impulsionam transformações. Isso me transforma também, enquanto mulher, enquanto gestora da minha carreira, enquanto cidadã e enquanto artista. É tudo uma grande troca!”, celebra a cantora.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Dueto - Mariana Diniz/ Dinha

Dueto é uma parceria de Mariana Diniz e Dinha que foi gravada pela banda Matiz. A cantora lembra que a canção foi escrita em 2005, sendo uma das primeiras letras de sua autoria a receber música do guitarrista. "Logo nos primeiros encontros a Mari apresentou algumas poesias pra banda musicar. Eu lembro que levava os versos no bolso da calça e lia quando podia para ficar imerso no que a poesia pedia. Em Dueto eu encontrei uma estrutura de versos bem livre, tanto que ela resultou numa canção em linha reta: o que se falou se falou, não volta mais. Curiosamente ela tem como refrão um riff aberto de guitarra", explica  Dinha.
  
A canção teve como inspiração um relacionamento amoroso, em que o eu lírico apresenta a vida na perspectiva de um par; das delícias cotidianas de fazer tudo a dois."Foi a primeira música que fiz para um amor vivido. Hoje escuto ela com uma alegria danada, foi um momento muito bonito e acho que há uma ingenuidade necessária, fundamental", revela Mariana. 


Com a gravação de Dueto, a banda Matiz foi finalista da 4ª edição do Festival de Música da Educadora FM, em 2006. A canção passou então a fazer parte da programação da emissora. Ela também ganhou clipe - dirigido por Renato Gaiarsa, Rodrigo Luna e Jero Soffer - com exibição na MTV e matéria de lançamento no programa Soterópolis. A película foi gravada na Praça dos Eucaliptos, em Salvador, e faz uso da técnica de slow motion. (Interessante registrar que neste período o Youtube ainda não aceitava vídeos em alta definição).


Dueto fazia sucesso também nos shows da Matiz, sendo estrategicamente utilizada para abrir ou fechar os números. Só não podia faltar, se não era pedida pelo público. Antes do encerramento das atividades da banda, Dinha e Mariana escreveram "O fim do dueto". A canção até então estava inédita, mas com o aval dos integrantes(Leo Abreu, Dedé, Dinha e Mariana), conseguimos a divulgação de uma gravação feita em ensaio. Confere aí:



Foi na banda Matiz que Mariana começou a desabrochar a sua verve musical: ela é filha do compositor Paulinho Diniz, que teve músicas gravadas por grandes nomes da música brasileira como Gal Costa, Clara Nunes e Alcione. "Meu Pai foi a minha primeira escola de música. Às vezes penso que fui pro rock fugindo dessa tradição do samba em casa; fugindo de uma certa exigência inconsciente que ainda não encarei", confessa Mariana. Mariana encontraria exílio no rock junto a outra ramificação musical da família: o irmão (Paulo Diniz), o marido (Ricardo Longo) e um primo (Alex Pochat) são músicos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Rei do Céu - Pardal

Rei do Céu é uma música de Leandro Araújo, vulgo Pardal. Ela foi gravada pela banda Vinil 69 em seu primeiro EP Dentro de Você (2004). Pardal conta que escreveu a canção ao violão pensando nos segredos que todo mundo tem. "Ela é uma música que fala sobre o que as pessoas fazem escondido. Tem o sujeito que é gay enrustido, a mulher que é infeliz no casamento, o cara certinho que enfia o pé na jaca, todos eles usam da escuridão da noite como um escudo para realizar o que não tem coragem de fazer às claras", provoca o cantor. 
Rei do Céu tem relação direta com o ambiente dos shows da Vinil 69: noites memoráveis em que a performance alucinada da banda contagiava o público, abrindo as caixas de segredos. Pardal revela que a letra era bem maior, mas que por conta da entrega que dedicava aos shows acabou limando alguns versos. "Era uma época que eu trabalhava de 10 a 12 horas por dia. Daí quando chegava a hora do o palco era também o momento do meu lazer, sempre tomava umas cervejinhas e esquecia parte das letras", afirma o cantor.  

Além de Pardal, a banda Vinil 69 reunia em sua formação outras figuras do rock baiano - como o baterista e videomaker Glauco Neves e o baixista Dudare (ex-Cof Damu) - para produzir uma sonoridade fiel ao rock setentista que carregava em seu nome. Em 2017, a banda relembrou as noites de arena rock'n roll com uma única apresentação de reencontro no Dubliners Irish Pub, em Salvador. Quem foi disse que jamais esquece.